Sem tempo para esperar

3 de fevereiro de 2024 às 5h02

img
Crédito: Adobe Stock

Nos Estados Unidos mais um passo adiante parece ter sido dado para imposição de limites às plataformas multimídias que operam as principais redes sociais de alcance global. Estamos falando da audiência realizada na última quarta-feira no Congresso, em Washington, quando foram ouvidos dirigentes das cinco empresas conhecidas como big techs. Um encontro inédito por seu alcance, pelo fato de congregar em torno de uma mesma ideia democratas e republicanos e pela contundência do interrogatório, deixando transparecer que, em havendo coerência, haverá também consequências. “Pode não ser intencional, mas os senhores têm as mãos manchadas de sangue”, disse um dos senadores.

A audiência tinha alvo específico as questões relacionadas com a exposição e riscos a que estão sujeitas crianças e adolescentes, tendo sido apontados casos de suicídios e overdose em que o conteúdo das redes pode ser apontado como indutores de episódios indesejados. Diante do exposto, admitiu-se que os mecanismos de monitoramento das redes podem ter falhado, pelo que Mark Zuckerberg, criador e diretor do Facebook chegou a pedir desculpas à plateia onde se encontravam familiares de algumas das vítimas. As discussões foram além desse tipo de exposição indevida, com a conclusão geral de que a legislação que regula a comunicação social deve ser modificada para que as redes possam ser responsabilizadas sem que regulamentação e controle sejam entendidos como dano à liberdade de expressão.

A crescente pressão internacional para que as plataformas que encontraram abrigo e solo fértil na internet não prossigam fora de controle, situação que se agrava com a tecnologia da chamada inteligência artificial, precisa e deve ser mais claramente percebida no Brasil. Essencialmente para que exista compreensão e conhecimento com relação aos riscos envolvidos, que chegam a ameaçar a organização social e política tal como a conhecemos. Deter esse processo é, portanto, questão impositiva em defesa de valores que são intrínsecos à democracia, nunca o contrário como uma minoria tenta fazer crer, prosseguindo com um tipo de manipulação que não pode ser aceito.

Resumidamente, foi disso que se ocuparam na quarta-feira passada senadores estadunidenses. Caminha-se dessa forma na mesma direção que já é trilhada, alguns passos à frente, por países europeus. A nós brasileiros só cabe observar, ouvir e aprender.

Tags:
Facebook LinkedIn Twitter YouTube Instagram Telegram

Siga-nos nas redes sociais

Comentários

    Receba novidades no seu e-mail

    Ao preencher e enviar o formulário, você concorda com a nossa Política de Privacidade e Termos de Uso.

    Facebook LinkedIn Twitter YouTube Instagram Telegram

    Siga-nos nas redes sociais

    Fique por dentro!
    Cadastre-se e receba os nossos principais conteúdos por e-mail