Starbucks fecha lojas em Minas após pedido de recuperação judicial

Cinco unidades no Estado já estão de portas fechadas

6 de novembro de 2023 às 16h10

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Crédito: Adobe Stock / Starbucks

Ao que tudo indica, 43 lojas da Starbucks já foram fechadas no Brasil. Em Minas, uma unidade no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, na RMBH, e uma no Uberlândia Shopping, no Triângulo Mineiro, já estão com as portas fechadas. As unidades do Shopping Estação, Shopping Cidade e Minas Shopping, em Belo Horizonte, também não estão funcionando. Das 187 lojas que a SouthRock, operadora da marca no País, informou no seu pedido de recuperação judicial, apenas 144 estão abertas no País, de acordo com o site da empresa.

No mapa de unidades do site restaram 144 lojas em operação. Em Minas Gerais, três em Belo Horizonte (BH Shopping, Shopping Del Rey e Boulevard Shopping) ainda operam. A unidade de Contagem e Betim, Shopping Itaú Power e Partage Betim Shopping, respectivamente, também continuam em funcionamento. No Triângulo Mineiro, mais especificamente, na cidade de Uberlândia, a loja do Center Shopping Uberlândia continua em operação, mas a do Uberlândia Shopping não está funcionando mais. Em algumas das lojas, o aviso: “Prezado cliente, esta loja não abrirá hoje. Agradecemos a compreensão.”

No perfil do Instagram da empresa, que conta com um milhão de seguidores, clientes se manifestam com pesar pelos fechamentos. Alguns funcionários alegam que “ainda não foram demitidos” e um deles até avisa que tudo pode acontecer já que os gerentes se reunirão amanhã (07/11).

Procurada para falar sobre os fechamentos especificamente, a SouthRock alegou, por meio de sua assessoria, que não tem informações adicionais para compartilhar neste momento. E reforçou as informações da nota enviada ao DIÁRIO DO COMÉRCIO na semana passada em que relatam que “os ajustes incluem a revisão do número de lojas operantes, do calendário de aberturas, de alinhamentos com fornecedores e stakeholders, bem como de sua força de trabalho tal como está organizada atualmente”.

Eles também alegam que as unidades da Starbucks que seguem em operação estão disponíveis para consulta no site da empresa ou via telefone 0800-777-8252.

Pedido de recuperação judicial ainda não foi aceito pela Justiça de São Paulo

A SouthRock Capital, que opera as marcas Starbucks e Subway no Brasil, entre outras marcas de alimentos e bebidas, havia entrado com pedido de recuperação judicial na 1ª Vara de Falências do Tribunal de Justiça de São Paulo, na última terça-feira (31/10), alegando o cenário econômico do País e as consequências da pandemia da Covid-19 como principais causas da crise econômica. Porém, na noite da quarta-feira (1), a Justiça de São Paulo negou a solicitação.

Na decisão, o juiz Leonardo Fernandes dos Santos, da 1ª Vara de Falências de São Paulo, pediu uma perícia prévia nos documentos apresentados pela companhia. E para a realização da perícia, o magistrado nomeou a empresa de administração judicial Laspro Consultores. Na ocasião, determinou, ainda, a apresentação do laudo em até sete dias corridos, o que ainda não aconteceu.

A Starbucks Brasil já havia perdido o direito de uso da marca no País devido a atrasos no pagamento previsto no acordo de licenciamento. A notificação teria chegado em meados de outubro, justamente em meio a negociações de repactuação do contrato, colocando em risco as atividades do grupo que a controla.

Crédito: Adobe Stock

Starbucks não opera com modelo de franquias

Diferentemente do que muitos imaginam, as lojas da Starbucks não funcionam no modelo de franquias. No Brasil, a SouthRock é a responsável master pelos negócios. Dessa forma, o pedido de recuperação judicial não afeta nenhum franqueado, por não ser este o modelo de gestão das lojas. As empresas funcionam por meio de licenciamentos, responsabilizando, dessa forma, apenas a SoutRock por todas as consequências jurídicas do caso. 

De acordo com o consultor Lucien Newton, é comum as pessoas confundirem e recair para as franquias a ideia deste vínculo. “Nesse caso, não há nenhum impacto com franquias porque não são franqueados. A franquia continua sendo um modelo de negócios seguro”, comenta.

Lucien Newton ressalta que dados do setor revelam que um franqueado possui seis vezes menos chances de dar errado do que um comerciante independente e sem respaldo de gestão. Ele defende que as franquias continuam sendo mais estáveis e um modelo de negócios com menos chances de fechar as portas. 

O advogado especialista em direito empresarial e professor da PUC Minas, Flávio Perdon, lembra que o contrato da SouthRock, por ser por meio de licenciamento, está inclusive vinculado às leis norte-americanas.

Ele explica que o formato, por ser menos engessado que um modelo de franquia, possui menos exigências por parte do “licenciador”, mas que, neste caso, deve também reger pelas leis dos Estados Unidos, uma vez que a licenciadora possui sede lá. E reforça, “mas é de total e exclusiva responsabilidade da SouthRock toda e qualquer consequência jurídica e trabalhista já que é a empresa responsável pela marca no Brasil”, afirma o professor.

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