Redução do home office é esperança de melhora no setor de foodservice

Perda do poder de consumo da população está entre os fatores que afetam a atividade no Brasil, aponta o IFB

25 de janeiro de 2024 às 5h13

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Setor de foodservice registrou 3,1 bilhões de visitas entre julho e setembro de 2023, e gastos de R$ 54,3 bilhões no terceiro trimestre do ano passado | Crédito: Alessandro Carvalho

O setor de foodservice perdeu força no terceiro trimestre de 2023, refletindo a situação econômica do País. Dados de uma pesquisa realizada pelo Instituto Foodservice Brasil (IFB) mostram queda de 5,3% no comportamento dos consumidores da alimentação fora do lar no período, se comparado com o mesmo intervalo de tempo de 2022. Home office e queda do poder de compra são um dos fatores.

Foram 3,1 bilhões de visitas entre julho e setembro de 2023, e gastos de R$ 54,3 bilhões, o que também representa uma redução de 2,5% na comparação com o terceiro trimestre do ano passado. Apesar de o Instituto não ter ainda os dados fechados de 2023, a vice-presidente Ingrid Zahler Devisate comenta que o cenário percebido no terceiro trimestre deve representar todo o ano passado. 

Isso porque a própria expectativa do Instituto já era de redução do faturamento. De acordo com a vice-presidente, o setor faturou R$ 216 bilhões em 2022 e a expectativa para os resultados do ano passado é mais cautelosa. Em função do cenário econômico, o Instituto espera que 2023 feche com redução no faturamento, girando em torno de R$ 214 bilhões. “São vários os fatores que motivaram essa queda, mas eles foram puxados, principalmente, pela redução do tráfego, ou seja, o número de visitas dos clientes aos locais de consumo”, comenta.

De fato, no período analisado, foram 164 milhões de visitas a menos aos estabelecimentos comerciais. Ingrid Devisate atribui a redução ao fato de o setor ainda não ter voltado ao mesmo patamar antes da pandemia. “Nós tivemos uma reconfiguração dos modelos de trabalho, na pandemia as pessoas adotaram o home office, o delivery, e no auge da pandemia o delivery foi muito representativo, mas, hoje, ele não sana o problema geral de consumo”, comenta.

De acordo com a gestora, em 2019, o delivery representava 8% do faturamento, em 2021 passou para 26% e, agora, alcança cerca de 15% do faturamento. Ela explica que a modalidade não voltará a ter a representativa do auge da pandemia, daí a espera do retorno das pessoas aos espaços físicos e a importância dos comerciantes criarem estratégias para atraírem este retorno.

Crédito: Arquivo Pessoal

Restrição orçamentária impacta consumo

A retomada, de acordo com ela, caminha de forma lenta, mas com boas perspectivas para 2024. “A gente já percebe que muitos escritórios estão diminuindo os dias de home office e isso é importante para o setor”, comenta. Ela cita a perda de poder de consumo como um ponto importante também. 

Isso porque, apesar da redução, o tráfego sustenta um dos seus maiores níveis nos últimos três anos. E o gasto também apresenta uma perspectiva que se destaca: apesar da queda no período, permanece em patamares históricos elevados – considerando o desempenho desde o terceiro trimestre de 2019 (ainda na pré-pandemia), quando chegou a R$ 54 milhões, cresceu 1%. 

Porém, ela observa que por mais que o ticket médio tenha registrado progressão de 3%, chegando a R$ 17,30, é o menor aumento desde o segundo trimestre de 2021. “O consumidor está cauteloso porque apesar de estar empregado, não tem o dinheiro para gastar. Então, ele passa a não consumir tanto na rua e economizar”, diz. 

Ainda segundo o estudo, que de acordo com o IFB, é o maior sobre o comportamento dos consumidores da alimentação fora do lar e abrange 6 mil consumidores entrevistados por mês, gastos e cortes de custos foram mesmo os principais motivos para 66% dos entrevistados que diminuíram idas a bares, restaurantes e lanchonetes.

Em segundo lugar, está a reeducação alimentar (26%) e, em terceiro, motivos de saúde (18%). Há maior queda na frequência em dias úteis, com 46% dos consumidores pesquisados reportando que reduziram suas visitas nesses dias, enquanto aos finais de semana 40% reduziram sua frequência. 

Outro ponto importante levantado pela vice-presidente do IFB é a importância social e econômica que o setor tem. “Somos um setor necessário. Empregamos grande parte do primeiro emprego dos trabalhadores no Brasil. Se nosso setor cresce, cresce o número de empregos e, consequentemente, de gastos, movimentando a economia”, diz.

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