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Com um volume diário de 31 mil pessoas, o Mercado recebeu, entre a semana de Natal e o Réveillon, 17,5% a mais de visitantes do que em dias normais - Foto: Alisson J. Silva

A tradição e a diversidade de produtos oferecidos pelo Mercado Central de Belo Horizonte costumam atrair verdadeiras multidões em qualquer época do ano. Nos últimos dias de dezembro, porém, o burburinho aumenta e conseguir um espaço nos corredores e dentro das lojas se torna um desafio ainda maior no espaço que já foi eleito o Terceiro Melhor Mercado do Mundo pela revista de bordo “TAM nas Nuvens”, em 2016.

As previsões do superintendente do Mercado Central de Belo Horizonte, Luiz Carlos Braga, de crescimento de 10% a 12% nas vendas de fim de ano em 2018 na comparação com o mesmo período do ano anterior, não se concretizaram. O resultado final foi de 8% de crescimento no faturamento.

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Com um volume diário de 31 mil pessoas, chegando até 58 mil aos sábados, o Mercado Central recebeu, entre a semana de Natal e o Réveillon, aproximadamente 17,5% a mais de visitantes do que em dias normais.

“A falta de pagamento do funcionalismo estadual impactou o comércio diretamente. No Mercado isso foi menos ruim porque trabalhamos com bens de consumo e não apenas presentes. De uma maneira ou outra as pessoas fazem suas ceias. Para a nossa surpresa as vendas de Réveillon foram melhores do que as de Natal. Parece que muita gente ficou na cidade e podemos perceber muitos turistas em Belo Horizonte nessa época”, explica Braga.

Os dias 26 de dezembro e 2 de janeiro surpreenderam o executivo, que contabilizou um número acima do normal de carros com placas de outras cidades no estacionamento do Mercado. A presença dos turistas pode ajudar os lojistas a esvaziarem os estoques.

“Esses consumidores buscam principalmente os produtos típicos do Estado, como queijos, cachaças e doces. Dessa vez os lojistas fizeram estoques menores, mas, mesmo assim, será possível encontrar boas ofertas durante essa semana”, destaca o superintendente do Mercado Central.




Supervisor há 30 anos da Ananda – loja especializada em frutas secas e outros produtos especiais -, Eduardo Campos comemora o resultado que garantiu um volume de vendas entre 8% e 10% maior e faturamento parecido com o de 2017.

“O volume de vendas até superou as expectativas, mas o faturamento não porque muitos preços baixaram em comparação com o fim do ano de 2017.

Para se ter uma ideia, o damasco caiu de R$ 140 para R$ 64, o quilo. Isso aconteceu com produtos importados ao longo do ano e também com os nacionais. A castanha do Pará, por exemplo, teve uma colheita excelente em 2018 e a grande oferta de frutas levou o preço para baixo. De toda forma, essa redução de preços ajudou a trazer o cliente para dentro da loja”, analisa Campos.

O mesmo tom é adotado pela gerente da Roça Capital – loja especializada em produtos da gastronomia mineira -, Rose Sant’Ana. Mesmo que o resultado tenha sido melhor do que o do fim do ano anterior e um pouco menor do que o projetado pela equipe, o perfil de consumo de 2018 mostrou que o consumidor está cada vez mais exigente e curioso sobre as especificidades e novidades da culinária de Minas Gerais.

“Mesmo com o orçamento apertado as pessoas vêm atrás daquilo que é especial. Os queijos de Bueno Brandão (Sul de Minas), os produtos vencedores do Festival Sabará Sabor e os azeites especiais e premiados produzidos pela azeitóloga Ana Beloto nos surpreenderam. Tive que manter o contato com os produtores para garantir a reposição dos produtos a tempo”, comemora Rose Sant’Ana.

Outro ponto alto para a Roça Capital foi a venda de kits para empresas. Muitas, como Cemig e Toyota, buscaram produtos típicos como queijos, cachaças e goiabadas para presentear parceiros importantes. A promessa é de promoções nos primeiros dias do ano. “É muito bacana essa demanda por produtos que caracterizam Minas Gerais. E é um prazer montar esses conjuntos. Deu muito resultado essa proposta. Hoje (dia 2) é dia de colocar a casa em ordem depois da correria, verificar os estoques, conferir as datas de validade e deixar a loja bonita para o cliente. Aqui tudo é conversado e negociado mineiramente”, destaca a gerente da Roça Capital.




Artesanato – Já para os artesãos o fim de ano não rendeu muitos motivos para comemoração. Vendedor há seis anos na Donato Artesanato, Renato Ferreira nunca viu um dezembro tão fraco. A loja é especializada em lembrancinhas de Minas, como camisetas e produtos de pedra-sabão.

“Os nossos produtos não têm um apelo específico para o fim de ano, mas costumamos ter um bom movimento e loja cheia nessa época. Dessa vez foi muito fraco, o pior dezembro desde que cheguei”, lamenta Ferreira.

A artesã Sônia Brugnara, proprietária da Artesanato Brugnara e Duarte, também não viu a situação mudar em dezembro. “Não esperávamos melhora no fim de ano. Dezembro foi tão fraco quanto o resto do ano. As pessoas estão sem dinheiro e não compram”, sentencia Sônia Brugnara.

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