Em apenas uma semana, foi montada uma operação para lançar no mercado um produto seguro | Crédito:

O empresário Jonas do Carmo é um dos empreendedores de pequenas empresas que se viram no desafio de como manter empregos e pagar as contas com a quarentena.

Proprietário da Beetêxtil, uma fábrica de roupas para esportes de alta performance em Joinville (SC), percebeu que fabricar máscaras reutilizáveis era a alternativa mais óbvia diante da falta das descartáveis no mercado. Mas como se diferenciar das demais que estão fazendo a mesma coisa?

Carmo apostou em uma parceria que tem uma ideia com foco social e que consegue movimentar outros setores na cidade. O resultado foi surpreendente: em 15 dias de quarentena, foram confeccionadas 30.000 unidades e o faturamento foi o dobro de um mês inteiro antes da pandemia do Covid-19 (o novo coronavírus).

O ponto de virada em tão pouco tempo começou ao fazer uma parceria com a Heroyz, uma grife que destina seu lucro para manter as operações do Corpo de Bombeiros Voluntários, que não parou durante a pandemia.

De acordo com o CEO voluntário da Heroyz e especialista em negócios com propósito, Eduardo Borba, quando o mercado deu sinais da falta de EPI (Equipamentos de Proteção Individual) e diante da necessidade de alternativas para gerar receita e manter a operação dos voluntários da corporação, veio a ideia das máscaras que tem tudo a ver com o propósito dos Bombeiros de proteção à vida.

“Precisávamos de um parceiro que abraçasse a causa. Além disso, mostrar capacidade de envolver a todos, fazendo com que acreditem na ideia e garantam a entrega do que é esperado. Assim todos saem ganhando”, afirma Borba.

Em apenas uma semana, foi montada uma operação para lançar no mercado um produto seguro de acordo com recomendações das autoridades de saúde. Outra preocupação era fabricar algo de qualidade e preço justo. Cada kit com três máscaras reutilizáveis é comercializado por R$ 29,90.

Entretanto, a ideia do uso de máscaras para beneficiar uma entidade tão bem avaliada pela população com 100% do lucro sobre as vendas gerou um engajamento na cidade que favoreceu o produto da Heroyz.

Batizado de HeroMask (a “Máscara dos Heróis”), a ideia de comercializar apenas direto para o consumidor se mostrou pequena logo no primeiro dia de vendas. Uma rede de supermercados local encomendou um primeiro lote que se esgotou em apenas duas horas, fazendo com que novas unidades fossem encomendadas.

Empresas e indústrias começaram a procurar a Beetêxtil e a Heroyz querendo distribuir máscaras entre seus colaboradores e clientes por verem no produto uma alternativa mais em conta e segura no mercado, além de perceberem o impacto social gerado. Até lojas de roupas, mesmo fechadas por não serem serviços essenciais, colocaram a máscara nos manequins de suas vitrines como forma de propagar a causa.

No site oficial da Heroyz, há registro de venda de um kit de máscaras por minuto. A cada 100 acessos, 19 pessoas fazem pelo menos uma compra. A taxa média deste setor no e-commerce brasileiro é de 2,52 vendas a cada uma centena de visitas. Ou seja, a HeroMask tem um desempenho 731% superior à média nacional, sendo que tudo feita de forma orgânica, sem investimentos financeiros em marketing.

Essa forma de divulgação por meio de engajamento na cidade por redes sociais, aplicativos de mensagens instantâneas e o velho boca-a-boca mobilizou outros setores da região. Um grupo de modelos e profissionais de comunicação se mobilizaram para potencializar ainda mais essa ideia e criaram uma campanha de moda chamada “A Moda Que Salva” como forma de conscientizar a população sobre o uso de máscaras e ajuda a um serviço essencial a todos.

Com problemas logísticos de entrega de kits em Joinville visto que as costureiras da Beetêxtil passaram a trabalhar de suas casas como forma de manter o isolamento social, foi realizada uma parceria com um aplicativo de motoboys para diminuir o custo do frete na região e garantir entrega rápida à comunidade local.

As encomendas chegaram em um ponto que Carmo se viu obrigado a realizar parcerias com outras empresas do ramo têxtil. “É um momento de união inclusive com concorrentes. Realizei uma parceria com uma fábrica de Blumenau para conseguir honrar a entrega das encomendas que entraram em linha dentro do prazo. Também enxergo esse modo de trabalho como forma de preservar empregos no nosso setor”, relata o dono da Beetêxtil.

Mas a demanda cresceu de tal forma que, além da Beetêxtil, outras seis empresas do mesmo ramo acabaram de envolvendo no projeto: Ravache Confecção, Aquamires Beach Wear, Zeni Falcão, Amora Confecções e Marlise Confecções, além da Risque e Corte, para o corte das peças.

Quem quiser adquir kits de máscaras para familiares, funcionários ou clientes de empresas, pode acessar o site. (Da Redação)