Abrir os olhos para enxergar

27 de janeiro de 2024 às 5h00

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Crédito: Divulgação/ Bombeiros MG

Temperaturas bem acima da média ajudam a explicar a intensidade das chuvas neste verão e o rastro de destruição que acompanham os temporais, caso de Belo Horizonte na semana que está terminando.

Situação que tem a ver também com as modificações no clima que afetam todo o planeta e levaram o prefeito Fuad Noman a afirmar que muito provavelmente estamos diante do “novo normal”. Uma sucessão de desastres que na realidade se anteciparam ao próprio verão, ocorridos do extremo Sul ao Norte, com mais intensidade em São Paulo e Rio de Janeiro, expondo uma vez mais as falhas do sempre desordenado processo de urbanização no País, que levou à ocupação de encostas e à canalização de cursos d’água, entre outros erros, resultando numa situação que hoje parece incontornável. E que só tende a piorar, acredita-se.

Também chamam atenção as dificuldades expostas pela sucessão de temporais e dizem respeito ao abastecimento de energia elétrica. De Porto Alegre a Goiânia, passando pelo Rio de Janeiro e São Paulo, foram sucessivos e dramaticamente prolongados os apagões, gerando dificuldades e prejuízos que não podem ser dados como aceitáveis. A realidade parece ser que as águas também varreram as ilusões produzidas pelas concessionárias privadas hoje responsáveis pelo abastecimento em algumas dessas cidades, desnudando a precariedade dos serviços oferecidos. E isso porque faltaram investimentos, previstos nos contratos de concessão, inclusive na manutenção das redes. Face ao ocorrido, à realidade desnudada, surgiram movimentos reclamando cancelamento ou revisão das concessões que, como regra, não produziram mais que aumento das tarifas.

Apesar do silêncio sepulcral daqueles que sempre enxergaram nas privatizações a solução para todos os males, será oportuno e da maior conveniência observar o que se passa. Algo que se aplica de perto e muito especialmente a Minas Gerais, onde a privatização da Cemig continua sendo apontada como uma das metas do administração atual, que trabalha nesse sentido, mas felizmente tem encontrado resistências que vão barrando suas pretensões. A simples observação do que se passou nesses dias em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte deveria bastar para calar aqueles que ainda pensam e defendem que serviços públicos dessa natureza ficariam melhores em outras mãos que não as do Estado.

E deve, principalmente, ser tomado como alerta pelo governador Romeu Zema que melhor faria se buscasse se informar com seus colegas governadores de São Paulo e Rio de Janeiro sobre o acontecido.

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