O que não te contaram sobre o burnout

9 de maio de 2023 às 0h21

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Laydyane Ferreira*

Outro dia fui almoçar com uma gestora de saúde de uma empresa em São Paulo e, assim que nos sentamos à mesa, ela me disse: “Layd, vejo muitas pessoas falarem sobre o burnout, mas acho que você é a única que conheço que fala sobre você e não se preocupa muito com o que as empresas fizeram”. Aí eu respondi a ela que sim, o burnout é uma doença ocupacional e que a empresa tem sua parcela de responsabilidade, mas não podemos atribuir somente a ela o processo.

Na coluna de hoje vou falar da minha própria história com o burnout porque a considero uma jornada muito rica de oportunidade de aprender sobre o tema, começando pelo principal impactado: o indivíduo.

Primeiramente, entenda o significado do termo burnout que é “queimar por dentro” ou “apagar”. Foi citada pela primeira vez em 1974, pelo médico Herbert Freudenberger atrelando-a vida profissional.

Segundo o site do Ministério da Saúde, o burnout é a “Síndrome do Esgotamento Profissional, um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de situações de trabalho desgastante, que demandam muita competitividade ou responsabilidade. A principal causa da doença é justamente o excesso de trabalho.”

Pela minha experiência e por vários relatos de médicos especialistas no tema, eu diria que não é só o excesso de trabalho, mas a falta de reconhecimento do líder pelo liderado gera tanto estresse quanto o próprio excesso.

De acordo com a Isma (International Stress Management Association), o Brasil é o país com a segunda maior incidência da doença na população economicamente ativa (PEA), ficando atrás apenas do Japão. Estima-se que 30% da população sofra da doença.

Segundo o Dr. João Bravo, médico português, em seu livro “Burnout: Tratamento Natural”, ele possui 3 fases: alarme, esgotamento e exaustão. Os sintomas são vários, mas os mais comuns deles, citados também no site do Ministério da Saúde, são a irritabilidade, cansaço excessivo, físico e mental; dor de cabeça frequente; alterações no apetite; insônia; dificuldades de concentração; sentimentos de fracasso e insegurança; negatividade constante; sentimentos de derrota e desesperança; sentimentos de incompetência; alterações repentinas de humor; isolamento; fadiga; pressão alta; dores musculares; problemas gastrointestinais, alteração nos batimentos cardíacos etc.

Resumidamente, o burnout abaixa a nossa frequência positiva e nos deixa menos “espiritualizados”, pois uma sensação de perda de esperança e negatividade toma conta da pessoa se nada for realizado. Por outro lado, é uma força propulsora para você manifestar sua conexão espiritual e conectar com sua força de vontade e fé na vida. Como sempre, há duas opções de ver a mesma situação.

Ao dar uma entrevista sobre o tema para um jornal, eu descobri através da matéria, em uma colaboração da psiquiatra especialista em burnout, Alexandrina Meleiro, que o mesmo leva de 1,5 ano a 5 anos para “explodir”. Isso quer dizer que se você hoje está bem, mas sentindo os primeiros sintomas, pode ser que daqui a 2 anos, você poderá vivenciar as fases mais críticas, por isso, trate de interromper este processo o quanto antes.

Um outro ponto importante é não matar o estresse e crucificá-lo! Sim, o estresse é algo positivo em nossa vida quando o canalizamos para uma ação virtuosa e quando geramos a carga correta dele. A grande questão é o distresse que é uma grande sobrecarga no organismo. Por isso, recomendo que você aprofunde no tema para não gerar uma aversão ao estresse e não encará-lo como parte natural de um processo humano.

E o que não te contaram sobre o burnout?

De maneira bem objetiva eu diria que o que não me contaram é que a recuperação do burnout é integral e que leva muito, muito tempo. Vejo muitas pessoas olhando somente a parte emocional, procurando psicólogos e psiquiatras (que é fundamental), mas esquecendo dos outros pontos.

Separei para vocês alguns pontos que considero cruciais:

Colocar limites e ter autocompaixão: se você não colocar o limite, provavelmente seu líder não estará preparado para fazê-lo. A grande parte das lideranças organizacionais está cada vez mais pressionada por resultados e quem deve fazer a autogestão do estresse é você.  Não que eles não sejam responsáveis, mas quando entendemos a complexidade do tema, percebemos que o indivíduo precisa externar suas necessidades, até onde consegue ir e fazer a jornada com autoconsciência. Um ponto que me ajudou muito nesta jornada foi entender a diferença entre “dar o melhor de mim” e “dar tudo o que eu tinha”. Estava, na maioria das vezes, dando tudo o que tinha e isso gerou desequilíbrios e sérios problemas na minha vida que até hoje estou revertendo.

Quem te ajuda a fazer isso? Profissionais da área da saúde como psicólogos, psiquiatras, terapeutas, mentores, coaches especializados etc. Alguns cursos e retiros de autoliderança ajudam muito.

Mudança RADICAL na alimentação: eu fiquei perplexa quando descobri que 90% da serotonina, neurotransmissor que gera bem-estar, está concentrado no estômago. Passei anos da minha recuperação apenas fazendo terapia e não tive a orientação da alimentação. Foi uma longa jornada até descobrir que se eu não fizesse uma revolução alimentar eu não teria a minha vitalidade de volta.

Quem te ajuda a fazer isso? Médicos ortomoleculares, integrativos e nutrólogos são os mais indicados. Eu contei com a ajuda deles e, também tive uma farmacêutica especialista em imunidade que me ajudou muito no processo.

Prática de atividade física regular: nosso corpo é resultado das nossas ações diárias. Atividade física e práticas integrativas como yoga e meditação, feitas regulamente pós-burnout é como se fosse gasolina para o carro. Não anda sem.

Quem te ajuda a fazer isso? Um bom treinador e bons professores. Não economize aqui! Tenha alguém para te cobrar semanalmente se você está altamente comprometido com você.

Conexão com seu propósito e com a natureza: é comum querer ficar somente na natureza quando se está no processo de burnout. A capacidade regenerativa da natureza é potente e devolve muitas coisas perdidas no processo do burnout.

O burnout nos convida à prática real da ciência da felicidade onde se fala que felicidade não se busca, se cultiva. Então lembre-se de ritualizar o seu processo de autocuidado e coloque-o todos dos dias na agenda.

Eu desejo que você reverta o seu quadro de burnout e volte a ter uma vida normal, cheia de vitalidade para trabalhar com prazer e satisfação plena, afinal o trabalho tira muitas pessoas da depressão e é um fator primordial de inclusão social e da transformação humana.

*Diretora-executiva do Instituto Gaki, organização especializada em consultoria e treinamentos com foco em Educação Corporativa, Serviços de Gestão, RH e Projetos de Impacto ESG. É também podcaster do Propósito na Prática, palestrante, trainer, professora e consultora organizacional

* Diretora-executiva do Instituto Gaki, organização especializada em consultoria e treinamentos com foco em Educação Corporativa, Serviços de Gestão, RH e Projetos de Impacto ESG. É também podcaster do Propósito na Prática, palestrante, trainer, professora e consultora organizacional.

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