COTAÇÃO DE 24/09/2021

DÓLAR COMERCIAL

COMPRA: R$5,3430

VENDA: R$5,3440

DÓLAR TURISMO

COMPRA: R$5,3800

VENDA: R$5,5030

EURO

COMPRA: R$6,2581

VENDA: R$6,2594

OURO NY

U$1.750,87

OURO BM&F (g)

R$301,00 (g)

BOVESPA

-0,69

POUPANÇA

0,3012%

OFERECIMENTO

INFORMAÇÕES DO DOLAR

Negócios

Especial: Consumo consciente ganha força com Covid

COMPARTILHE

Crédito: Freepik

O ineditismo da crise trazida pelo alastramento do Sars-CoV-2, desde dezembro de 2019, resultou reações bem diferentes àquelas apresentadas em situações críticas anteriores.

A lógica do “farinha pouca, meu pirão primeiro” começou, ainda que lentamente, a dar lugar a um sentimento de que apenas a busca pelo bem-estar coletivo pode manter pessoas, países e empresas de pé.

PUBLICIDADE

Ao mesmo tempo que a crise econômica se agravava, começamos a ver a aceleração de práticas sociais e ambientais responsáveis e preocupadas com a governança.

Saindo do campo do discurso, os ESG (Environmental, Social and Corporate Governance) são mais cruciais agora na decisão de compra dos consumidores do Brasil se comparadas com o período anterior à pandemia. Para atender as exigências desse consumidor renovado, as empresas estão se movimentando.

Pesquisas globais mostram que consumidores, empresas e investidores estão cada vez mais engajados no tema. Enquanto os jovens são o combustível dessa mudança, os investidores assumem o posto de aceleradores e as empresas ditam a direção.

No novo normal a promessa é que consumo consciente e produção adequada serão rotina. Ser responsável não será mais um diferencial.

País avança nos conceitos de sustentabilidade

O Brasil, ainda que apresente uma economia imatura na comparação com outras nações, como as europeias, por exemplo, tem demonstrado ao longo da pandemia um grande avanço nos conceitos de sustentabilidade entre os consumidores e dentro das empresas.

Segundo dados da pesquisa “Respondendo às tendências do consumidor na nova realidade”, conduzida pela KPMG, para os brasileiros os aspectos ESG (Environmental, Social and Corporate Governance) são mais relevantes do que em outros países.

A pesquisa analisou como as principais tendências do consumidor impactam as organizações em 12 mercados distintos entre maio e setembro de 2020. Ao todo, 25% dos consumidores afirmam que ao menos um fator de ESG é importante.

Entre os 16% dos que indicaram ser relevante o aspecto de consciência social da marca, os fatores ESG se tornaram 9% mais relevantes para os consumidores brasileiros, sendo o País com o índice mais elevado na comparação com China (+8%), Itália (-4%), França (-5%) e Estados Unidos (-7%).

Ao mesmo tempo, estudo global realizado pela Grant Thornton mostra que os empresários brasileiros não têm dúvidas quanto à importância das práticas ESG nas organizações. Mais de 90% deles também afirmam que as práticas ambientais, sociais e de governança podem melhorar a imagem da empresa no futuro (43% concordam e 48% concordam fortemente).

No que se refere ao relacionamento com clientes e fornecedores, 54% concordam e 38% concordam fortemente que pode melhorar. Finalmente, questionados se as práticas ESG podem abrir novas fontes de financiamento a taxas mais baixas, 53% concordam e 31% dos empresários concordam fortemente.

De acordo com o CEO da Grant Thornton no Brasil, Daniel Maranhão, a Covid-19 deixou claro que para que tenhamos o mínimo de equilíbrio necessário para a manutenção da vida no planeta é preciso que consumidores e empresas tenham atitudes mais responsáveis.

Maranhão: é preciso ter atitude responsável | Crédito: Divulgação/Beto Lima

Desafio

“A ideia – ainda não confirmada – de que foi um desequilíbrio ecológico na China que gerou a pandemia já fez dessa crise algo que ainda não conhecíamos. Existe uma percepção da necessidade de trabalharmos pela conservação do planeta e pelo bem-estar das pessoas. Os jovens fazem uma pressão maior sobre um consumo sustentável. Os investidores também começaram a pressionar por uma produção consciente. Os empresários começaram a reagir. A execução no Brasil ainda é tímida, mas vai crescer cada vez mais. Espero que não voltemos a cometer os mesmos erros. Encontrar o equilíbrio entre o econômico e o sustentável é o desafio principal. Precisamos de um olhar holístico sobre os negócios, mais do que simplesmente a sustentação econômica”, afirma Maranhão.

Também para o sócio-líder de Consumo e Varejo da KPMG no Brasil e na América do Sul, Fernando Gambôa, existem dois propulsores predominantes da transformação: consumidores e investidores.

Gambôa: mitigar riscos é questão fundamental | Crédito: Divulgação

Mitigar riscos é questão fundamental para os investidores globais e os ESG são uma ferramenta fundamental ao tratar com responsabilidade e governança aspectos ambientais e sociais, atendendo um anseio cada vez mais forte dos consumidores.

“Desde as famosas cartas de Larry Flint (CEO da BlackRock – o maior fundo de investimentos do mundo), o ESG passou a ser critério de escolha de onde investir. Os investidores entenderam que as empresas que levam essas três letras a sério estão menos expostas aos riscos. Eles compram empresas para vender. Se elas não têm uma política de compliance clara, podem colocar a imagem em risco. O efeito manada é comum no mercado financeiro. Quando um player desse tipo fala, outros vão logo atrás”, afirma Gambôa.

