Aceitar contraproposta pode arruinar sua carreira

23 de janeiro de 2024 às 5h06

Se você ainda não foi abordado por uma empresa ou headhunter, os famosos “caça-talentos”, para uma possível nova posição, com certeza será! E se aceitar participar de um processo seletivo, isso já diz muito sobre o seu atual momento, afinal, se você está bem onde está, com visibilidade de crescimento, constantes desafios e um bom pacote de remuneração, não faz o menor sentido participar de um processo para um novo emprego.

A minha sugestão é para que, antes de iniciar um processo seletivo, avalie se de fato é isso que realmente deseja. Afinal, quando alguém que já está em um procedimento de mudança para outra empresa resolve permanecer na atual organização, a mensagem é que no mínimo não está disposto a correr riscos. E cada vez mais esta é uma competência que tem sido requerida, do estagiário ao presidente.

É preciso cautela, afinal construir uma carreira exitosa não é simples, nem fácil e exige maturidade emocional, autoconhecimento e decisão. Renunciar ao seu planejamento de carreira em busca apenas da motivação financeira ou de promessas repentinas, certamente é uma armadilha e coloca à prova o seu protagonismo. Sua carreira necessita ter propósito e não valor! Quando a empresa oferta um salário maior, na sua possível saída, é preciso a reflexão de sua parte porque este aumento não veio antes. Será que de fato você reúne todas as competências e habilidades, bem como comportamentos necessários para uma evolução de carreira na sua atual organização? É importante lembrar que aumento salarial vem junto com aumento de escopo de atuação, o que exige outro nível de entrega.

Agora, se você é o candidato escolhido para a nova posição, a minha dica é que nunca aceite uma contraproposta da atual empresa em que trabalha. Isso porque valorização é importantíssimo! Me intriga saber que a empresa esperou o seu pedido de demissão para aumentar o seu salário, se você está entregando resultados.

Pesquisas apontam que pelo menos 85% das pessoas que aceitam a contraproposta acabam ficando, em média, por apenas seis meses. Até porque ao aceitar uma contraproposta da atual empresa, esteja certo que a sua credibilidade ficará arranhada, seja na atual organização, ou no mercado. Lembre-se que credibilidade tem a ver com reputação, algo muito importante no ambiente corporativo, especialmente hoje em dia onde todos se conhecem.

Por outro lado, usar uma proposta de um novo emprego, ou o famoso leilão para pressionar a empresa a obter um aumento é uma péssima alternativa. Você vai iniciar um processo tóxico, muitas vezes sem volta. A empresa pode até aceitar tal situação, pelo fato de não ter um sucessor, mas na primeira oportunidade esteja certo de que seu nome estará na próxima lista de demitidos. Como headhunter, vejo muitas empresas imediatamente abrir uma busca no mercado, para encontrar alguém para a sua posição, evitando correr o risco de ter um novo pedido de demissão a curto prazo.

Autoconhecimento é essencial para qualquer profissional, uma vez que é preciso entender o que tem lhe trazido angústia, decepção ou poucos desafios em sua atual posição. Quando você tem pleno conhecimento e sabe o que lhe faz feliz, bem como quais passos você precisa dar em sua carreira profissional, fica mais fácil ter clareza da importância de não aceitar uma contraproposta. Em geral, os fatores de insatisfação que levaram o profissional a se abrir para uma nova oportunidade costumam continuar existindo, mesmo após a contraproposta. Além disso, aceitar uma contraproposta é quebrar a relação de confiança entre líder e liderado.

A postura das pessoas é observada em todos os momentos, por isso, enquanto muitos se preocupam excessivamente com o futuro, vale ressaltar que o hoje é o mais importante e definirá onde estaremos daqui a alguns anos. Nesse sentido, é essencial ter atenção ao comportamento em um pedido de demissão, para não comprometer a sua credibilidade.

Tomou a decisão de sair? Comunique imediatamente ao seu superior e à área de recursos humanos, para que eles possam planejar a sua saída da forma mais tranquila possível. É preciso entrar e sair pela porta da frente. Organize suas demandas e deixe tudo funcionando. Não é porque você vai sair que irá desacelerar e deixar de entregar seus trabalhos com o mesmo engajamento de sempre.

Muitos profissionais se esquecem desses pequenos detalhes e deixam uma marca negativa no processo de saída. É preciso lembrar que as pessoas estão sempre observando e você precisa se preocupar constantemente com a imagem que está deixando. No mais, deixe as portas abertas e não se esqueça de manter o networking com seu ex-líder, ex-pares e colegas. Nunca se sabe o dia de amanhã, não é mesmo?

* CEO, board advisor e headhunter da Prime Talent, empresa de busca e seleção de executivos, presente em 30 países pela Agilium Group. É conselheiro de Administração e professor convidado pela Fundação Dom Cabral; conselheiro da ABRH MG, ­ACMinas e ChildFund Brasil.

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