Setor de transporte escolar vive clima de incerteza em Minas Gerais

Avanço da Covid-19 preocupa

27 de janeiro de 2022 às 0h28

img
Alta do custo do diesel em meio à pandemia agravou ainda mais a situação dos transportadores na Grande Belo Horizonte | Crédito: Wadson Braga - Acervo Pessoal

O próximo mês de março estabelece a passagem de dois anos  de enfrentamento à pandemia da Covid-19. Esse foi um período árduo para toda a sociedade, mas também para aquelas pessoas que dependiam do trabalho no transporte escolar particular para a manutenção da renda e sustento de suas famílias. 

Com o recente aval dos órgãos de saúde para a vacinação do público infantil, a partir de cinco anos, a expectativa poderia ser de retomada, se não fossem os crescentes casos da doença. 

No momento em que a escalada da Ômicron coincide com a volta às aulas de forma integral e presencial, o presidente do Sindicato dos Transportadores de Escolares da Região Metropolitana de Belo Horizonte (Sintesc), Carlos Eduardo Campos, avalia que o cenário é desfavorável para a categoria

“A gente sofreu muito nos últimos dois anos. Essa é uma situação muito atípica, e tivemos poucas iniciativas federais e estaduais. Tivemos o apoio da Prefeitura de Belo Horizonte, com cestas básicas e aumento da vida útil dos veículos, mas nada suficiente diante da gravidade da situação. O cenário atual não é bom. E nós sabemos que (as crianças) são um público frágil e vulnerável”, afirma Campos. 

Vale lembrar que ainda na tarde de ontem houve uma mudança no calendário de aulas para os alunos de 5 a 11 anos da rede municipal de Belo Horizonte. Antes previstas para começarem em 4 de fevereiro, as aulas foram adiadas para o próximo dia 14, conforme anunciado em coletiva pelo prefeito da Capital, Alexandre Kalil. Para os alunos a partir de 12 anos, o calendário foi mantido para 1º de fevereiro, já que esse público já estava com a vacinação em andamento. 

O peso do diesel

A inflação também é um fator que pesa sobre a jornada já fragilizada dos motoristas e proprietários de transportes escolares. Com uma variação positiva de mais de 40% no preço do diesel em 2021, o dilema está nos valores repassados aos pais dos alunos, uma vez que, conforme considera o presidente do Sintesc, essa é uma situação em que toda a sociedade atravessa dificuldades financeiras. 

“Ninguém consegue ganhar para pagar isso. E o combustível é o nosso principal insumo.

O que acontece é que você tem cada vez menos clientes dispostos a contratar, e o serviço fica seletivo, porque o assalariado não dá conta e os pais começam a colocar filhos em escolas públicas ou naquelas mais próximas de casa”, aponta o presidente do Sintesc. 

Segundo Wadson Braga, que trabalha com transporte escolar particular há dez anos, antes do início da pandemia da Covid-19, na região de Venda Nova, em Belo Horizonte, o retorno neste momento não compensa. 

“Provavelmente, eu não vou voltar neste ano. Um carro desses (de transporte escolar), costuma fazer 100 quilômetros por dia. Ou seja, são 500 quilômetros ao final da semana. Só de combustível gastamos uma média de 30% do faturamento, e ainda temos custos com a manutenção e taxas de fiscalização semestrais”, conta Braga. 

Neste momento, com a pandemia, o motorista de van está focado em viagens para empresas, o que deixa sobre alerta a dificuldade que os pais podem enfrentar na busca por veículos de transporte escolar particular disponíveis para o serviço na volta às aulas. A afirmação de Braga leva em consideração a saída de amigos do segmento de mercado para outros setores da economia. 

A desistência de muitos motoristas como reflexo da pandemia é de conhecimento do Sindicato. No entanto, o presidente do Sintesc afirma que ainda não há dados precisos sobre a redução de motoristas na Região Metropolitana de Belo Horizonte, uma vez que muitos ainda não deram baixa das licenças junto aos órgãos de controle. 

Escolher por necessidade 

Para o motorista de transportes escolares Diogo Braga (35), que atende a região de Contagem, a paralisação no início da pandemia não deixou outra escolha: a direção de caminhões e carretas foi o que o manteve e ainda sustenta a família até hoje. 

Com 15 anos dedicados ao transporte dos alunos, Diogo está tentando voltar para o ofício para ficar mais próximo da família. “O nosso investimento é muito caro. Aqui, em Contagem, estão exigindo carros mais novos para o transporte. E um carro usado com esse tempo, por exemplo, custa mais de R$ 100 mil no mercado”, conta Braga.

Nesse sentido, o Sintesc afirmou que não indica para os transportadores de escolares a compra de novos veículos ou financiamentos, já que o cenário ainda exige cautela e pode se agravar. 

Tags:
Facebook LinkedIn Twitter YouTube Instagram Telegram

Siga-nos nas redes sociais

Comentários

    Receba novidades no seu e-mail

    Ao preencher e enviar o formulário, você concorda com a nossa Política de Privacidade e Termos de Uso.

    Facebook LinkedIn Twitter YouTube Instagram Telegram

    Siga-nos nas redes sociais

    Fique por dentro!
    Cadastre-se e receba os nossos principais conteúdos por e-mail