O erro no contexto organizacional

14 de março de 2023 às 0h22

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Laydyane Ferreira*

Uma vez fiz uma visita comercial a uma empresa e o CEO me disse o seguinte: Layd, aqui nós temos mais de R$ 1 milhão para errar. Isso mesmo, eles tinham uma linha no orçamento para o erro. E desde então eu comecei a refletir qual é a real mensagem de segurança psicológica e erro que as empresas comunicam em seus contextos de liderança e cultura. Se temos uma pré-disposição ao erro que reflete no orçamento, essa empresa possivelmente já está em um nível de maturidade acima da média de tolerância ao processo de inovação.

Segundo uma das maiores referências bibliográficas do tema em aprendizagem Carol Dwek, há dois tipos de mindset no processo de aprendizado: o fixo e o de crescimento.

No mindset fixo ela explica que há algo parecido com o que chamamos da “síndrome da Gabriela”: “eu nasci assim, eu cresci assim…” e geralmente as pessoas acreditam que nasceram com determinado dom ou talento e ele é o responsável pelo sucesso. Que habilidades não podem ser desenvolvidas e que o esforço não faz tanta diferença.

Já no mindset de crescimento, a dedicação, o esforço e a garra, por exemplo, são fatores-chave. Então, quando estamos falando de erro e inovação, o mindset é fundamental pois ele reflete como a equipe será norteada: cenários complexos para o mindset de crescimento é prato cheio e para o mindset fixo pode representar muita frustração. E é na lida com a frustração que a ciência da felicidade pode nos ajudar muito a compreender como lidar com dor. Uma fala muito antiga na nossa cultura transmite a ideia central: “a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional”. Se entendermos as situações que nos causam dor como momentos de aprendizado, teremos uma organização no caminho de uma cultura de comunicação alinhada com bem-estar psicológico. Quanto mais conseguimos elaborar e dialogar conscientemente sobre as nossas questões, mais probabilidade de um resultado ganha-ganha teremos.

E como iniciar o processo de lidar com o erro?

Eu sempre trago a seguinte pergunta: qual a crença que está por trás do erro? Porque, na maioria dos casos, ninguém faz algo querendo errar. Mas entender a crença que leva a pessoa a errar, pode ser um belo caminho para resolver essa questão. Vamos a um exemplo prático:

Uma vez atendi uma empresa que cometeu um erro muito grave e ao mapear as crenças das lideranças, chegamos à seguinte fala: “Não me traga problemas, quero a solução”. Uma frase bem comum no meio dos negócios, mas se formos olhar com detalhe, ela não possibilita um diálogo e resolução colaborativa, podendo inibir muitos colaboradores a levarem problemas mais complexos para resolver junto com as lideranças. A frase acima poderia ser facilmente reescrita, abrindo a possibilidade de diálogo como algo do tipo: “Quando trouxer algum problema, gostaria de ver sua visão de solução”. Diferenças sutis que podem abrir possibilidades de diálogo para resolução de problemas sem evitar o contato.

Convido a você e sua equipe a refletirem como está a mentalidade e se realmente você está favorecendo um cenário onde o erro é tolerado e vira adubo para gerar novos aprendizados e novas escolhas que gerem mais bem-estar para todos.

*Diretora-executiva do Instituto Gaki, organização especializada em consultoria e treinamentos com foco em Educação Corporativa, Serviços de Gestão, RH e Projetos de Impacto ESG. É também podcaster do Propósito na Prática, Palestrante, Trainer, Professora e Consultora Organizacional.

* Diretora-executiva do Instituto Gaki, organização especializada em consultoria e treinamentos com foco em Educação Corporativa, Serviços de Gestão, RH e Projetos de Impacto ESG. É também podcaster do Propósito na Prática, palestrante, trainer, professora e consultora organizacional.

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