Empresa cria solução verde que reduz poeira da mineração

Além de conter o pó gerado por grandes indústrias, a manta feita de fibra de coco é uma saída ecológica para o desperdício de água

6 de agosto de 2023 às 0h06

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Manta da Nano-Z feita de fibra de coco é uma saída ecológica para o desperdício de água | Crédito: Nano-Z Divulgação

A atividade extrativa mineral produz um pó prejudicial à saúde humana, capaz de gerar doenças respiratórias fatais. Esse é um dos maiores transtornos sofridos pelos trabalhadores da mineração e habitantes próximos, visto que no transporte do material, o problema se agrava. Isso acontece porque, ao trafegar pela área, os veículos levantam a poeira que se espalha rapidamente pelo ar.

Ao longo dos anos, diversas soluções foram pensadas para tentar conter os danos causados pelo pó da mineração ao ser humano e ao meio ambiente. Uma das alternativas encontradas foi a utilização de contaminantes de alto nível e materiais destrutivos aplicados na superfície. Esse recurso, no entanto, gerou mais um problema ecológico: a poluição das águas subterrâneas.

Posteriormente, as empresas consideraram outra saída para reduzir a poeira nociva, trata-se da aplicação de um grande volume de água no solo, geralmente despejada por caminhões-pipa. Embora seja a mais utilizada, essa solução se mostra temporária, uma vez que o líquido evapora com rapidez quando a temperatura está elevada, momento em que é formada uma alta quantidade de pó. Esse método também eleva os custos financeiros e contribui para o desperdício de água.

Pensando em resolver todos esses problemas, a empresa israelense Nano-Z desenvolveu um produto inovador que promete eliminar pelo menos 85% da poeira levantada pelos veículos que circulam pelas minas. A Eco-Platform, ou plataforma ecológica, criada pela líder mundial em pesquisa e fabricação de materiais e revestimentos de nanotecnologia avançada, garante ainda que poderá haver uma redução de até 85% da água utilizada para a contenção do pó da mineração.

“Uma mineradora controla a poeira normalmente com o caminhão-pipa, gastando água e mão de obra, sendo que cerca de 10 a 15 minutos depois, a água já evaporou. O nosso produto é uma manta feita de fibra de coco que é estendida sobre a pista. Essa manta tem um líquido, tem nanotecnologia. Isso significa que ela consegue reter pequenas gotículas de água em cima dessa fibra. Consequentemente, o caminhão anda sempre sobre uma superfície úmida, o que não gera poeira”, explica o diretor de novos negócios da Nano-Z, Gabriel Eigner.

Testes na AMG Brasil e Anglo American

O produto da companhia de Israel é um substrato produzido a partir de mistura de nanomateriais e elementos ecológicos, 100% biodegradáveis e não inflamáveis. Com ele, são necessárias mínimas quantidades de água para manter a camada superficial do solo e a base úmidas, por um período considerável. A solução verde está em desenvolvimento há quatro anos e passa por testes finais para entrar no mercado. Ensaios, inclusive, estão sendo realizados em Minas Gerais.

Conforme Eigner, os testes são feitos da seguinte maneira: a empresa-cliente contrata uma auditoria externa que coloca sensores em pontos estratégicos para medir o índice de pó durante o trajeto de um veículo na área de produção. A medição é efetuada antes do uso do produto e após.

De acordo com ele, nessa semana, o tapete sustentável criado pela Nano-Z foi testado por dois dias na mina da AMG Brasil, em Nazareno, na região Campo das Vertentes, e houve uma redução de 90% da poeira. Os ensaios do produto também estão sendo promovidos na unidade da Anglo American, no município de Conceição do Mato Dentro, no Médio Espinhaço.

Outras aplicações para além da mineração

Para além da mineração, o diretor de novos negócios destaca que a empresa vem trabalhando com mais alternativas de utilizações e a plataforma ecológica também poderá ser empregue em outras atividades para suprimir a poeira danosa à saúde e ao meio ambiente. Segundo Eigner, o produto será eficiente para todo lugar com pista de terra que circulem veículos.

“Tem várias situações de caminhões e tratores circulando em pistas de terra, como na agricultura, em florestas de eucaliptos, de celulose e papel e, principalmente, em estradas vicinais. Hoje, cerca de 80% das estradas do Brasil não têm pavimentação. Então existe um problema de poeira enorme e que abrange milhares de cidades localizadas nas margens dessas estradas”, ressaltou.

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