Efeitos de uma guerra mundial nuclear

20 de setembro de 2019 às 0h06

José Eloy dos Santos Cardoso*

Uma guerra atômica entre os Estados Unidos, a China, a Rússia e outros países que possuem um arsenal atômico não interessaria a ninguém. O que restaria do mundo depois de uma hecatombe nuclear?

O que pode ficar claro é que o mundo inteiro não acabaria, mas, o que restasse depois, provocaria impactos devastadores em qualquer lugar do mundo que ainda estivesse de pé. Em 1975, estive a serviço no Japão, onde conheci 15 cidades que se reergueram depois da Segunda Guerra Mundial através da implantação de áreas industriais aptas a receber micro, pequenas, médias e grandes empresas.

Estive também em Hiroshima e Nagasaki onde caíram as duas históricas bombas atômicas. Em Hiroshima, existe até um museu que é o “A Bomb Dome”, que demonstra por imagens o que restou daquela cidade depois da explosão nuclear. Em Nagasaki, onde caiu a outra bomba, o efeito foi menor por causa da topografia da cidade. Como essa bomba atômica é jogada a 500 metros do solo para poder propagar seus efeitos, uma topografia montanhosa como Nagasaki o efeito devastador é muito menor.

Nesta cidade a bomba teve o objetivo de destruir o poder naval japonês. É lá que foram construídos os navios que faziam parte da frota naval do Japão. Como parte do poder naval dos Estados Unidos estava localizado no Havaí naqueles anos, os aviões japoneses destruíram boa parte da força naval norte-americana que estava lá estacionada.

Foi em represália a esse ataque japonês de surpresa que os Estados Unidos tentaram destruir a indústria naval nipônica por meio de outra bomba atômica que, apesar de também produzir grandes estragos para aquele país, seu efeito foi menor do que o efeito Hiroshima.

O exemplo do Japão foi apenas uma demonstração que o poder nuclear em um conflito não interessa a ninguém. Sem tirar ninguém e nenhum país do mundo, tanto vencedores quanto perdedores sofrerão todas as consequências que vierem depois de uma guerra nuclear. Por enquanto e para satisfação do mundo, uma possível guerra nuclear fica só nas ameaças, seja dos Estados Unidos, Rússia, China, Irã, Índia e outros países que já possuem a tecnologia nuclear.

O que é difícil é se provar hoje se as ameaças nucleares são verdadeiras ou não. O poder nuclear não fica só entre os conhecidos países e a Coreia do Norte já entrou nessa história e não podemos conhecer até onde seu poder pode chegar.

Quanto ao restante do mundo como o Brasil, é quase impossível se conhecer na realidade quais seriam as consequências. Se os Estados Unidos fossem “vencedores”, as consequências seriam uma. Se os vencedores fossem a China, Índia, Rússia e outros mais, as consequências seriam outras. A humanidade inteira espera que isso não venha acontecer, mas as ganâncias e obstinações de dominar o mundo não terminam por aqui.

Resta tentarmos adivinhar quais seriam os ganhadores e perdedores. Todos, sem exceção, irão pagar por essa aventura. Parte do mundo ainda não conseguiu aprender as lições de Nagasaki e Hiroshima.

*Economista, professor e jornalista

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