Frigorífico mineiro leva carne suína para o mundo

A Saudali propõe, através da qualidade, aumentar a competitividade dos seus produtos dentro e fora do Brasil

7 de dezembro de 2023 às 0h23

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Frigorífico foi inaugurado em 2000, com o objetivo de melhorar a qualidade da carne suína produzida na Zona da Mata | Crédito: Divulgação/Saudali

Essa é uma história de planejamento, determinação e qualidade”. Assim, o diretor e presidente do Conselho de Administração da Saudali, Tito Garavini, resume a trajetória do frigorífico que foi inaugurado em 2000, no município de Ponte Nova, no Vale do Piranga, Zona da Mata, com o objetivo de melhorar a qualidade da carne suína produzida na região e conquistar o mercado brasileiro e internacional. 

No quesito planejamento, a história começa cinco anos antes, quando um grupo de suinocultores resolveu criar uma agroindústria para promover a produção de proteína animal. Hoje, o que parecia um sonho difícil de se tornar realidade, gera cerca de 1.700 empregos diretos e deve fechar o ano com faturamento próximo a R$ 1 bilhão. 

E é nessa mesma trilha de inovação e compreensão, de que são as pessoas que ‘fazem o negócio’, que a Saudali chega à edição de hoje da série Mineiridade. 

Entre 1995 e 2000, o grupo, com cerca de 50 sócios, se preparou para lançar a Saudali. Nesse tempo, eles se capitalizaram, projetaram o empreendimento, compraram equipamentos e ergueram a empresa. Cerca de 500 animais eram abatidos por dia, 50% da capacidade instalada na época. Foi preciso tempo para que fosse alcançado o equilíbrio. 

“A suinocultura chegou à Zona da Mata nos anos de 1970. Naquela época, a atividade principal era a plantação de cana-de-açúcar. No início da década de 1980, houve um salto tecnológico e, na década seguinte, tínhamos muita qualidade, um suíno com baixo teor gordura, mas o produto não chegava na mesa do consumidor com a mesma qualidade que saía daqui. Era preciso aumentar a nossa área de atuação, porque é difícil vender suíno vivo para lugares distantes. Veio a ideia de construir um frigorífico. A Saudali nasceu na Associação de Produtores do Vale do Piranga. No início, tínhamos muitas dificuldades porque era diferente ser suinocultor e industrial ao mesmo tempo. Normalmente é a indústria que fomenta a produção. Somos uma sociedade anônima”, explica Garavini. 

Saudali aposta na variedade de produtos

Atualmente, o mix Saudali conta com mais de 230 produtos suínos congelados, resfriados, defumados, embutidos, especiais temperadas e in natura, divididos nas linhas Saudali, Saudali Apreciatta, Pantaneira, Food Service, Saborear e Festa. Na planta fabril de 46 mil m², sendo 24 mil m² construídos, são abatidos 2.700 animais/dia e produzidas, aproximadamente, 300 toneladas de carne no mesmo intervalo. Os produtos são distribuídos em mais de 20 estados brasileiros e exportados para países da África, Ásia, Leste Europeu, América Central e América do Sul.

Todos os sócios são fornecedores da Saudali, isso, segundo o executivo, diminui custos e riscos. A produção próxima garante menos estresse para os animais, conferindo mais qualidade à carne, custos logísticos menores, e menos riscos durante o transporte, além de diminuir a pegada de carbono. 

Berço do frigorífico, Minas Gerais continua sendo um mercado estratégico para a empresa, sendo responsável por 45% das vendas totais. São mais de 15 mil pontos de vendas no Estado, divididos em 10 regionais com uma equipe robusta: supervisores de venda e, aproximadamente, cerca de 180 representantes comerciais, além do atendimento por telefone (Call Center). Os produtos preferidos dos consumidores de Minas são a tradicional Linguiça de Pernil, Linguiça tipo Calabresa e o Bacon, nas versões ‘Cubos’ e ‘Fatiado’.

“A carne suína é a mais consumida no mundo. No Brasil, por questões de preço, o frango lidera, mas isso mostra que ainda existe um mercado grande a ser explorado. Minas é um dos estados que mais consome. Enquanto a média do Brasil é 20 kg por pessoa/ano, a de Minas é de 26kg por pessoa/ano. O porco está na tradição da gastronomia mineira”, pontua.

Crédito: Divulgação/Saudali

Carne suína sustentável é base para exportação

A responsabilidade ambiental também está na base estratégica dos negócios da Saudali para diminuir custos e atender aos consumidores – dentro e fora do Brasil – cada vez mais conscientes e exigentes. As granjas usam o gás metano para gerar energia elétrica, diminuindo em até 80% a emissão de gases de efeito estufa (GEE) em relação aos métodos tradicionais.

“Precisamos nos manter atentos e inovadores, observando as mudanças de hábitos e sazonalidades. Participamos de feiras, conversamos com os fornecedores. Os mercados internacionais cobram qualidade e responsabilidade ambiental. Agora, por exemplo, houve uma mudança de legislação da produção de presunto. Isso exige investimento rápido. 99% dos equipamentos são importados, principalmente da Alemanha, Itália e Espanha. Tudo muito caro”. 

Para driblar a escassez de talentos, o frigorífico aposta na qualificação de mão de obra local. E, embora as exportações sigam crescendo com vistas especialmente em atender o mercado chinês – que consome metade da produção mundial, mas tem um política de proteção aos seus produtores – e o mercado europeu – que deve diminuir a produção de carne suína nos próximos anos -, o mercado de maior interesse do frigorífico segue sendo o Brasil.

“Como era um setor novo, no início, não existiam pessoas qualificadas na região. Buscamos trabalhadores no Sul do País e começamos a treinar os da região. Hoje, temos uma identidade e valorizamos a prata da casa. Temos tudo para crescer na exportação, mas esse é um processo lento. Nosso maior foco segue sendo o mercado interno”, completa o presidente do Conselho de Administração da Saudali, Tito Garavini.

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