Para crescer temos que entregar tudo que está ao nosso alcance, diz Caito Maia

Fundador da Chili Beans destaca o bom desempenho da marca de óculos neste ano, com a abertura de 180 lojas, sendo 30 em Minas Gerais

5 de dezembro de 2023 às 0h26

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Crédito: Divulgação/Chilli Beans

Antonio Caito Maia Gomes Pereira, ou simplesmente Caito Maia, é o homem por trás da Chilli Beans. A história da marca, que começou com um garoto que queria ter uma banda de rock e vendia óculos escuros para fazer um dinheirinho, até se tornar a maior rede especializada em óculos e acessórios da América Latina, já é bastante conhecida. 

Mas, para além da capacidade de criar um modelo de negócios disruptivo – baseado no lançamento contínuo de novos modelos -, ajuda a explicar o sucesso da Chilli Beans a coragem do empreendedor que avança levando brasilidade pela Europa, reunir franqueados e colaboradores em festas memoráveis nas principais capitais do País e um otimismo que é contagiante, mas não deixa de ser responsável. 

Para ele, porém, essa não a sua maior empreitada. “Ser pai é uma tarefa muito mais difícil e importante do que abrir 1.200 lojas”, reflete. Ele deve saber o que fala, já que é pai de quatro garotos com idades entre 11 meses e 16 anos. 

Foi no caminho entre o hotel na região Centro-Sul de Belo Horizonte e o Aeroporto da Pampulha que Caito Maia conversou com exclusividade com o DIÁRIO DO COMÉRCIO. Os assuntos foram variados: Black Friday – data da qual ele não gosta – e o Natal, sucesso, sustentabilidade, paternidade, imagem do Brasil no exterior e o seu futuro como comunicador. Tudo isso depois de comandar o Superdose – evento que anuncia os próximos lançamentos da marca e celebra os grandes feitos do ano -, que reuniu 350 pessoas na Capital. 

Dois mil e vinte e três foi desafiador para todos os tipos de negócios, com instabilidade política e econômica global. Como a Chilli Beans enfrentou esse ano? 

Os fatores externos são sempre preocupantes, mas tivemos um ano incrível. Abrimos 180 novas lojas, enquanto muitas empresas fecharam. Vamos bater o faturamento de R$ 1,2 bi e crescer 10% em relação ao ano passado. Foi muito complicado, andamos miudinho para chegar nesse resultado. A mensagem que esse ano deixa para todos nós e que eu falo para os franqueados é que temos que entregar tudo o que está ao nosso alcance. O medo faz parte da vida. O Brasil é um dos países com mais oportunidades do mundo. Estamos há 30 anos no mercado, vendendo moda do Rio Grande do Sul ao Acre, o que não é fácil. Mas seguimos trabalhando muito e crescendo.

Esse ano, entraram 62 novos franqueados para a rede. Eles passam dois anos na “célula baby” para depois voar. Agora estamos montando a célula baby da Ótica. Na reunião com o candidato a franqueado a primeira coisa que falo é que aqui não é o lugar de só passar no caixa. Precisamos dele dedicado 100% ao negócio. 

O varejo está se preparando para o Natal, e estamos no pós-Black Friday, duas das datas mais importantes para o setor. Qual a sua expectativa para o fim do ano?

30% do nosso faturamento acontece em novembro/dezembro. Além dos lançamentos, voltamos com os melhores produtos do ano. Acho a Black Friday um erro do varejo porque encolhe as margens de lucro. É uma cópia do mercado americano que não nos faz bem. Já briguei muito por causa disso. O mercado americano não tem força no Natal como o nosso e eles só sabem comunicar preço. Aqui o consumidor avalia outros atributos e comunicamos outros valores além do preço. A tal “black fraude” é mais um erro. O consumidor não aceita ser enganado. Mas como eu não posso deixar a Chilli Beans fora de uma data com tanto apelo, produzimos uma coleção específica para a Black Friday. São quase 25 mil produtos preservando a margem.

Ainda falando sobre as vendas de fim de ano, você esteve em Belo Horizonte para realizar a Superdose, que é um evento que lança as estratégias para essa época e também reconhece os melhores franqueados e colaboradores. O que você pode contar do evento e qual a importância do mercado mineiro para os negócios? 

