Tipos de fraudes que mais acometem empresas

No cenário corporativo, explorar as práticas fraudulentas é uma tarefa marcada, muitas vezes, por ocorrências não documentadas e punidas de maneira inadequada

29 de novembro de 2023 às 20h31

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Crédito: Adobe Stock

Alcançar o sucesso no mundo dos negócios requer responsabilidade e atenção ao ambiente competitivo. Isso exige habilidade de governança e aplicação de medidas de segurança para detecção de fraudes que podem acometer empresas de qualquer tipo de negócio e segmento. Minas Gerais foi o terceiro estado brasileiro com mais registros de tentativas de fraude no primeiro semestre deste ano, registrando 419.922 ocorrências de golpes em várias áreas.

Neste cenário, detectar e prevenir fraudes nas empresas é um desafio complexo, mas essencial. Especialistas destacam os tipos mais comuns de fraudes e a importância da prevenção, políticas claras, auditorias regulares e tecnologia como aliados na proteção contra riscos.

No cenário corporativo, explorar as práticas fraudulentas é uma tarefa marcada, muitas vezes, por ocorrências não documentadas e punidas de maneira inadequada. O advogado trabalhista Mourival Boaventura Ribeiro oferece uma definição essencial: fraude é a prática de atos ardilosos, enganosos, com má-fé, visando prejudicar ou enganar terceiros.

Já o sócio da Audcorp, empresa especializada em auditoria, José Augusto Barbosa, detalha que a fraude, frequentemente, é cometida por funcionários ou terceiros, envolvendo desvio financeiro, omissões de receitas, aumento de despesas, desvio de itens de estoque e falsificação de registros de compras. 

E como fazer para identificar uma fraude?

Ao identificar uma fraude, é possível adotar medidas em duas abordagens distintas: uma voltada para questões trabalhistas e outra de caráter criminal, visando a investigação das práticas ilícitas. Todavia, é essencial para a empresa agir de imediato ao constatar a ocorrência de qualquer irregularidade.

Os indícios mais comuns são:

  • Discrepâncias entre os registros financeiros e contábeis, como contas a receber, contas a pagar e custos de produção;
  • Cruzamento de informações contábeis da empresa com fornecedores, clientes e terceiros;
  • Diferenças entre o inventário físico e os registros do sistema informatizado;
  • Falta de documentação adequada em transações financeiras e operacionais da empresa

Os 10 principais tipos de fraudes empresariais

As principais fraudes, de acordo com análise da Audcorp, ocorrem nas áreas em que acontecem as transações financeiras da empresa, especialmente no caixa, estoques e contas a receber dos clientes. As principais práticas fraudulentas cometidas nas empresas são:

  1. Roubo: muito comuns nas empresas e podem variar desde pequenos objetos, como materiais de escritório, até proporções maiores;
  2. Apropriação indébita: quando um colaborador toma posse de algo da empresa como se fosse seu, como computadores e outras máquinas. A diferença em relação ao roubo é que, neste caso, o objeto móvel alheio é subtraído sem estar sob posse do agente da ação, ao contrário da apropriação indébita, na qual o agente ativo já possui a posse ou detenção da coisa;
  3. Desvio financeiro: muito comum nas áreas financeiras e comerciais das empresas, pode ocorrer quando pessoas redirecionam recebimentos para suas contas pessoais, por exemplo. Essa ação pode ser facilitada pela falta de sistemas adequados;
  4. Desperdício intencional: em muitos casos, colaboradores não motivados ou sem comprometimento permitem que a empresa perca valores ou peças por descuido ou negligência, como mau uso ou falta de cuidado;
  5. Corrupção: essa prática pode assumir diferentes formas, como suborno, em que dinheiro é oferecido a alguém para agir de forma desonesta; propina, em que um montante é pago a uma pessoa para que ela conceda determinada atividade em seu poder; e superfaturamento, que consiste em cobrar um valor maior do que o gasto real em uma nota. Por exemplo, uma pessoa pode solicitar uma vantagem para fechar um negócio;
  6. Fraudes em despesas pessoais: ocorrem quando um colaborador usa um recurso da empresa em benefício próprio, como usar o carro da empresa para fins pessoais, fazer compras pessoais com o cartão corporativo ou abastecer o veículo particular com o vale-combustível da empresa;
  7. Extravio ou falsificação de recibos e comprovantes: é quando um colaborador perde ou falsifica comprovantes de despesas corporativas, a fim de obter um reembolso maior do que o valor gasto. Quando não há um sistema tecnológico de controle desses documentos, as chances de fraudes aumentam ainda mais;
  8. Despesas não autorizadas: ocorre quando um colaborador gasta mais do que o necessário em viagens corporativas, adquirindo serviços desnecessários. Isso pode acontecer, especialmente se a empresa não possui uma política clara de reembolso e gastos com viagens corporativas;
  9. Despesas duplicadas: é quando um colaborador usa a mesma nota para solicitar reembolso duas vezes. Essa fraude ocorre principalmente em empresas que verificam os recibos manualmente. Dessa forma, a pessoa consegue ser reembolsada duas vezes, obtendo um valor de reembolso maior;
  10. Despesas ocultas: ocorre quando um colaborador, durante uma atividade externa, solicita que os fornecedores incluam um produto diferente na nota fiscal para esconder gastos com bebidas, cigarros, entre outros. Assim, o colaborador obtém o reembolso mentindo sobre o que consumiu.

Prevenção nas empresas

No âmbito da economia, estratégias robustas de prevenção são cruciais para enfrentar os desafios das fraudes corporativas. Mourival Ribeiro, especialista em direito trabalhista e sócio da Boaventura Ribeiro Advogados, destaca a importância de procedimentos internos claros. “A adoção de procedimentos internos claros, que envolvam elaboração de relatórios e prestação de contas acompanhados de notas fiscais, além de verificações periódicas”, explica.

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É importante que todos os funcionários compreendam os riscos das fraudes e as consequências que podem enfrentar | Crédito: Adobe Stock

Infelizmente, muitas empresas só adotam práticas de gerenciamento de riscos quando enfrentam crises internas, conforme alerta Ribeiro. Monitoramento eficiente de processos, pessoas e tecnologias, criação de códigos de ética adaptados e canais de denúncia são medidas fundamentais para mitigar riscos.

O sócio da Audcorp enfatiza a relevância de auditorias frequentes, salientando que evitar que a mesma pessoa seja responsável por realizar e autorizar pagamentos é crucial para prevenir fraudes. A conscientização e treinamento dos colaboradores sobre ética, transparência e integridade são essenciais. O uso de tecnologia, como softwares de gestão financeira, é uma aliada na identificação de padrões suspeitos, detecção de discrepâncias e realização de auditorias contínuas.

Além disso, estabelecer canais seguros e confidenciais para denúncias, promover uma cultura de ética e integridade, e implementar políticas claras são alicerces na luta contra fraudes. Em resumo, enfrentar fraudes nas empresas demanda a adoção de medidas preventivas sólidas, garantindo a redução de riscos e a proteção da reputação e ativos financeiros.

*Estagiária sob supervisão da edição

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