Qual o futuro das minas gerais?

20 de outubro de 2023 às 0h01

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Crédito: Vale/Divulgação

Em um passado não muito distante, mas que nem exaustão, nem problemas socioambientais eram pautas da principal atividade econômica de Minas Gerais, o poeta Carlos Drummond de Andrade já traduzia em palavras o sentimento de todo mineiro. Um misto de orgulho e preocupação, de entusiasmo, entendimento e perguntas sem fim sobre o que rege um setor essencial, complexo, finito e, hoje, passível e carente de adaptações, como a mineração.

Mineiro de Itabira, berço da mineração em Minas e no País, Drummond viveu em uma época em que muito se sabia sobre a pujança do setor no Estado, mas pouco se fazia para preservar as outras riquezas existentes por trás das rochas que formam as Minas Gerais.

Décadas se passaram e o minério de ferro só se fez valorizar, o que impôs pedras no caminho, que fizeram e têm feito a atividade repensar práticas e soluções. Do cuidado com o meio ambiente ao relacionamento com as comunidades em que estão inseridas, mineradoras já admitem que seus negócios não sobrevivem mais por si só.

Em “O maior trem do mundo”, de 1984, Drummond antecipava a preocupação hoje latente aos municípios mineradores: a dependência e a exaustão mineral. Exaustão essa que não carece vir única e exclusivamente pelo fim dos recursos, podendo ocorrer por fatores de origem socioambiental ou até econômico-financeira. Por isso, embora no passado de Drummond a independência dos municípios mineradores não fosse tratada com a firmeza e a clareza necessárias, hoje é abordado por diversos atores do setor.

Vemos, por exemplo, a própria Itabira, correr contra o tempo, já que está previsto para 2041 o encerramento da atividade extrativista no município. Nova Lima, na RMBH, também já põe em prática projetos que prometem dar fôlego à cidade, por meio de programas, investimentos e políticas públicas ligados à inovação e novas tecnologias. E Itatiaiucu, também na Grande BH, criou um Fundo e um Conselho Municipal de Desenvolvimento Econômico para tratar do assunto.

Entretanto, para especialistas, o tema ainda não desperta a preocupação necessária. E o preço da finitude da atividade – independentemente do momento ou contexto em que ocorrer -, alertam: será negativamente proporcional aos ganhos bilionários que hoje representa. Apenas no terceiro trimestre de 2023, Minas Gerais arrecadou R$ 722,2 milhões com a Cfem, mantendo a liderança no ranking entre os municípios mineradores do País e, inclusive, se distanciou do Pará – o segundo colocado e que, em alguns meses, há alguns anos, chegou a incomodar o Estado, tomando a primeira posição.

Diante do cenário, entidades, empresas e governos precisam, mais do que nunca, descobrir os desafios e os caminhos para uma relação saudável e viável entre territórios, exploradores e atingidos.

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