Segurança Psicológica, a base da espiritualidade nas organizações

28 de fevereiro de 2023 às 0h19

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Laydyane Ferreira*

Depois de fazer algumas reuniões com os RHs de vários segmentos e empresas de tamanhos diversos, mas principalmente empresas de médio e grande portes, no final do ano passado, não tive dúvidas de que segurança psicológica seria uma das grandes prioridades das lideranças para o ano de 2023.

Mas o que seria este conceito e por que ele tomou tanta relevância?

O conceito ganhou visibilidade com a construção de um projeto pela empresa Google, denominado Projeto Aristóteles, que tinha como princípio criar um algoritmo para montar equipes de alta performance. Depois de umas tentativas, chegaram à conclusão de que o principal fator de geração de alta produtividade estava ligado a um conceito chave: segurança psicológica.

Mas afinal, o que é segurança psicológica?

Uma das precursoras e referência no tema é a Dra Amy C. Edmondson, professora de liderança da Harvard Business Review, que define a segurança psicológica como “um clima de equipe caracterizado pela confiança interpessoal e respeito mútuo no qual as pessoas se sentem confortáveis em serem elas mesmas”. De maneira bem prática, é quando as pessoas podem expressar de maneira autêntica sem serem punidas e é aqui que fazemos o gancho com a compaixão e a espiritualidade nos negócios.

Quando assumimos que a relação humana é uma construção de conexão com outras pessoas, abrimos um espaço para ouvir o outro e também para expressar a nossa verdade sobre o nosso ponto de vista e se abrir para o aprendizado existencial. Assim, saímos da formatação de pré-julgamentos e vamos para nossa vulnerabilidade humana e iniciamos o processo de resolver o problema.

Um dos grandes indícios de uma organização com baixa segurança psicológica está ligada ao medo presente em seus colaboradores. A presença do medo em uma organização é o primeiro sinal de liderança fraca. Quando as pessoas não estão confiantes que podem falar abertamente e não serão humilhadas, ignoradas ou culpadas e quando elas não podem receber comentários relativos a seu desempenho, há também fortes indícios. Por outro lado, segurança psicológica não é ser gentil o tempo todo, aspecto da personalidade da pessoa, palavras de confiança e aumento de desempenho. É todo um aspecto do clima organizacional que envolve várias etapas deste processo.

Segundo uma outra referência no tema, Timothy Clark, a ausência de segurança física pode causar ferimentos ou morte, mas a ausência de segurança psicológica pode infligir feridas emocionais devastadoras, neutralizar o desempenho, paralisar o potencial e abalar o senso de valor próprio de um indivíduo. Ele também conta que apenas um terço dos trabalhadores americanos acredita que suas opiniões contam.

Acontece que muitas culturas preparam seus colaboradores para repetir padrões (o que é inevitável em qualquer negócio), mas não desafiam na mesma proporção para realizarem um processo amoroso e verdadeiro de comunicação psicologicamente segura nas palavras e nas atitudes. Uma empresa espiritualizada investe constantemente na melhoria da sua comunicação e traz a humanização para todas as relações.

Há um tempo fiz um trabalho de consultoria numa fábrica ligada ao ecossistema do segmento da mineração e, depois de beber água no bebedouro, o supervisor da área me disse: percebo que você entende de gente, pois em anos que estamos aqui, ninguém da área administrativa nunca bebeu água neste bebedouro. Parece que coisas básicas da existência humana estão sendo deixadas em função do que nós mesmos criamos: a ilusão da separação.

E encerro nossa conversa com uma dica para você iniciar o processo de trabalho com a segurança psicológica na cultura da sua empresa: inclusão. Lembrando que inclusão é além de mandar o convite para a festa, é também chamar para dançar.

E por falar em aprender, vamos falar de erro, segurança psicológica e inovação na próxima coluna?

*Diretora-executiva do Instituto Gaki, organização especializada em consultoria e treinamentos com foco em Educação Corporativa, Serviços de Gestão, RH e Projetos de Impacto ESG. É também podcaster do Propósito na Prática, Palestrante, Trainer, Professora e Consultora Organizacional.

* Diretora-executiva do Instituto Gaki, organização especializada em consultoria e treinamentos com foco em Educação Corporativa, Serviços de Gestão, RH e Projetos de Impacto ESG. É também podcaster do Propósito na Prática, palestrante, trainer, professora e consultora organizacional.

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