Grupo Petrópolis produzirá lúpulo em MG

Cervejaria deu início à plantação do ingrediente no Estado, nas proximidades na fábrica da empresa em Uberaba

17 de agosto de 2021 às 0h30

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Colheita em plantação no município do Triângulo Mineiro poderá chegar à marca de 2 quilos por hectare | Crédito: Leo Bittencourt/ DIVULGAÇÃO

Prestes a comemorar um ano do início das operações, a fábrica do Grupo Petrópolis em Uberaba, no Triângulo Mineiro, ganhou um presente inusitado: a possibilidade de ter o próprio lúpulo para as cervejas produzidas na unidade. É que a cervejaria deu início à plantação do ingrediente responsável pelo aroma e amargor da bebida em terras mineiras, mais precisamente, nas proximidades desta que é a maior fábrica do grupo no Brasil.

De acordo com o mestre cervejeiro do Grupo Petrópolis, Rüdiger Görtz, ao todo foram plantados 160 pés de lúpulo na cidade, porém, ainda é cedo para saber como a flor irá se comportar no clima da região. Segundo ele, são necessários de dois a três anos para o lúpulo chegar à condição ideal de consumo.

“Existe uma expectativa. Fizemos no Centro Cervejeiro da Serra, em Teresópolis (RJ), e foi um sucesso. Já utilizamos a safra, inclusive nas 2 mil unidades da long neck da cerveja Black Princess Braza Hops, nosso primeiro produto com lúpulo 100% brasileiro”, explica.

Görtz diz que caso o lúpulo plantado em Uberaba vingue, esta será a segunda maior área plantada de lúpulo do Brasil e a colheita poderá chegar a 2 quilos da planta por hectare. Isso porque o projeto da fazenda de Teresópolis está em expansão. Já teve duas grandes colheitas realizadas desde o início e, em 2021, deve somar 20 mil mudas, plantadas em mais de 10 hectares, divididos em cinco fases, sendo a maior plantação de lúpulo do País.

Ainda assim, o trabalho desenvolvido em Teresópolis ainda é encarado como “projeto- piloto”. Tamanho pioneirismo por parte do grupo cervejeiro tem o objetivo de desenvolver a cultura no País para atender à crescente demanda do mercado cervejeiro nacional, com a proposta de disseminar conhecimento adquirido e facilitar o acesso do lúpulo aos pequenos produtores.

Para isso, desenvolvido em parceria com o Viveiro Ninkasi desde 2018, o projeto teve investimento inicial de R$ 2,5 milhões e foi o primeiro do País a obter o termo de conformidade emitido com o aval do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e a possuir nota fiscal de origem das plantas.

Além disso, em 2021 o grupo deu mais um passo para consolidar o Brasil como produtor da flor. Desde abril, a cervejaria foi a primeira de grande porte no País a disponibilizar para venda parte do lúpulo cultivado em sua fazenda, através do e-commerce Bom de Beer.

Fábrica de Uberaba – Inaugurada em agosto de 2020 e instalada sob aportes superiores a R$ 1 bilhão, a unidade mineira está a todo vapor. Em junho, a fábrica que tem capacidade produtiva de 500 mil hectolitros por mês, o que significa um limite superior a 8,6 milhões de hectolitros de cerveja por ano, ou seja, 860 milhões de litros de cerveja/ano, estava próxima de atingir 100% da capacidade de produção de cervejas. Ao todo, são 108 mil metros quadrados de área construída. Esses números a colocam entre as cinco maiores do País em capacidade produtiva.

E, já prevendo o aumento da demanda e apostando no mercado de Minas Gerais, três meses após o início das operações em Uberaba, a maior planta industrial da companhia no País e uma das maiores cervejarias do mundo, em meados do ano passado, o grupo anunciou o investimento mais R$ 250 milhões em Minas Gerais. Os aportes estão sendo destinados à segunda ampliação da fábrica (R$ 135 milhões) e à logística no Estado, com R$ 95 milhões a serem aplicados em frota, revendas, trade, marketing e novos negócios.

Conforme publicado na época do anúncio, será criada uma quinta linha de produção que vai aumentar a capacidade instalada da planta de 8,5 milhões de hectolitros/ano para 11,4 milhões de hectolitros/ano. De acordo com a companhia, a expansão está em andamento.

Exportação de artesanais em alta

Apesar do turbilhão de desafios que temos enfrentado nos últimos dois anos, há fôlego para celebração no mercado de cervejas artesanais brasileiro. Afinal, mesmo em meio a um caos sanitário, político e econômico, o setor se mostrou consistente e sólido, ganhando novos consumidores não só por aqui, mas, também, em outros países.

