Faltou visão abrangente

26 de janeiro de 2024 às 5h00

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Crédito: Freepik

De modo geral foram positivas as reações, principalmente entre empresários brasileiros, ao programa de reindustrialização anunciado pelo governo federal no inicio da semana. A indústria, que passa por um processo de encolhimento que já dura pelo menos três décadas, enxerga a possibilidade de que venha, afinal, o suporte tão reclamado, com esperanças, inclusive, conforme ressaltou a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) de que esteja sendo postas em marcha iniciativas tão robustas quanto aquelas que possibilitaram o crescimento da agroindústria no País, já consolidada dentre as maiores e de melhor desempenho no planeta.

Nessa perspectiva e com o entendimento claro, que alguns ainda teimam em abominar, que a adoção de mecanismos de proteção à indústria local são tanto desejáveis quanto reproduzem práticas que os países industrializados não disfarçam, há que aplaudir iniciativas que de fato podem ser uma espécie de virada de chave. Uma possibilidade que, se encarada com a devida seriedade, leva de pronto a outras conclusões. Se temos pressa, ou necessidades que são bastante urgentes, se o programa agora anunciado promete para os próximos dois anos realizações muito relevantes, será preciso também considerar o entorno ou o suporte para o salto almejado. Ou, para tomar emprestada fala do ministro Fernando Haddad na sua entrevista no Roda Viva da TV Cultura, entender que em termos práticos a grande tarefa da gestão pública é saber encontrar o equilíbrio entre o tecnicamente recomendável e o politicamente possível.

No caso em tela, sugerindo um exercício que leve ao entendimento de que as metas agora traçadas não serão viáveis se não houver também, e paralelamente, entendimento que o impulso para o salto almejado depende da oferta de infraestrutura, principalmente de energia e transporte, além da criação de um ambiente menos hostil ao investimento e condução de negócios. Transportes mais eficientes e menos onerosos, oferta de energia em condições competitivas, menos burocracia, previsibilidade e segurança jurídica são ingredientes que não podem faltar na receita para as ambiciosas mudanças pretendidas.

Talvez seja justamente nesse sentido e nesta dimensão que o conteúdo do “Nova Indústria Brasil” possa, de fato, guardar distância de iniciativas anteriores, não dando razão aos críticos de conveniência quando dizem que tudo pode não passar da repetição de erros pretéritos.

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