Franquias precisam se preparar para a sucessão

Especialistas apontam que processo requer planejamento e capacitação

27 de janeiro de 2024 às 5h17

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Amendoeira explica que sucessor precisa de treinamento, além de ser aprovado pela franqueadora | Crédito: Divulgação/ABF

Entre as franquias a sucessão é um processo ainda mais delicado do que na maioria das empresas. O franchising é um sistema em que o contrato de licença é firmado entre uma empresa – a franqueadora – e uma pessoa física – o franqueado. Por isso, esse contrato é classificado como personalíssimo. Ele leva em consideração as características e habilidades do indivíduo. Sendo assim, a sucessão não é automática e nem realizada levando em conta somente o interesse do franqueado. A sucessão precisa passar obrigatoriamente pelo crivo da franqueadora.

De acordo com o diretor jurídico da Associação Brasileira de Franchising (ABF), Sidnei Amendoeira, em uma sucessão programada ou não, o candidato a sucessor precisa passar por treinamento e aprovação da franqueadora para assumir a função e passar a franqueado em contrato.

“Nos casos em que a sucessão acontece subitamente, por um impedimento inesperado do franqueado, via de regra, o sucessor apontado assume interinamente por um prazo que varia entre 90 e 120 dias. Nesse tempo ele passa por treinamento e precisa ser aprovado para se tornar um franqueado permanente. No caso de uma sucessão programada, o candidato a assumir a função passa pelo mesmo processo, mas essa não é uma obrigação da marca. Ela pode optar por recomprar a franquia ou fazer o repasse para terceiros”, explica Amendoeira.

Em grande parte dos casos, a unidade franqueada é um empreendimento familiar e com frequência a principal ou única fonte de renda da família. Isso torna a sucessão não programada um problema ainda maior. Pesquisas mostram que entre as empresas em geral cerca de três quartos não sobrevivem à primeira troca de geração.

Levantamento realizado pela PwC, em 2020, mostra que 75% das empresas brasileiras fecham após serem sucedidas e apenas 7% chegam à terceira geração.

O mesmo raciocínio vale para as próprias franqueadoras. Elas precisam preparar o próprio processo de sucessão para se protegerem e também aos franqueados.

Para proteger negócio, franquias antecipam preparação para a sucessão

Trocar a gestão e passar o bastão demanda preparação dos dois lados: quem sai e quem chega. Com a longevidade das marcas e envelhecimento da população, muitas franquias têm criado programas de sucessão. Neles, os franqueados são acompanhados e orientados para conduzir o processo e os candidatos a sucessores são levados para dentro do negócio e capacitados para assumir a unidade. A ideia é antecipar dúvidas e conflitos possíveis, tornando o processo mais suave, sem quebrar o ritmo dos negócios.

“Muitas franqueadoras já perceberam o envelhecimento dos franqueados e começaram a criar programas de capacitação interna para os sucessores. Não é uma obrigação, mas é um bom sinal quando a franquia tem um perfil que já exige isso, seja porque é um negócio já com muitos anos e percebe o envelhecimento dos franqueados ou porque tem um perfil de franqueados mais velhos, mesmo que o negócio seja recente”, pontua o diretor jurídico da ABF.

Melitha Prado | Crédito: Divulgação/Carla Formanek

Para a sócia da Novoa Prado & Kurita Advogados, Melitha Novoa Prado, a sucessão precisa ser também uma preocupação do franqueado. A busca por capacitação através de mentorias ou aconselhamento especializado deve estar no plano de negócio. E, claro, ele deve manter um diálogo franco com a franqueadora quando sentir que é hora de pensar em sucessão por uma questão de idade, saúde ou desejo.

“Hoje exige muito conhecimento disponível e é importante que as pessoas busquem se capacitar. O franchising brasileiro é muito bem estruturado. Temos a Lei de Franquias muito bem construída e referência no mundo. Então existe um arcabouço legal que protege a relação entre as partes. A partir disso podemos privilegiar a negociação e evitar a judicialização de conflitos especialmente em um momento delicado como a sucessão é para qualquer tipo de empresa”, pondera Melitha Novoa Prado.

A consolidação do mercado de franquias brasileiro fez surgir mais uma figura que precisa pensar com cuidado na sucessão: o multifraqueado. Dono de unidades da mesma ou de diferentes marcas, ele costuma ter uma estrutura empresarial mais robusta, o que pode tornar o processo mais complexo, mas também mais profissional.

“Aquele multifranqueado que tem duas ou três unidades ainda costuma ele mesmo acompanhar o negócio bem de perto. Já os que têm dezenas ou até centenas de unidades, via de regra, têm um back office estruturado e isso costuma ser benéfico na hora da sucessão. O mais importante, sempre, é que o franqueado analise o negócio e a si mesmo. Busque entender o momento vivido por ele e pelo empreendimento. Afastar-se do negócio que criou nunca é uma coisa fácil, mas quando feito com preparo e profissionalismo pode ser mais suave para as pessoas e benéfico para a empresa”, completa a advogada.

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