Uma receita mais simples

25 de janeiro de 2024 às 5h00

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Crédito: Freepik

Enquanto prosseguem os esforços ou, pelo menos, a retórica do reequilíbrio das contas públicas, a administração federal insiste em que é possível alcançar, ainda no presente exercício fiscal, o equilíbrio entre receitas e despesas. Só não parece perceber o tamanho do desafio, principalmente porque não abandona o discurso de que é possível acertar o alvo com o aumento de receitas. Afinal, como disse há pouco um expert em gestão pública, no Brasil cortar gastos é muito difícil, daí porque um caminho, ou meta, mais realístico seria melhorar a qualidade dos gastos, reduzindo-se paralelamente desperdícios.

Caso das obras paradas, inacabadas, estima-se, pelo menos R$ 40 bilhões conforme as estimativas mais recentes.

Em suma, trata-se, pelo menos, de tentar desatar os nós que foram sendo dados ao longo do tempo, naquilo que já foi chamado, com propriedade, de sequestro do Estado brasileiro. Nessa esfera podem ser incluídos com certeza os gastos com o funcionalismo, que só não são maiores, hoje, que a conta do serviço da dívida interna. Um assunto proibido porque, muito espertamente, os que se beneficiam da situação deixam no ar, propositadamente, a ideia de que paira no ar ameaça sobre todo o funcionalismo, notadamente aqueles mais simples, que recebem o que talvez não baste para seu sustento. Falando sério, absolutamente não é disso que se trata.

Para começar, o que deveria estar sendo cogitado é uma espécie de faxina geral, não para riscar trabalhadores de verdade, mas sim para acabar com os funcionários fantasmas, que existem em abundância porque não faltam padrinhos para abraçá-los. E, olhando para cima para alcançar os privilegiados, os hoje esquecidos marajás, acabar de vez e definitivamente com as vantagens e penduricalhos somente a eles reservados. “Auxílios” das mais diversas naturezas, de combustível a moradias, passando até por vestimentas, legalizados pelo conluio de interesses baixos, mas que são na verdade rigorosamente imorais. Muito provavelmente este tipo de faxina, se realizada com a severidade requerida, bastaria para recolocar as contas públicas no devido equilíbrio.

Os funcionários públicos que estão na base da pirâmide, usados a troco de algumas migalhas para ajudar a encobrir o que se passa na parte de cima, sabem perfeitamente o que acontece e deveriam ser os primeiros a cobrar, simplesmente, que a moralidade seja colocada de volta no seu devido lugar.

De outra forma, as promessas e os discursos, alguns talvez até nem intencionados, continuarão sendo não mais que palavras ao vento.

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