Em defesa da indústria

24 de janeiro de 2024 às 5h01

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Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O governo federal já tem o caminho traçado para a recuperação da indústria nacional, a partir de crédito e medidas de apoio e fomento com foco nos setores de infraestrutura, saneamento, moradia e mobilidade, agroindústria, complexo industrial de saúde, transformação digital, bioeconomia e indústria de defesa. Na apresentação do programa, batizado como “Nova Indústria Brasil”, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, também ocupante da cadeira de vice-presidente da República, anunciou que se tudo correr conforme pretendido serão investidos na renovação e recuperação da indústria R$ 106,2 bilhões nos próximos dois anos. E para os próximos dez anos o objetivo é devolver à indústria local competitividade e condições de crescimento, tarefa tão ambiciosa que chega a ser rotulada de neoindustrialização.

O fato é que a indústria brasileira entrou, nas alturas da virada do século, num processo de encolhimento, perdendo capacidade de competir por conta dos custos internos elevados justo no momento em que a China adotou agressiva política de exportações e as medidas de proteção do mercado interno foram abolidas, na lógica da abertura comercial que os países industrializados defendem, mas não praticam. Eis porque o entendimento correto será o de que para mudar, para recuperar os espaços perdidos, será preciso sim proteger e estimular a indústria local, fechando espaços para a oferta de importados sabida e comprovadamente subsidiados.

Uma tarefa que está começando justamente com o anúncio de que a compra de produtos brasileiros terão preferência, sempre que possível, na esfera pública federal. Ao mesmo tempo, investimentos que recebam alguma forma de subsídio serão obrigados a cumprir metas de nacionalização, caso mais visível do setor petrolífero. Para os que ainda insistem em afirmar que qualquer tipo de favorecimento anula a liberdade de escolha do comprador e entorpece o fabricante local, recomenda-se que procurem entender o que aconteceu com a indústria naval e de construção de plataformas. Ou os percalços dos setores de confecções, sapatos e autopeças e brinquedos, todos eles também na conta da desindustrialização.

Também será tanto oportuno quanto conveniente lembrar o que aconteceu ainda recentemente, na pandemia, quando o País – e não foi apenas o Brasil – se deu conta que não tinha mais condições de fabricar respiradores e outros insumos essenciais. Foram os riscos então evidenciados que ajudaram na revisão de conceitos até então dados como definitivos começaram a ser revistos, influenciando e legitimando decisões como aquelas que o Brasil agora anuncia. Ir em frente, não temos dúvidas, é para o País um caminho impositivo.

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