Inovação britânica, DNA mineiro

6 de julho de 2018 às 0h00

No mês de junho, Londres celebrou, por mais um ano, sua semana de tecnologia: a London Tech Week, que recebeu visitantes de mais de 90 países para aproveitar um verdadeiro festival de eventos, debates e networking voltado para grandes tendências tecnológicas, inovação e desafios para empreendedores. Em meio a mais de 55 mil pessoas, tivemos também nossa maior missão vinda da América Latina até hoje, com mais de 60 empresas. Destas, quase metade foram brasileiras, e muitas delas mineiras, as quais tive o prazer de acompanhar. Além das empresas, também tivemos atividades com o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços do governo federal e com o prefeito de São Paulo, Bruno Covas. O Reino Unido tem tradição histórica de parceria e colaboração com Minas Gerais em áreas como indústria, pesquisa, inovação e cultura. Isso se estende desde 1834, época do estabelecimento da Saint John dEl Rey Mining Company em Nova Lima, que contribui muito para o desenvolvimento do setor minerário do Brasil. Atualmente, presenciamos um fluxo inverso de investimento e inovação muito interessante de empresas mineiras se estabelecendo no Reino Unido como parte dos seus planos de internacionalização. O CEO da SalaryFits, uma fi ntech mineira com sede em Londres, Délber Andrade Gribel Lage, comenta que o Reino Unido tem amplo mercado, facilidade de fazer negócios e incentivos para internacionalização, além de acesso às grandes empresas globais. Para Janayna Bhering Cardoso, CEO da SafeTest Diagnósticos, participante da missão, o Reino Unido se torna um destino atrativo pela ampla oportunidade de mercado, estímulo ao desenvolvimento de negócios, elevada qualidade de vida, fácil acesso a capital humano de alta qualidade e incentivos fiscais. O setor de tecnologia digital do Reino Unido vale 185 bilhões de libras. Em 2016, a economia digital do país foi a que mais recebeu investimentos na Europa – 6,8 bilhões de libras –, três vezes mais que o segundo colocado, a França. No segmento de biotecnologia, o Reino Unido só fica atrás de São Francisco e Boston para atração de investimento, levantando 1,13 bilhão apenas em 2016. Esse volume financeiro elevado foi um ponto de destaque para João Paulo Zica Fialho, CEO e fundador da Raja Valley e Raja Ventures, outro participante mineiro da missão. No Reino Unido, estamos muito cientes que o país não precisa apenas acompanhar a transformação tecnológica, mas também ser protagonista. Um dos destaques da programação da London Tech Week foi o Brazil Tech Day, na Embaixada Britânica, organizada pela SP Negócios. Durante o evento, Tom Salmon, CEO da The Bakery, uma aceleradora de inovação para grandes empresas, comentou com entusiasmo as oportunidades em Minas Gerais, especificamente pelo trabalho que a aceleradora tem feito com o governo do Estado, com a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e com a Usiminas. Eu também vejo com muita satisfação o grande salto tecnológico no Estado, e isso vai mudar o rumo da economia mineira, podendo fomentar uma inserção muito maior da região na economia global. Os laços entre nossos países em tecnologia têm ganhado força este ano também em outras frentes. Em março, na UFMG, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) e o Escritório de Propriedade Intelectual do Reino Unido (Ukipo) lançaram no Brasil o Lambert Toolkit, um instrumento desenvolvido pelo governo britânico para facilitar acordos de cooperação para desenvolvimento e transferência de tecnologia entre universidade e empresa. No segundo semestre, durante a Feira Internacional de Negócios, Inovação e Tecnologia (Finit) em Belo Horizonte, que acontece em novembro, teremos um evento importante voltado para a presença das mulheres na tecnologia. No mundo da diplomacia, respeitamos estruturas de governo, acordos de comércio, e apesar das fronteiras que separam nações, o mundo tecnológico tem demonstrado uma alta capacidade de derrubar barreiras, levando oportunidades globais para os negócios. Tudo que tenho vivenciado desde a inauguração do Consulado Britânico de Belo Horizonte em 2015 me faz acreditar que Minas Gerais e Reino Unido são parceiros naturais para o desenvolvimento tecnológico e, quando agimos juntos, existem benefícios para ambos lados. Não faltam exemplos para demonstrar isso. Na semana passada, visitei a Oxis Energy em Oxfordshire, na Inglaterra, uma empresa britânica de baterias a base de lítio que recebeu investimento do Fundo Aerotec, da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig). Essa, de fato, é uma oportunidade transformadora para os setores de energia e transporte, e mais uma vez temos nossos países se posicionando com pioneirismo. Entre outras inciativas inspiradoras, esse ano vi em primeira mão as fundadoras da Biomimetic darem o salto para sua startup ser acelerada em Londres, levando para o mundo as suas inovações nascidas nos laboratórios de biomateriais e polímeros do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG). Estamos vivenciando um momento único para aprofundar os laços entre as economias do Brasil e do Reino Unido, o que cria a oportunidade para que brasileiros e britânicos, juntos, trabalhem para inovar e empreender com sucesso, impactar a sociedade de maneira positiva e trazer prosperidade para nossos respectivos países. *Cônsul britânico para Belo Horizonte

Tags:
Facebook LinkedIn Twitter YouTube Instagram Telegram

Siga-nos nas redes sociais

Comentários

    Receba novidades no seu e-mail

    Ao preencher e enviar o formulário, você concorda com a nossa Política de Privacidade e Termos de Uso.

    Facebook LinkedIn Twitter YouTube Instagram Telegram

    Siga-nos nas redes sociais

    Fique por dentro!
    Cadastre-se e receba os nossos principais conteúdos por e-mail