As lições que podemos tirar do Web Summit 2023

8 de dezembro de 2023 às 0h03

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Viagem contou com a participação de 21 empresas do estado, que fizeram visita técnica à School of Business and Economics | Crédito: Divulgação/Sebrae Minas

Em uma colaboração estratégica, a Invest Minas, o Sebrae Minas e 21 startups pioneiras de Minas Gerais desembarcaram no Web Summit 2023, em Lisboa, o principal evento mundial de inovação. Com mais de 70 mil participantes, desde executivos e investidores até governos e startups, o evento foi marcado por polêmicas, startups e o domínio do tema Inteligência Artificial (IA).

Apesar da ausência das gigantes Meta, Google e Amazon, o evento trouxe uma luz intensa para as startups, exibindo sua resiliência e inovação. A startup brasileira Inspira, especializada em Inteligência Artificial, acabou se destacando e triunfando em uma arena global altamente competitiva. Assim, o Brasil emergiu como uma forte presença, figurando entre os cinco países mais representados ao lado de Portugal, Alemanha, Reino Unido e Estados Unidos.

Tentar resumir a riqueza de conteúdo de um evento tão dinâmico é uma tarefa desafiadora, mas o Web Summit 2023 ofereceu insights inestimáveis para o mundo do empreendedorismo, do trabalho e da inovação.

O Web Summit 2023 serviu como palco para a revelação incontestável da ascensão imparável da Inteligência Artificial, eclipsando temas anteriormente em destaque, como o metaverso e as NFTs. Embora a IA não seja uma novidade, sua popularidade recente está intrinsecamente ligada à vasta quantidade de dados disponíveis, fruto dos modelos de negócios atuais. Hoje, a IA emerge como uma força capaz de acelerar, aprimorar e potencialmente reduzir custos, exigindo uma adaptação ágil das empresas e dos profissionais diante das mudanças digitais.

O potencial transformacional da IA se estende para além do escritório, alcançando setores cruciais como a produção e distribuição de energia, agricultura e gestão de cidades. A IA tem o potencial, por exemplo, de tornar fontes de energia renovável mais eficientes e confiáveis, prevendo demandas e otimizando operações para facilitar a transição para soluções sustentáveis.

Na agricultura, a IA se revela uma aliada na promoção de práticas de cultivo sustentáveis, desde a agricultura de precisão até previsões de rendimento de colheitas. Essas inovações não apenas reduzem o impacto ambiental, mas também garantem a manutenção da produtividade.

Nas cidades inteligentes, a IA emerge como outro ponto focal. Sistemas de transporte inteligentes, gestão de resíduos e recursos hídricos baseados em IA contribuem para a construção de ambientes urbanos mais eficientes e sustentáveis. Quem sabe não veremos sinais de trânsito e de pedestres atuando de forma inteligente a partir do monitoramento de pontos de lentidão?!

O Web Summit 2023 também trouxe à tona discussões intrigantes sobre o impacto das gerações Z (nascidos entre 1997 e 2010) e Alpha (nascidos a partir de 2010). Com o poder de consumo da Geração Z estimado em 33 trilhões de dólares até 2030 e 2,8 milhões de Alphas nascendo a cada ano, é inegável que essas gerações moldarão o futuro.

Uma mudança notável observada nas gerações mais jovens é a interação e o poder dos jogos. Com 22% do tempo da geração Alpha dedicado aos jogos, os jovens e adultos do futuro querem construir, colaborar e estarem imersos. A indústria de jogos gera, hoje, mais receita do que as indústrias de cinema e música combinadas. Isso evidencia a crescente importância dos jogos na cultura e economia contemporâneas.

A abordagem “comunidade em primeiro lugar” é, portanto, essencial, com a troca bilateral sendo fundamental para o desenvolvimento de marcas e relações criativas. As marcas que buscarem se conectar com essas gerações precisam compreender e abraçar essa perspectiva, entendendo que o essa geração não é apenas sobre consumo, mas sobre experiências imersivas, onde a socialização, construção e colaboração são fundamentais.

A revolução tecnológica impulsionada pela Inteligência Artificial está remodelando também o cenário profissional, levantando questões cruciais sobre o que permanecerá verdadeiramente humano no futuro do trabalho.

Inicialmente, acreditava-se que a IA perturbaria predominantemente os trabalhadores braçais. No entanto, revelou-se que os empregos intelectuais estão na linha de frente da transformação. As capacidades pensantes dos modelos de linguagem, exemplificadas na redação de e-mails e na síntese de documentos, destacam seu potencial transformador no mundo empresarial.

Enquanto a IA pode aprimorar significativamente a fase de execução de tarefas, mesmo as intelectuais, o verdadeiro ato de pensar, envolvendo ideação e resolução criativa de problemas, permanece inextricavelmente humano. A automação não implica a substituição do pensamento humano; a mente criativa permanece exclusivamente nossa. Respostas são para máquinas, perguntas são para humanos.

Assim, a nossa capacidade de realizar boas perguntas e provocações será determinante no futuro do trabalho.

Desse modo, para os profissionais que souberem se adaptar, a IA será matéria-prima para a criatividade. Há, portanto, uma oportunidade sem precedentes, sinalizando a transição de um uso passivo para um engajamento ativo e construtivo com a IA. Essa evolução posiciona a IA como uma ferramenta facilitadora, ampliando as capacidades humanas em vez de substituí-las. Por outro lado, há uma preocupação com a desatualização de líderes seniores. A liderança ativa e informada é essencial para orientar as organizações nesse novo paradigma.

O futuro parece promissor, mas é fundamental adotar posturas de adaptabilidade, colaboração e confiança. A mensagem é clara: as habilidades humanas fundamentais não estão saindo de moda. Mas, em um mundo integrado à IA, a resiliência humana e a capacidade de adaptação se tornam ainda mais cruciais.

Se pudesse resumir o Web Summit 2023 em uma única frase, utilizaria a citação de Andrew McAfee, pesquisador de tecnologia norte-americano: “Simplifique a correção de erros, em vez de evitar cometê-los”. A inovação é uma atividade imprevisível e descentralizada e não deve precisar de permissão, ela precisa de liberdade.

*Diretor de Gestão e Novos Negócios na Invest Minas

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