Aprendendo com os erros

7 de fevereiro de 2024 às 5h02

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Crédito: Divulgação/STF

A Operação Lava Jato nunca foi, ao contrário do que tentaram fazer crer, uma cruzada pela moralidade e pelos bons costumes no ambiente público. Já à época dos acontecimentos, quando o juiz Moro foi transformado numa espécie de herói nacional, ou o próprio, chamávamos atenção para as imperfeições processuais, passíveis de serem percebidas mesmo por leigos. E dizíamos que naquilo tudo parecia existir mais ambições que virtudes. A farsa, cumprido o objetivo de afastar o presidente Lula da eleição presidencial, foi logo desmontada, tamanho os erros cometidos, atitudes fazendo crer que havia absoluto senso de impunidade, e hoje o herói de ontem está bem próximo do banco dos réus.

Tudo passou mais rapidamente do que talvez se pudesse imaginar, a realidade, mesmo que não totalmente, é melhor conhecida, a verdade vai sendo desnudada e os erros, na medida do possível, corrigidos. Caso mais recente da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de suspender o pagamento de multas, no caso devidas pela antiga construtora Norberto Odebrecht e relativas aos processos da ocasião. Parece absurdo, mas é apenas mais uma consequência da delinquência de toga, posta a serviço de interesses políticos e oportunistas menos até que de convicções ideológicas. Simplesmente, observado o rigor jurídico, não há como escapar dessa aparente contradição, ainda que mais uma vez os acontecimentos sirvam para impertinente exploração enviesada.

Tudo isso deveria provocar reflexões mais sérias e profundas acerca dos acontecimentos que tiveram início com as manifestações de rua em 2013 e jamais adequadamente explicadas, passaram pela cassação da então presidente Dilma Rousseff até chegar à prisão do presidente Lula.

Na mesma medida em que os erros vão sendo corrigidos e a verdade, queiram ou não, restabelecida, são desnudados também os prejuízos sofridos pelo País, de todas certamente a conta mais pesada. É o que indica o desmonte da indústria da construção civil bem como dos setores de petróleo e construção naval, tudo isso e mais a paralisia da gestão pública. Simplesmente o preço da ambição daqueles que tentaram construir uma picada para chegar à rampa do Palácio do Planalto. Perderam a corrida, mas abriram espaço para a ascensão de Jair Bolsonaro.

Como foi dito lá atrás, havia muita ambição e nenhuma virtude e é o Brasil, os brasileiros, que pagou e pagará pela sucessão de despropósitos que ainda hoje uns poucos tentam encobrir. Cabe esperar pelo menos que tantos sacrifícios tenham servido de lição.

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