Internet das Coisas: o futuro do agronegócio

30 de outubro de 2020 às 0h12

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Crédito: DJI-Agras por Pixabay

Laura Cançado Maakaroun*

A tendência global de investimentos em tecnologias de informação e comunicação para cadeias de produção desperta cada vez mais o interesse do mercado, em especial do agronegócio. Nesse contexto, a Internet das Coisas (IoT, do inglês Internet of Things) é o segmento responsável pelo estudo e desenvolvimento de objetos, sistemas e programas ligados a sensores, softwares e coleta e tratamento de dados.

Apesar de relativamente recente, a IoT já é regulamentada em nível federal pelo Decreto 9.854/2019, que instituiu o Plano Nacional de Internet das Coisas. Um dos objetivos desse plano é, precisamente, o de “incrementar a produtividade e fomentar a competitividade das empresas brasileiras desenvolvedoras de IoT, por meio da promoção de um ecossistema de inovação neste setor”.

Dessa forma, a IoT é verdadeiramente um novo conjunto de oportunidades de geração de valor, traduzidas em negócios, conteúdos e serviços. Segundo pesquisa realizada em 2019, nos próximos anos a Internet das Coisas será relevante para 76% das empresas no Brasil, com destaque para o setor do agronegócio (Logicalis, IoT Spnapshot 2019).

Atualmente, a IoT vem sendo utilizada no agronegócio para integração de etapas industriais, com sensores inteligentes para automatizar a troca de informações, a proteção, o monitoramento e o aumento do grau de precisão de processos produtivos. A título de exemplo, já é frequente a utilização de sensores na agricultura de precisão e na agricultura digital, e de sistemas integrados como a rede Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), com otimização e geração de valor para o processo produtivo.

A IoT também pode ser usada para adequar a empresa à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e aos atos normativos da Anatel, na medida em que automatiza a coleta e transmissão de dados. Aliando competitividade e inovação, a IoT desponta como ferramenta importante para alavancar a produtividade no campo e a relevância do Brasil no comércio mundial de produtos agropecuários, facilitando procedimentos diários de produção e industrialização.

A pandemia da Covid-19 trará mudanças comportamentais e procedimentais na cadeia produtiva do agronegócio. O Brasil, como fornecedor global de alimentos, estará diante de novos e mais rígidos parâmetros de segurança alimentar global, situação em que sistemas de IoT, com seus protocolos de segurança e padronização de procedimentos, poderão ser fator decisivo de sucesso nos negócios.

Nesse cenário, ganha força o Plano de Ação do Estudo de Internet das Coisas, desenvolvido pelo BNDES em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, que visa, dentre outros, aumentar a produtividade e a relevância do Brasil como exportador de produtos agropecuários de elevada qualidade e posicioná-lo como o maior exportador de soluções de IoT para agropecuária tropical. Para tanto, são propostas iniciativas de aprimoramento dos eixos de capital humano, inovação e inserção internacional, infraestrutura de conectividade e interoperabilidade, e regulação de segurança e privacidade.

A inclusão da Internet das Coisas nos processos produtivos do agronegócio brasileiro está em franca expansão. O setor é uma das áreas de interesse destacadas no Plano Nacional de Internet das Coisas e no Plano de Ação do BNDES. A implantação de tecnologias de IoT será fundamental para atender as exigências que resultarão da Covid-19, como o enrijecimento de políticas sanitárias e instauração de novos protocolos de segurança alimentar.

Portanto, terão mais competitividade as empresas que conhecerem a regulamentação e aplicarem os procedimentos da IoT no setor rural, seja da perspectiva de modernização e inovação dos processos produtivos, seja da perspectiva de fomentos de natureza fiscal e regulatória.

*Advogada do Lima Netto Carvalho Abreu Mayrink Sociedade de Advogados laura.maakaroun@limanetto.adv.br

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