Empreendedores da Capital estão otimistas com as vendas na Páscoa

12 de abril de 2022 às 0h28

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Na Feito com Amor a aposta é em lembranças que ficarão para sempre na memória de quem for presenteado | Crédito: Divulgação

O mercado de chocolate tem despertado o interesse de muitos empreendedores. De acordo com um levantamento feito pelo Sebrae, a partir de dados da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (Cnae), registrados pelo Ministério da Economia, a facilidade para atuar neste mercado, a variedade de produtos derivados do cacau e a produção artesanal, que dispensa a utilização equipamentos sofisticados são alguns dos motivos que impulsionam o segmento.

Caroline Pacheco, de Belo Horizonte, é microempreendedora individual (MEI) e está no comando de um desses pequenos negócios de produtos derivados do chocolate, a ‘Feito com Amor Confeitaria’.

Em seu oitavo ano de atuação na atividade, a empreendedora está otimista para as vendas deste ano. “Apesar da alta nos preços dos insumos, a expectativa é de que esta Páscoa seja melhor que a do ano passado. Até contratei uma pessoa para me ajudar alguns dias”, afirma.

Todos os produtos da empresa são fabricados na cozinha da casa de Caroline Pacheco. As vendas das guloseimas são feitas pelo Instagram (@feitocomamorconfeitariabh) e pelo food truck. Além de estar atenta às novas demandas de mercado, Caroline Pacheco procurou o Sebrae Minas para preparar seu negócio para a Páscoa. Entre as mudanças que fez na empresa está a criação de uma identidade visual e o investimento em embalagens criativas e em novos produtos, como o ‘Ovo Memórias’.

“Neste ano, vamos oferecer não apenas chocolate, mas também lembranças que ficarão para sempre na memória de quem for presenteado. Dentro do ‘Ovo Memórias’ haverá uma tela de pintura, seis potes de tinta guache e um pincel. As crianças que ganharem os ovos, ainda poderão participar de um concurso que vai escolher os quadros mais bonitos”, revela.

Receita de sucesso

Outra empreendedora de Belo Horizonte que também tem investido nas vendas on-line e em novos produtos para a Páscoa é Caroline Carvalho. Em 2000, ela abandonou o setor de turismo para se dedicar ao mercado de doces e abriu a ‘Confeitaria Cacau Carol’.

Além do Instagram da empresa (@confeitariacacaucarol), a empreendedora vende seus produtos pelo marketplace e pelo WhatsApp. Ela ainda criou um cardápio com a descrição e preço de todos os itens à venda e oferece descontos para fidelizar seus clientes.

Caroline Carvalho também apostou em novidades, como os apliques de açúcar e pasta americana. E não para por aí. “Este ano, criei novos produtos, além dos tradicionais que são carro chefe do negócio. Têm ovos de colher de tortas de limão e banoffee, bombons, trufas e ainda um ‘caixa de Páscoa’. São produtos variados para todos os gostos e bolsos”, explica a empreendedora.

Aliar criatividade com preços acessíveis é fundamental

Apesar das incertezas – envolvendo a pandemia, guerra e instabilidade econômica -, a Páscoa de 2022 (17 de abril) deve promover um aquecimento no mercado brasileiro. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), por exemplo, projeta que o varejo deve movimentar R$ 2,16 bilhões em vendas, representando uma alta de 1,9% em relação ao ano passado

Isso se deve, principalmente, por conta do aumento de pequenos negócios e empreendedores que vêem na Páscoa um momento de ganhar um dinheiro com produtos de qualidade e com um valor que não vai pesar no bolso do consumidor.

“Quem adquire algum produto, atualmente, busca não apenas qualidade, preços, mas experiências que acolham seus propósitos. Junto com a relação de consumo, o consumidor deseja uma vivência especial e um consumo que marque o período, e essa relação depende da confiança”, explica o Mestre em Economia Regional, Isaias Matos de Santana Junior.

O importante é recorrer às determinadas estratégias para atrair o público e aumentar as vendas, recomenda o especialista, que também é professor de Economia da Rede UniFTC. “A Páscoa é considerada um dos principais períodos que mais movimentam o comércio e nesta época do ano dá para abusar da criatividade, com a criação de cestas com preços mais acessíveis e entrega direta ao cliente, ovos personalizados, montar um portfólio de chocolates pensando nos diferentes perfis de consumidores, tamanhos e formatos para diferentes ocasiões e bolsos”, pontuou.

Santana Junior destaca que os impactos positivos poderão ser sentidos em várias atividades, principalmente com a alta taxa de vacinados contra Covid-19. “A maioria das pessoas já foi vacinada e a queda do número de casos pode ser um ponto positivo na retomada nas vendas de ovos, tabletes e bombons e até outros ramos, como decoração, brinquedos, embalagens e setor religioso. Além de lojas especializadas em chocolates, os resultados também serão sentidos nos supermercados, padarias, entre outros”.

