Os efeitos provocados pelas ondas de calor no Brasil e no mundo

26 de janeiro de 2024 às 5h01

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Crédito: Arquivo/Agência Brasil

“O clima está mudando mais rápido do que as ações para lidar com a questão.” (Barack Obama)

Tempos atrás, as estações do ano tinham data certa pra começar e data certa pra acabar. Aqui por estes nossos pagos, a tradicional “folhinha mariana” cuidava de fornecer ao distinto público informações valiosas sobre as rotineiras variações metrológicas. Verão era verão, primavera era primavera, outono era outono e inverno era inverno. Dizia-se, naquela época, a propósito das elevações de temperatura, que o calor era de “fritar mamona”. Os jornais apreciavam dizer “calor senegalesco”, “calor infernal”, “calor de rachar”. Por aí afora…

Com os termômetros atingindo escalas nunca dantes percebidas neste nosso planeta repleto de inexplicabilidades, outras formas comparativas de se registrar o fenômeno atmosférico andam pintando no pedaço: “calor de maçarico”; “calor de Saara sem Oasis”; “calor de fornalha siderúrgica”, assim vai. Parece-nos mais apropriada, pelo toque regionalista, uma classificação ouvida dia desses: “Calor de Araçuaí, somado com ao calor de Ituiutaba, mais o calor de Muriaé” .

Todos vemos, com apreensões, o coreto climático bagunçar. Nos dias que correm, recordes preocupantes estão sendo batidos em tudo quanto é parte do mundo. Por conta de dias hipercalorentos a sensação térmica chega até 60 graus em inúmeras regiões. Muita gente adoece e sucumbe por causa disso. A ciência alerta: Quando a temperatura ambiente ultrapassa a capacidade de resfriamento do corpo, os mecanismos naturais, como a transpiração, podem não ser suficientes. Isso pode levar a riscos de desidratação, insolação e até mesmo a falhas nos órgãos, especialmente em pessoas vulneráveis, como idosos e crianças, mais suscetíveis aos efeitos adversos do calor.

O ano de 2023 foi o mais quente da história. O ano de 2024 poderá suplantá-lo sob esse perturbador aspecto. Os entendidos em questões climáticas explicam que, embora o fenômeno El Niño, que aquece as águas do Oceano Pacífico, tenha influência na situação em foco, o calor extremo é resultado das contínuas emissões de gases de efeito estufa. Ou seja, o adelgaçamento das camadas de ozônio que protegem a terra dos raios solares.

O calor escaldante que tanto nos molesta, por mais despropositada e paradoxal que seja a afirmativa, é a ponta do iceberg. De um medonho iceberg com poder destrutivo inimaginável.

As tempestades catastróficas, as inundações, os maremotos com presságios de tsunamis, os terremotos, os ventos uivantes com velocidade demolidora, os vulcões com suas ameaçadoras lavas incandescentes, as estiagens prolongadas e as queimadas devastadoras: tudo isso, implicando em riscos à sobrevivência humana, dão forma cataclísmica à ameaça do aquecimento global. As súbitas nevascas que açoitam tantos rincões, assinalando temperaturas extremas jamais registradas, é outra face alarmante do efeito estufa. E o que não dizer da temida perspectiva de derretimento das calotas polares? Algumas informações atualizadas dão conta de que os termômetros acusaram aumento de 4 graus em alguns trechos do Ártico. O chamado degelo pode provocar a elevação do nível dos oceanos com consequências apavorantes, como é de se imaginar.

Os vaticínios dos cientistas apontam para um cenário apocalíptico. O bicho-homem, com sua prepotência e arrogância, com seu imediatismo ganancioso, com atitudes equivocadas e desastrosas, imprevidência, negligencia, insuficiência gestora, omissões perversas, instinto beligerante, o bicho-homem – repita-se, comporta-se como se toda a abundante sinalização da hecatombe anunciada não lhe dissesse respeito. Faz questão de pagar pra ver.

Como a esperança é a última que morre, as criaturas de boa vontade se agarram à expectativa de que no tempo que resta para um redirecionamento das coisas possam surgir lideranças providas de ideias capazes de reverterem o quadro caótico acenado.

*Jornalista(cantonius1@yahoo.com.br)

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