Varejo brasileiro se preocupa mais com impactos climáticos do que outros setores

A PWC fez uma pesquisa com líderes de diversos segmentos; varejo e consumo é o que mais investe em sustentabilidade

6 de fevereiro de 2024 às 22h06

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Crédito: Adobe Stock

A 27ª Global CEO Survey, pesquisa anual da PwC, ouviu mais de 4,7 mil líderes em 100 países, incluindo o Brasil. O levantamento revelou que CEOs da indústria de consumo e varejo brasileiro tem investido mais no desenvolvimento de produtos de menor impacto climático que a média geral de outros setores do País. Enquanto 83% dos CEOs do setor afirmaram ter projetos de inovação em desenvolvimento ou concluídos em produtos ou serviços de baixo impacto climático, a média geral do País é de 63%.

A disrupção tecnológica e as mudanças climáticas são duas megatendências globais que têm impulsionado a reinvenção dos negócios de forma geral e estão em destaque nesta edição do estudo, no setor de consumo não é diferente. Isso gera uma crescente inquietação entre os CEOs em relação à sustentabilidade dos seus negócios: 41% dos participantes no Brasil (45% no mundo) duvidam que, na trajetória atual, suas empresas devem se manter viáveis nos próximos dez anos. No setor de varejo, este percentual é de 30%.

Ainda sob a ótica do compromisso ambiental, o setor de consumo e varejo nacional se destaca da média geral em projetos de descarbonização, mas mantém planos mais tímidos para outras ações climáticas e mostra que há muito em que avançar. Do total de entrevistados do setor, 87% possuem projetos de eficiência energética em curso ou finalizados, enquanto, na média geral do País o percentual é de 71%.

A venda de produtos, serviços ou tecnologias que apoiem os esforços de resiliência climática é uma realidade para 67% dos líderes varejistas no Brasil, enquanto a média nacional é de 48%. Por outro lado, apenas 13% dos líderes do setor disseram que já incorporaram os riscos climáticos ao seu planejamento financeiro, o percentual ainda é maior que a média dos CEOs brasileiros, de 9%.

Tomadores de decisão do setor de consumo e varejo do País indicam, inclusive, que aceitariam ter menos retorno diante de investimentos mais sustentáveis. Dos líderes ouvidos, 40% afirmam que as empresas aceitam taxas mínimas de retorno para investimentos de baixo impacto climático. No Brasil, o índice é de 34%.

Tecnologia

A segunda megatendência com implicações sistêmicas e existenciais para as empresas levantada pela 27ª Global CEO Survey é a disrupção tecnológica. A pesquisa revela que 63% dos líderes de consumo e varejo entrevistados no Brasil acreditam que as mudanças tecnológicas afetarão muito a forma de gerar valor ao negócio nos próximos três anos. Outros 57% indicaram que a inovação influenciou a geração de valor nos últimos cinco anos.

 Essa mudança de visão traz consequência direta para as perspectivas de futuro sinalizadas pelos líderes na pesquisa. “Ainda que haja esse ponto de atenção, há também um otimismo no setor. Dos líderes de consumo e varejo no Brasil ouvidos na pesquisa, 53% estão confiantes quanto ao crescimento econômico do país, percentual próximo à média dos brasileiros, de 55%. Observamos que este otimismo é maior que a média global, de 44% e atribuímos, possivelmente, pelo cenário de redução de juros no país”, avalia Luciana Medeiros, sócia da PwC Brasil.

A inteligência artificial (IA) e a sua capacidade de mudar a operação das empresas são destaques da 27ª Global CEO Survey. A adoção dessa tecnologia no setor de consumo e varejo e a adaptação da estratégica tecnológica para lidar com a inovação que ela representa estão abaixo da média geral das empresas brasileiras.

“Apenas 23% dos líderes de consumo do Brasil disseram ter adotado a IA generativa em toda a empresa, enquanto a média no Brasil foi de 32%. A diferença é ainda maior quando perguntamos se a empresa mudou a sua estratégia de negócio por causa da IA. Enquanto 17% dos CEOs do setor de consumo e varejo fizeram alguma mudança neste sentido, no Brasil, a média foi de 34%”, destaca Luciana Medeiros.

Os líderes de consumo sinalizam uma perspectiva de avanço no uso dessa tecnologia para os próximos 12 meses. Para 50% dos respondentes da indústria de consumo e varejo, a IA generativa vai melhorar a qualidade dos produtos e serviços das empresas nos próximos meses. Além disso, 33% destacam que esta tecnologia aumentará a capacidade da empresa em gerar confiança.

Para os próximos três anos, 70% dos CEOs de consumo e varejo indicam que a IA vai gerar novas habilidades da sua força de trabalho. Além disso, 60% acreditam no aumento da competitividade no setor a partir da adoção da inteligência artificial e 63% acreditam na mudança significativa na forma como as empresas do setor podem criar e entregar valor a partir da adoção desta nova tecnologia.

Riscos cibernéticos são as principais ameaças

As megatendências aparecem refletidas nas principais ameaças para o setor de consumo e varejo do Brasil. Para  27% dos respondentes do setor, riscos cibernéticos são os que podem trazer maior impacto aos negócios nos próximos 12 meses. Esse é o segundo fator de principal preocupação abaixo apenas de instabilidade macroeconômica, apontada por 30% dos líderes entrevistados.

“A volatilidade da economia global é algo que aparece como um temor para os setores no geral. E o consumo nacional segue a tendência quanto à aceleração da economia mundial. Dos entrevistados, 33% fazem essa aposta, no Brasil esse índice é de 36% e, globalmente, 38%. Enquanto os percentuais dos que acreditam na desaceleração são, respectivamente, 37%, 39% e 45%. Ou seja, há um equilíbrio”, analisa Luciana Medeiros.

Posto o cenário dos desafios de reinvenção para o setor de consumo do Brasil, a PwC também buscou entender quais são os mercados internacionais mais relevantes para esse segmento. Notou-se que, do ano passado para este, a América Latina ganhou mais protagonismo. Estados Unidos e China seguem no topo da lista apontados por 47% e 20%, respectivamente. Na terceira posição vem a Argentina indicada por 30%, uma posição acima da de 2023 e 17 pontos percentuais maior. Ocupam ainda o top 5 Chile e México mencionados por 17% cada dos entrevistados. Alemanha, França e Índia, que figuravam antes nas cinco primeiras posições, perderam relevância.

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