A siderurgia pede socorro

31 de janeiro de 2024 às 5h00

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Crédito: Divulgação/Elvira Nascimento

A semana que começou com o lançamento do programa de recuperação da indústria nacional, terminou com o anúncio de que a Usiminas pode apagar mais um alto-forno, o que significa operar com apenas um dos três que mantém na Usina Intendente Câmara, em Ipatinga. A empresa reiterou que não tem como suportar a concorrência do aço chinês, que chega ao país em quantidades crescentes e preços subsidiados. A empresa, que promete abrir esta semana ação de dumping contra a China e assegura que as irregularidades nas importações denunciadas estão fartamente documentadas, reclama que a taxa de importação seja elevada de 9,6% para 25%, expediente que alguns países produtores adotaram faz tempo.

Vale recordar que a siderurgia foi o ponto de partida, o alicerce por assim dizer, do ciclo de modernização e expansão da indústria brasileira, em meados do século passado, justamente com a implantação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) em Volta Redonda, no Rio de Janeiro. Na sequência foram implantadas a própria Usiminas, além da expansão da antiga Belgo Mineira, hoje Arcelor, e a Açominas, agora uma das unidades do grupo Gerdau. A produção total de aço no País gira em torno de 10 milhões de toneladas/ano, volume estagnado nos últimos 30 anos. Nesse mesmo período a China saltou de posição quase equivalente para 60 milhões de toneladas/ano, liderando a produção global numa competição que tem se revelado absolutamente desequilibrada.

Se o Brasil deseja, de fato e conforme anunciou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na segunda-feira passada, devolver o futuro ao seu parque industrial será crucial garantir ao setor siderúrgico condições de competir, inclusive de forma global. Os produtores de aço, que continuam representando o alicerce do parque industrial, congelaram seus investimentos e agora, se a situação não mudar, poderão ser levados à contingência do desinvestimento. Há que guardar coerência entre o que foi prometido no início da semana e a realidade desnudada na sexta-feira.

O assunto não é novo tanto quanto são antigas as advertências e demandas da Usiminas, maior produtor nacional, e das demais empresas. A realidade é conhecida, tanto quanto o imobilismo do governo federal, que parece preferir não arranhar suas relações com o maior parceiro comercial do País, mesmo diante de riscos das proporções reveladas e nunca contestadas. É preciso enxergar o que se passa e reagir para garantir que os interesses nacionais não sejam atingidos, como que se o programa de reindustrialização fosse apenas um tiro na água.

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