Os ESG podem ser uma grande ferramenta de negócios para as empresas brasileiras. Em julho do ano passado, a União Europeia lançou seu plano de recuperação econômica. Do pacote de mais de 1,8 trilhão de euros (R$ 11 trilhões, mais que o PIB anual do Brasil), o Conselho Europeu mobilizou recursos inéditos para um projeto geopolítico e econômico de transformar o bloco em liderança na economia sustentável, destinando um terço do valor para o desenvolvimento e aplicação de soluções verdes. Isso sem contar os planos nacionais.

“Os investimentos nessa área são gigantescos. É possível fazer, mas tem que ter comprometimento de governantes e executivos. Quem não quiser fazer por consciência será forçado pelo mercado. Também é necessário entender que não existe uma solução pasteurizada. Isso varia inclusive dentro de regiões e países. Hoje no Brasil temos várias normas dizendo como podemos fazer. Precisamos a ter um olhar holístico para entender quais ferramentas temos. Haverá sempre o que ser feito”, pontua o sócio de consultoria da Grant Thornton, João Silvério.

Iniciativas redesenharão ecossistema de negócios

A transformação rumo a uma prática responsável dentro das empresas é um caminho tortuoso e cheio de obstáculos. Apesar do tema ESG (Environmental, Social and Corporate Governance) não ser exatamente recente, a maioria das empresas brasileiras ainda não tem uma ação institucionalizada nesse sentido.

De acordo com o CEO da plataforma Grape Global ESG, Ricardo Assumpção, a pandemia mostrou como a humanidade é frágil e suscetível a riscos. Com isso, as empresas começaram a entender que a sustentabilidade faz mais do que bem para a imagem, ela está ligada aos riscos financeiros. A preocupação passou a ser como tratar desses riscos para gerar valor no futuro.

“Esse ‘G’ é a forma como a gente mede a sustentabilidade das empresas. Até aqui, os riscos eram calculados de forma muito insegura. Vimos que os perigos que vêm da natureza podem ser muito danosos para todo mundo, inclusive para as empresas. Elas não tinham muita ideia do que era, mas começaram a sentir a pressão da sociedade. As pessoas querem um mundo melhor, mas muitas vezes isso não é o suficiente para mudar hábitos. A grande novidade é que o mercado financeiro também começou a pressionar. As grandes gestoras de capitais viram que precisavam mitigar riscos não financeiros capazes de destruir valores no médio prazo. A mídia também ajudou o movimento a ganhar vulto. Sustentabilidade não é algo que caminha em paralelo, as empresas têm que trazer para dentro da estratégia e está ligada ao propósito. Quem não acredita não consegue fazer da forma correta”, explica Assumpção.

Assumpção: ESG potencializa a inovação | Crédito: Divulgação

A Grape ESG orienta como as empresas brasileiras podem integrar na estratégia a governança corporativa, social e ambiental e assim criar valor financeiro e de marca no médio e no longo prazo, concentrando as melhores práticas de liderança sustentável. A plataforma também tem como intuito ser um ambiente onde empresas, ciência, academia e poder público possam discutir de que forma o ESG pode ajudar a sociedade como um todo.

Na teoria o futuro parece óbvio, porém as empresas ainda encontram muitas resistências culturais. Nas maiores, o convencimento dos conselhos administrativos tem se mostrado um forte desafio. De outro lado, empresas de médio e pequeno porte têm a vantagem de estruturas mais leves e ágeis, mas precisam de mais apoio e integração com as cadeias produtivas das quais fazem parte.

Inovação

“Vemos no mercado poucas empresas sabendo como se aproveitar do ESG. Ele é um grande potencializador de inovação, repensando processos. Existe um terceiro grupo de empresas que quer parecer mais e fazer menos. É o chamado greenwashing (banho verde). Hoje, como a legislação é falha, esse grupo acaba demorando para ser descoberto”, pontua.

Para o consultor, a agenda ambiental ainda deve dominar os debates e ações durante bastante tempo, mas no Brasil o foco social precisa ganhar força. Um dos pontos mais importantes na construção dessa política é entender as necessidades dos setores. Coerência é palavra-chave para o sucesso.

“A pandemia trouxe a colaboração, um entendimento que a melhor soma é a divisão. As pessoas queriam comprar de empresas que estivessem ajudando o País. Um dos pontos importantes da prática ESG é entender o que é importante para o setor. Uma consultoria pode atuar mais na questão do humano do que na mitigação do carbono, do que uma siderúrgica e vice-versa. Minha expectativa é de que os relatórios financeiros e de sustentabilidade sejam integrados. E o próximo passo é integrar isso à cadeia de valor. Muitas empresas acham que já estão fazendo seu papel, mas não estão. A pergunta é: ‘o que mais você vai fazer?’” completa o presidente da Grape ESG.

Ao comentar você concorda com os Termos de Uso. Os comentários não representam a opinião do portal Diário do Comércio. A responsabilidade sob qualquer informação divulgada é do autor da mensagem.

COMPARTILHE

NEWSLETTER

Fique por dentro de tudo que acontece no cenário economico do Estado

OUTROS CONTEÚDOS

PRODUZIDO EM

MINAS GERAIS

COMPARTILHE

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram

Comunicar erro

Identificou algo e gostaria de compartilhar com a nossa equipe?
Utilize o formulário abaixo!