Falar menos e fazer mais

1 de dezembro de 2023 às 0h01

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Crédito: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa hoje e amanhã, em Dubai, da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP 28. O presidente levou na bagagem o mesmo discurso que tem repetido nas ocasiões que se apresentam, deixando claro que o Brasil não se omite diante da questão, tem sim grandes preocupações com a preservação da Amazônia, porém sem perder de vista que a questão ambiental é antes de tudo assunto para as nações industrializadas. Um recado direto para os governos dos Estados Unidos e da China, as duas maiores potências econômicas da atualidade e também os maiores poluidores, cujos presidentes sintomaticamente não estarão em Dubai.

Na perspectiva da política interna, trata-se de evidenciar as diferenças em relação ao governo anterior, por suas atitudes transformado numa espécie de pária internacional, e de exibir os feitos colecionados em menos de um ano, como a redução em 40% do desmatamento na Amazônia. Trata-se de mostrar o que está sendo feito, mas ao mesmo tempo cobrar postura mais assertiva dos países industrializados, denunciando inclusive as contínuas tentativas de transferir responsabilidades, como se o eixo das transformações que tanto preocupam estivesse na Amazônia ou se sua preservação não devesse ser o resultado de um esforço comum.

Na realidade, a conferência de Dubai, para a qual não são esperadas decisões realmente impactantes, ficará quando muito no rol das boas intenções, como se o mundo de fato estivesse se esforçando para evitar o pior, no entendimento inclusive de que a questão ambiental seria apenas um dos aspectos de distorções ainda maiores e mais graves. Delas o presidente brasileiro falou, contundente, em duas ocasiões recentes, primeiro numa conferência em Paris e na sequência por ocasião da Assembleia Geral das Nações Unidas. Cabe esperar que não seja diferente agora.

É preciso pontuar que existe no planeta um desequilíbrio estrutural resultante da concentração da renda numa pirâmide em que apenas o topo lembra o paraíso e todo o restante corresponde ao inferno. Todo o resto é consequência da ordem estabelecida, na verdade imposta, a partir do final da Segunda Guerra Mundial, que se revelou inadequada e precisa urgentemente ser alterada. Universalizar a prosperidade ou ao menos reduzir as desigualdades continua sendo o maior de todos os desafios. Inclusive, ou sobretudo, para que as questões ambientais possam ser tratadas com mais seriedade, produzindo os resultados que certamente não virão das conversas nestes dias em Dubai.

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