Como economizar

“Nunca se esqueça de fazer pesquisa de preços e a Páscoa não se resume apenas a ovos de chocolate”, frisa o economista. Aproveite a internet, informe-se do preço médio dos produtos que deseja, busque opções mais em conta e considere escolhas de doces e lembrancinhas. Outras alternativas para driblar os gastos são as compras de caixas de bombom, barras de chocolate e outros doces.

Marcas famosas podem ter um preço bem mais salgado que algumas opções artesanais e quem gosta de novas experiências pode fazer o próprio ovo da Páscoa. “Uma alternativa é comprar uma produção caseira. Apenas certifique-se de provar antes de fazer o pedido, garantindo a qualidade do produto. Em vez de comprar os ovos, você pode comprar barras de chocolate e forminhas, derreter o doce e produzir seus ovos. Além de economizar, pode ser divertido, juntando as crianças na brincadeira. Não faltam receitas na internet”.

Para quem não quer comprometer o orçamento, defina um valor para gastos, argumenta. “Primeiro é definir um valor dentro da sua realidade financeira, em seguida dividir pela quantidade pessoas que vai presentear e depois disciplina na hora da execução”, concluiu.

Insumos têm realidades distintas no mundo

O cacau é o principal insumo na fabricação de chocolates e o mais caro também. Não existe chocolate sem o cacau. O chocolate brasileiro é obrigado a ter 25% de cacau na sua composição, esse percentual passou a 27% em 2020, porém a indústria terá 10 anos para se adequar à nova resolução da Anvisa, depois do projeto de lei aprovado na Câmara dos deputados naquele ano. Já o chocolate europeu recebe 35% de cacau mínimo na sua composição. Não é à toa que ele é mais saboroso, macio e mais vendido no mundo inteiro.

O mercado de cacau e chocolates aumentou no mundo inteiro nos últimos 20 anos. Em 2000 foram comercializados US$ 7,14 bilhões em chocolates, em 2020, essa marca passou para US$ 28,6 bilhões. Um aumento de 400%. Claro, não se faz chocolate sem cacau que passou de US$ 2,37 bilhões em 2000 para US$ 8,54 bilhões em 2020, um aumento de mais de 350% na produção. O Brasil é o 7º produtor de cacau do mundo.

Maior demanda, maiores os valores também. O preço do chocolate em barra e bombons teve uma elevação de 11,6% no último ano, segundo o economista, doutor em desenvolvimento econômico, pesquisador do setor de alimentação e professor de macro economia da Strong Business School, Valter Palmiere.

Mas o professor vai além de uma análise de mercado e afirma que o cacau e o chocolate são indicadores do distanciamento social e a desigualdade alimentar entre os países no mundo. Valter Palmiere analisou que países mais ricos, principalmente os europeus comercializam e exportam mais o chocolate, produto final do uso do cacau, já países mais pobres, incluindo o Brasil exportam mais o insumo.

Enquanto a Europa exporta o 75% do chocolate pronto, a África apenas 1,4% da produção mundial. O Brasil, por exemplo, vende cacau puro para a Suíça por US$ 3,95 o quilo e importa chocolate suíço a US$ 7,44/kg.

O professor da Strong explica que matéria-prima barata, sem processamento, que não dinamiza a economia interna, com mão de obra barata (há cerca de 2,1 milhões de crianças trabalhando nas plantações de cacau na Costa do Marfim e denúncias frequentes de trabalho escravo), é um dos fatores pelos quais a África e parte menor da América Latina exporta mais cacau.

A África, por exemplo, exporta 74% do cacau usado nas fábricas de chocolate do mundo inteiro e 12% é exportado pela América do Sul. Já a Europa, exporta apenas 5,4% da sua produção de cacau. O professor traduz isso em dólares. Enquanto a África, principalmente Gana e Costa do Marfim, exportam US$ 6,32 bilhões, a Europa exporta US$ 21,43 bilhões em chocolates. Ou seja, o mercado produtor europeu processa e cria valor agregado a partir de insumos baratos comprados dos países subdesenvolvidos.

O cacau é um dos alimentos mais valorizados da natureza. Para os botânicos: um mineral milagroso com a sua alta carga de magnésio. Para os médicos, um aliado no bom funcionamento do coração e do cérebro, além do fortalecer os ossos e um antidepressivo natural. Fez parte da alimentação dos Maias, 900 anos A.C. Foi e ainda é usado como estimulante para os amantes, foi cultuado em religiões, usado como moeda pelos astecas e hoje, é um dos alimentos mais valorizados em qualquer casa. O professor da Strong Business School evidencia: “o chocolate é maravilhoso e será cada vez mais com a criatividade do ser humano, mas os problemas de desigualdade no universo da alimentação, esse sim, temos que enfrentar “.

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