Por que o investimento social na educação é meta essencial para 2024

27 de janeiro de 2024 às 5h08

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O fim do ano é o momento em que empresas e organizações analisam suas conquistas e traçam metas e estratégias para o ano seguinte. Entretanto, quando o tema é investimento em iniciativas ESG, é cada vez mais raro encontrar entre as metas das empresas algo que é tão importante quanto a governança e meio ambiente: as ações focadas no investimento social.

Ao pensar em ações sociais, a primeira reflexão é sobre o papel da iniciativa privada na formação profissionalizante de jovens para o mercado de trabalho. De acordo com o Censo Escolar, cerca de 47 milhões de jovens no País estudam em escolas da rede pública de ensino, que sofre com a defasagem nos conteúdos, e que não ingressam assim que saem do ensino médio, nas universidades.

Desses jovens de 15 a 29 anos, somente 11% estão matriculados na educação profissional, número bem abaixo da média de países que integram a OCDE (44%), segundo dados do relatório Education at a Glance, da entidade, que avalia dados e políticas educacionais.

Com a taxa de desemprego ainda elevada para essa população (18%), de acordo com dados do IBGE, sem acesso as oportunidades com respaldo de políticas públicas para a inclusão produtiva no mercado de trabalho, esses jovens são empurrados para o mercado informal.

É nesse cenário que as organizações do Terceiro Setor buscam preencher essas lacunas para oferecer oportunidades de formação, para que esses jovens desenvolvam seu potencial e se tornem cada vez mais protagonista da sua história.

As organizações formam profissionais não apenas em conteúdos técnicos, mas também comportamentais, pois ensinam práticas e vivências corporativas do dia a dia, além de proporcionar novas perspectivas para esses talentos em formação. Uma realidade transformadora que presencio todos os dias com os jovens e famílias impactadas pela formação do Jovem com Futuro da ONG PAC, em que coordeno.

A formação de jovens também contribui positivamente com o cenário socioeconômico que vivemos hoje. Um dos setores da economia que pode se beneficiar diretamente do investimento e apoio a organizações que capacitam jovens por meio de cursos de formação profissional, é a área da Tecnologia, que nos próximos cinco anos, pode sofrer com um déficit de mais de 500 mil profissionais qualificados.

Nesse caso, assim como de outros setores da economia apoiar projetos educacionais verdadeiramente especializados em Tecnologia, é uma maneira de suprir essa demanda. As ONGs têm a expertise para realizar uma qualificação adequada, mas é preciso que as empresas abram as portas para esse jovem talento e sejam pontes para oportunidades.

Entretanto, para ter um impacto efetivo precisamos de políticas que articulam ações de governo, setor produtivo, universidades e sociedade civil e atendam amplamente as juventudes, principalmente aquelas vindas da rede pública, que correspondem a quase 90% dos jovens brasileiros.

A educação profissional precisa ser encarada como uma ferramenta potente de investimento social, que impactará não só os jovens, mas toda a sociedade. Pensando o “S” do ESG além de ações pontuais e tratá-lo como uma estratégia de longo prazo. Os projetos sociais que atuam na formação de jovens entregam muito além de futuros profissionais. Esses projetos ajudam a desenvolver novos talentos ao mesmo tempo em que atendem às demandas ESG das empresas.

O jovem está disponível para ser a solução contra os chamados “apagões de talentos”. Basta oferecer a eles a oportunidade de aprendizagem e qualificação técnica e profissional. Com isso, eles podem conseguir um trabalho, ajudar suas famílias e só a partir daí, poderão dar continuidade aos estudos, buscar uma formação universitária. Não faz sentido as exigências curriculares que as empresas ainda fazem para contratá-los. Primeiro é preciso oferecer para depois cobrar.

É urgente rever o papel cidadão das empresas ao abrirem oportunidades a esses jovens. Ela precisa ser produtiva e contribuir para o desenvolvimento deles. Virou vício culpá-los por falta de perspectivas, chamá-los de ‘Geração Nem-Nem’, mas a verdade é que nem as políticas públicas, nem a iniciativa privada oferecem chances reais para essa inclusão.

Na expectativa do novo ano que acaba de começar, é preciso que as empresas avancem na agenda social, assumindo um compromisso com a educação, oferecendo oportunidades reais aos jovens. Eles são o futuro e não há como pensar em um amanhã sem investir nos próximos talentos hoje. “Sua empresa já se planejou para aumentar as oportunidades dos jovens em 2024?”

*CEO e cofundadora da ONG PAC

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