Cervejarias nacionais, como a Dádiva – produtora artesanal paulista escolhida por dois anos consecutivos (2019/20) como a melhor cervejaria do Brasil pelo Rate Beer -, ganharam com seus rótulos espaços nas geladeiras de países como Holanda, Dinamarca, Suécia, Suíça, Bélgica, França, Finlândia, Luxemburgo e outros tantos, já que os e-commerces da Holanda viabilizam a distribuição das bebidas da Dádiva a todo o território europeu.

Exportação – A cervejaria começou a exportar seus produtos em 2018 e vem se preparando, ao longo dos anos, para aumentar essa participação no mercado externo. Entre 2019 e 2020, o envio das cervejas da Dádiva para outros países triplicou, somando 10 pallets enviados para a Europa e, só no primeiro trimestre de 2021, foram enviados oito pallets à Europa, número que deve crescer até o final deste ano. Uma nova remessa, inclusive, acaba de ser enviada para a Holanda e chegará ao território europeu ainda em agosto.

Segundo a sócia-fundadora da cervejaria Dádiva, Luiza Tolosa, que se especializou no tema por meio do curso sobre exportação no Exporta SP (Programa Paulista de Capacitação para Exportação), o que facilitou essa abertura de fronteiras foi, além da qualidade das cervejas e de muito estudo sobre o assunto, a participação da cervejaria Dádiva em eventos internacionais, o bom relacionamento com os importadores e a produção de cervejas em colaboração com cervejarias de outros países.

Entre os rótulos da produtora que são mais consumidos lá fora, estão, claro, as cervejas com ingredientes típicos brasileiros – frutas tropicais, o nosso café, as nossas castanhas, entre outros. Bons exemplos disso são a Bioma (Russian Imperial Stout com castanha de baru, baunilha do cerrado e cumaru) e as Ephemerals (linha de Imperial Sours que, em uma de suas versões, traz na receita goiaba, maracujá e baunilha).

Porém, segundo Luiza Tolosa, além das cervejas com os nossos insumos locais, receitas com lúpulos como protagonistas, como as IPAs, por exemplo, também são muito procuradas. “Já ganhamos prêmios com algumas das nossas cervejas mais lupuladas lá fora. Isso é bem bacana, porque nós importamos os lúpulos, executamos a receita no Brasil e depois enviamos a bebida pronta para outros países. Isso mostra que uma cerveja boa depende da qualidade dos insumos utilizados, mas também das técnicas e dos cuidados com a execução da receita”, pontua.

Capim Branco investe em e-commerce

O crescimento do mercado virtual de cervejas artesanais foi bastante acelerado durante a pandemia. Com os bares fechados, muitos queriam tomar aquela cerveja especial, sua marca preferida, mas estava mais complicado. Isso impulsionou a venda no autosserviço, com supermercados e lojas especializadas sendo alternativas, mas esse contexto também fomentou o processo de implantação de sites e lojas virtuais.

O e-commerce é uma tendência em vários segmentos de mercado. Mas, mesmo com a pandemia perdendo força, essa plataforma de vendas veio para ficar. Muitos estão investindo nessa forma de relacionamento com o público, estruturando seu e-commerce, que será mais uma fonte de renda para as marcas, além de poder expandir o mercado das cervejarias para todo o Brasil.

A cervejaria Capim Branco estreou seu site Beba.delivery, que tem como diferencial abraçar todas as marcas do seu portfólio e parcerias, já que é uma fábrica que produz várias cervejas de Minas e do Brasil, no sistema conhecido como cigano, onde produtores alugam os equipamentos e o espaço para a produção de cervejas e destilados. Claro que as marcas Lagoon, recém lançada, e Artesamalt, uma das mais tradicionais e antigas do Estado, estão à venda no site. Além disso, o gin Noveau, outra novidade da empresa, também já está sendo comercializado. A previsão é de franca expansão para outros rótulos e souvenires de diversas marcas produzidas dentro da planta da Capim Branco. A proposta é que o Beba.delivery seja um grande portal de venda de bebidas artesanais e premium de Minas Gerais.

O Beba.delivery veio para ser um espaço de venda para diversas marcas, capitaneadas pelas próprias da Capim Branco, mas com espaço para outras parceiras que querem uma vitrine. Essa é a aposta. O site já está no ar e tem combos diferenciados. As novidades não vão parar nos próximos meses. Com segurança e de fácil navegação, o site aceita cartão de crédito, Pix e boleto bancário como forma de pagamento e atende todo o território nacional. 

A Indústria de Bebidas Capim Branco surgiu em 2006 como Cervejaria Artesamalt e se estabeleceu no mercado como uma das principais marcas de chope pilsen em bares e restaurantes de Belo Horizonte e região. Em 2014, a empresa mudou seu foco para poder atender diferentes marcas de cervejas e destilados, como “ciganos” e “White Label”. Por isso, passou a se denominar indústria.

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