O impulso que falta

8 de fevereiro de 2024 às 5h02

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Crédito: Roberto Rocha/RR

De acordo com as mais recentes projeções da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Produto Interno Bruto do Brasil deverá crescer 1,8% no corrente ano e 2,0% em 2024. Quanto à economia global, as previsões são de 2,9% e 3% no mesmo período. Para o País, considerado o comportamento da economia nos últimos anos, resultado ainda modesto e, sobretudo, distante das previsões do atual governo, que pelo menos no discurso continua prometendo recolocar o Brasil na trilha do crescimento rápido e sustentado. A distância a ser percorrida para isso continua parecendo mais longa, posto que os obstáculos a superar continuam sendo enorme desafio.

Um deles, assim reconhecido, continua sendo a infraestrutura de energia e transportes, um gargalo que só não está obstruído justamente porque a economia não dá sinais de reação na escala pretendida. Assim como precisaria ser mais ágil e assertivo na superação das limitações que em conjunto inibem investimentos, comprometem a competitividade da produção local e assim acabam atrofiando a indústria local, a tal “virada da chave” dependeria de investimentos maciços nas esferas dos transportes, mobilidade e oferta de energia, questões que, de fato, não parecem estar no radar de Brasília.

É o que se deve concluir diante da notícia de que investimentos federais nessa área deverão somar R$ 215,8 bilhões no exercício, valor que corresponde à elevação de 11% na comparação com 2023, mas equivale a 0,64% do Produto Interno Bruto. Cabe ressaltar que o número exibido inclui os investimentos que fazem parte da nova e festejada versão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Será devido também pontuar que, na avaliação de estudiosos, os investimentos públicos na área deveriam equivaler a pelo menos 4% do PIB e ainda assim num contexto somente de recuperação das perdas acumuladas.

Sobra, portanto, a conclusão de que os objetivos fixados como promessas durante a última campanha eleitoral e agora repetidos sempre que a ocasião se apresenta continuam distantes da realidade. Voltar a crescer, devolver a esperança na forma de investimentos, produção, renda e consumo que em conjunto signifiquem o reencontro com o crescimento e a prosperidade, exige muito mais do que tem sido apresentado ou proposto. Tudo isso sem contar o senso de realidade que parece faltar em Brasília.

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