Tarsia Gonzalez quebra paradigmas na sucessão

Tarsia não pensou duas vezes ao nomear o filho, o qual ajudou a preparar e orientar para os cargos que hoje ocupa

20 de outubro de 2023 às 0h13

img
O caminho de Ruz Gonzalez faz brilharem os olhos da mãe | Crédito: Divulgação/Transpes

Se por um lado temos mais de 90% das empresas com perfil familiar, do outro sabemos que 85% delas não sobrevive à terceira geração. Quando questionada sobre esses dados do mercado de sucessão no Brasil, Tarsia Gonzalez, mais de 30 anos de gestão e pessoas, é enfática: “De um lado, temos lideranças que temem inovar. De outro, pessoas mal preparadas para sucedê-los. Não é difícil entender porque os processos de sucessão se tornam tão ineficazes”.

As empresas familiares são responsáveis por mais da metade do PIB brasileiro (65%) e empregam 75% da mão de obra no País, segundo dados do IBGE. Por que a maioria fecha as portas depois de serem sucedidas pelos herdeiros? “O fato não é o que acontece com essas empresas, mas com as pessoas”, enfatiza Tarsia Gonzalez, que explica: “As antigas gerações nem pensavam duas vezes. Se o pai tinha um negócio, os filhos o sucederiam. Hoje, os valores são outros, a felicidade individual está acima de tudo e os jovens aprenderam a dizer não. A pergunta que fica é: como a geração baby boomer pode encantar essa juventude?”

Por outro lado, temos fundadores que se negam a aceitar o novo: “Aqueles que estão no poder, na grande maioria, não querem acatar a passagem do tempo e chegam aos 60, 70 e até 80 anos sem possibilidades de mudança, famílias empresárias cujos fundadores são centralizadores e seguem com este comportamento neurótico de necessidade de poder até a morte, sem ensinar seu legado”, reforça Tarsia Gonzalez.

Ela, indo na contramão dessa realidade, desde seus 45 anos prepara os filhos para que ela mesma tenha outras opções de atuação. “Como mãe”, explica ela, “entendi que os talentos estavam ali e passei a treiná-los e orientá-los, para que fossem aproveitados dentro da própria empresa da família, mudando inclusive o lugar comum da governança, que preconiza que os filhos precisam ir para outras empresas antes de retornar ao núcleo familiar”.

Para provar que os processos de sucessão são possíveis e podem ser feitos com tranquilidade, de forma totalmente precoce, aos 54 anos, Tarsia Gonzalez deu um passo enorme na própria carreira: nomeou o filho, o empresário Ruz Gonzalez, 37 anos, seu representante no Conselho de Administração da Transpes a partir de setembro último, surpreendendo a todos. Tarsia Gonzalez segue no Conselho de Acionistas da empresa.

Para ela, é preciso aprender a inovar: “A velocidade da informação é cada vez maior, as mudanças tecnológicas acontecem todos os dias, a inteligência artificial, hoje, faz praticamente tudo. A informação não está mais apenas na experiência, mas na nuvem! E quem vai dirigir esse mundo do futuro? Os sucessores que estão prontos para o novo, implementando tecnologia e inovação”, explica.

O caminho de Ruz Gonzalez faz brilharem os olhos da mãe/mentora: o hoje conselheiro iniciou suas atividades no Grupo Transpes em 2006, atuando em diversas frentes e desenvolvendo expertise nas áreas operacional e comercial. Como Executivo de Novos Negócios, atuou elaborando planos táticos e estratégicos em cobertura de negociação de vendas e gerenciamento de equipes, prospectando clientes de grande porte por meio de um relacionamento específico e personalizado, além de desenvolver soluções tecnológicas inovadoras e promover o fechamento de contratos em novos segmentos.

Mas foi ao tirar um ano sabático para estudar em Nova York que Ruz Gonzalez se apaixonou pelas PPPs, as parceria público-privadas, e fez desse um mercado em expansão. Como CEO da SPE Saúde BH e da SPE Inova BH, primeira PPP em Educação e única em operação no Brasil, uniu dois sonhos, o de promover prosperidade e equilíbrio social, com força tamanha para mudar os rumos de muita gente. Hoje, a Transpes é 100% investidora dos dois projetos.

Por isso, Tarsia Gonzalez não pensou duas vezes ao nomear o filho, o qual ajudou a preparar e orientar para os cargos que hoje ocupa. Ao tomar essa decisão, ela mostrou na prática o que preconiza: que é preciso passar o bastão, e tem hora certa para isso, e que é preciso confiar nas novas gerações, como ela mesma diz: “O Brasil está repleto de pessoas com grande potencial, mas precisa aprender a deixar o novo acontecer”.

Seguindo o mesmo movimento, Tarsia Gonzalez prepara também sua filha, Regina Gonzalez, para a administração de novos negócios, seguindo o conceito de que é preciso entender as potencialidades de cada pessoa para direcionar seus talentos para as áreas certas. “Uma boa gestão, assim como um bom processo de sucessão prescinde de conhecer e entender as pessoas, elas são o coração de uma empresa”, finaliza.

Tags:
Facebook LinkedIn Twitter YouTube Instagram Telegram

Siga-nos nas redes sociais

Comentários

    Receba novidades no seu e-mail

    Ao preencher e enviar o formulário, você concorda com a nossa Política de Privacidade e Termos de Uso.

    Facebook LinkedIn Twitter YouTube Instagram Telegram

    Siga-nos nas redes sociais

    Fique por dentro!
    Cadastre-se e receba os nossos principais conteúdos por e-mail