Varejo de bairro se fortalece na Capital

Modelo oferece ao consumidor praticidade e mais segurança; para o empresário, redução do custo de operação

12 de maio de 2023 às 0h28

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Outro tipo de negócio focado em bairros e que vem conseguindo bons resultados na Capital é o da My Mall, de street mall | Crédito: Divulgação/My Mall

Os empresários da capital mineira estão apostando no comércio de bairro e são vários os motivos da escolha – perfil do negócio, forma de evitar os custos mais altos dos shoppings ou, ainda, uma maneira de ampliar a atuação no mercado.

É o caso do empresário Marcelo Jácome, um dos proprietários do Armazém e Empório Du Carmo, que conta com duas unidades na região Centro-Sul de Belo Horizonte (Cidade Jardim e Santo Agostinho) e mais uma em Goiânia. “O perfil do meu negócio é voltado para bairros. Os custos de um shopping inviabilizariam a competitividade dos meus produtos”, explica o empreendedor.

Ele conta que o nome Du Carmo é uma homenagem à mãe Maria do Carmo e, ao mesmo tempo, resgata a memória do pai, Caetano Coelho Jácome, que 60 anos antes teve um típico armazém de bairro na rua Platina, no Calafate, região Oeste de Belo Horizonte.

“Resgatei aquele negócio antigo dos armazéns de vender biscoito a granel, onde o cliente pode experimentar antes de comprar; ao mesmo tempo, há produtos para um happy hour”, diz.  Nas lojas podem ser encontrados temperos a granel, doces, roscas, bolos, quitandas, além de diversos tipos de produtos gourmet, de geleia a azeites saborizados; antepastos, laticínios, produtos diet, light e sem lactose, vinhos, cervejas artesanais, entre outros. São, ao todo, 1.200 artigos.

Jácome define o empreendimento como uma franquia familiar, já que os proprietários de cada unidade são irmãos. “Cada um cuida de uma loja”, diz. E há planos de abrir mais uma unidade na região Centro-Sul de Belo Horizonte, com destaque para o bairro de Lourdes. Embora o negócio seja familiar, o empresário diz haver interessados que desejam abrir lojas em São Paulo e Rio de Janeiro.

E investir em um negócio de bairro está dando resultado, já que a unidade Santo Agostinho registrou crescimento nas vendas de 15% nos primeiros quatro meses do ano frente ao mesmo período de 2022. “Em março, eu tive recorde de vendas. As demais lojas também estão crescendo”, diz.

Outro tipo de negócio focado em bairros e que vem conseguindo bons resultados é o da My Mall – empresa especializada em street mall -, já que dos 13 empreendimentos em atividade desenvolvidos pela empresa na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a locação chegou a 100%. Há mais uma unidade em fase de finalização no município de Ribeirão das Neves e, no próximo mês, começa a primeira obra fora da área convencional de atuação, em Curvelo, na região Central do Estado.

“É um negócio de conveniência, o consumidor para frequentar o nosso street mall não precisa desviar do caminho de volta para casa”, frisa o supervisor de vendas da My Mall, Leonardo Gomes.

Resgatei aquele negócio antigo dos armazéns, afirma Jácome | Crédito: Arquivo Pessoal

Várias atuações

Já a rede mineira Centro Visão tem atuação diversificada – centro, bairros e shoppings. “Existe um fortalecimento do comércio de bairro. Afinal, as pessoas querem facilidade, desejam resolver as coisas perto de onde vivem”, observa o sócio-diretor da empresa, Fernando Cardoso. Hoje, das 36 unidades, 10 estão em shoppings, três localizadas no centro da Capital e o restante espalhado pela região metropolitana.

Ele explica que a estratégia de marketing e comunicação, bem como o layout são os mesmos, independentemente do tipo de loja. “O que vai mudar é a adequação do mix ofertado”, diz. Cardoso explica que a escolha do bairro leva em consideração vários fatores como número de habitantes, renda e ponto de venda.

Fidelização da clientela é chamariz

São diversas as vantagens de um comércio de bairro, na avaliação do presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Marcelo de Souza e Silva. Dentre elas, está a fidelização da clientela, em função da proximidade e relacionamento constante, além da movimentação da renda local e geração de empregos. “Também podemos citar a redução de custos, já que o valor do aluguel tende a ser mais barato nos bairros e é possível economizar com transporte de pessoal, por exemplo, optando pela contratação de pessoas da região”, destaca.

Para ele, os estabelecimentos de bairro seguem uma tendência mundial de mercado conhecida como varejo de vizinhança ou cidade de 15 minutos. “Essa tendência aborda o conceito de que todas as necessidades do dia a dia devem ser atendidas a menos de 15 minutos de distância a pé ou de bicicleta”, diz.

Diversas cidades pelo mundo como Milão, Paris e Vancouver estão adotando essa estratégia. O dirigente afirma que no Brasil essa tendência vem se fortalecendo desde a pandemia e a expectativa é a de que nos próximos anos os bairros sejam cada vez mais buscados por varejistas.

As pessoas querem facilidade, diz Cardoso, do Centro Visão | Crédito: Divulgação/Centro Visão

O especialista em varejo e mercado de consumo do Sebrae Minas, Victor Mota, destaca que o principal ponto a favor do comércio de bairro é justamente a comodidade. “Muitas vezes, o foco são as compras de última hora, de algo que está faltando. Assim, o consumidor quer resolver rápido, economizando tempo de deslocamento”, destaca.

Ele observa haver grandes redes que atuam em bairros com adaptações do modelo de negócio, com destaque para uma estrutura mais enxuta. Além da questão física, o especialista recomenda que o empreendedor analise o poder aquisitivo do bairro, hábitos e comportamentos do público, além do ponto. “A decisão de abrir em um determinado local tem que levar em consideração o ponto de vista do cliente. É preciso pensar em como o empreendedor pode melhorar a vida das pessoas, do público que ele pretende atender”, aconselha.

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