Minas Gerais é o nosso segundo mercado, atrás apenas de São Paulo. Adoro vir pra cá. É uma turma muito engajada e honesta e esse ano a gente tinha muito o que comemorar. A loja do BH Shopping, historicamente, é uma das lojas que mais fatura. O gerente bate as metas o tempo todo. Ano passado foi o melhor, no Natal vendeu meio milhão de reais. Quando eu anunciei que havia ganhado, ele entrou no palco de collant de paetê vermelho e salto plataforma. A leitura que faço disso é que ele tinha segurança para entrar daquela maneira e dar um abraço no dono da empresa. Esse é o maior sinal de que conseguimos uma comunidade muito bacana, que as pessoas têm liberdade de ser o que elas são na nossa empresa. 

Falando mais sobre o negócio, duas coisas importantes vão acontecer: a implantação das lojas de rua e da Eco (formato de loja de 12m² feita com plástico reciclado, lançado no início de 2022), que atende cidades com mais de 60 mil habitantes. Esse formato tem um grande apelo para Minas, que tem cidades pequenas muito interessantes. As pessoas não querem mais ter que viajar para comprar e, mesmo com o e-commerce, elas querem conhecer, experimentar os produtos. Das 180 lojas abertas em 2023, cerca de 30 foram em Minas, e eu acredito que esse ritmo de crescimento deve se manter nos próximos anos.

A Chilli Beans sempre se preocupou com responsabilidade ambiental e social. Como o ESG integra a estratégia da empresa hoje? 

Essa é uma coisa muito louca, a responsabilidade foi acontecendo de modo natural dentro da empresa. Quando começamos, não se falava tanto nisso. Fazíamos de forma natural e vimos que precisávamos comunicar aos nossos parceiros e clientes. Vamos chegar a um milhão de peças sustentáveis neste ano. Mas, infelizmente, eu ainda vejo muito discurso e pouca prática no mercado. Mas eu continuo otimista, têm coisas acontecendo. Temos um fornecedor de papelão biodegradável. Ele chegou e ofereceu. Existe um movimento da cadeia produtiva. A própria China desenvolveu, quando pedi, não existia. Existe uma demanda mundial por produtos sustentáveis que os empreendedores podem aproveitar melhor.

Há um ano você fechou parceria com a varejista alemã Himer – que se tornou masterfranqueada na região -, com a meta de abrir 80 lojas em cinco anos na Alemanha, Suíça, Luxemburgo e Áustria. Como está o processo de internacionalização da Chilli Beans?

Já temos lojas em Munique, Berlim e Viena. Apesar das dificuldades, a gente se adapta. Temos a força da marca Chilli Beans e da marca Brasil. Nós, brasileiros, temos uma cultura, uma energia que o mundo gosta e que poderia ser encapsulada e vendida para o mundo. A gente tem uma bossa que as pessoas gostam. Ainda falta planejamento, uma divulgação bem feita para mostrar como o Brasil é um país rico.

Você aparenta estar sempre cheio de energia e otimista. Isso é resquício do garoto roqueiro ou necessidade de um pai de quatro filhos?

Sem otimismo a gente não acorda. Não adianta reclamar. O garoto que queria ter uma banda de rock hoje está associado ao homem que é pai de quatro crianças. Abrir 1.200 lojas é mais fácil que ser pai. Tenho um adolescente de 16, que é um grande companheiro; outro de 13, que está no início das crises da adolescência, às vezes é puro carinho e outras vezes, um ogrinho; um de 12, que me abraça o tempo todo; e um de 11 meses, que é a coisa mais fofa do mundo. Sou um cara abençoado, bem casado, com uma família linda. Penso que fiz alguma coisa de muito bom na minha vida. Eu aprendo todos os dias com os meus filhos e tive a sorte de ser pai em um momento em que posso estar mais com eles, mesmo levando uma vida de correria e de viajar muito. 

Você participou do Shark Tank por seis temporadas. Tem planos para voltar para a TV? 

Ano que vem teremos alguma surpresa e estou em negociação com alguns canais. Só posso adiantar que será em TV aberta.

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