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Flávia Neves Tomagnini*

O home office sempre foi pauta de infinitas discussões relacionadas a modelo de gestão de negócios e de pessoas, mas ainda persistiam sobre ele inúmeros tabus: o funcionário vai produzir de casa como produz no escritório?

Ele vai respeitar a integralidade da jornada de trabalho? Vai seguir as normas e diretrizes da empresa, mesmo fora do alcance da vigilância do gestor? A segurança sobre a estratégia, sobre as informações confidenciais e dados da empresa ficará vulnerável? Como garantir a observância dos fluxos, processos e procedimentos adequados e, assim, prevenir fraudes e desvios de conduta?

Acontece que a pandemia do novo coronavírus chegou de forma avassaladora e, com ela, a necessidade visceral de alocação imediata e urgente do modelo de home office, como forma de sobrevivência das empresas.

As companhias se mobilizaram para adquirir e implementar as tecnologias, insumos e ferramentas para a viabilização do home office e agora – que ele se firmou não apenas como uma realidade, mas, principalmente, como um imperativo para a continuidade da maioria dos negócios – chega o momento para se focar nas respostas e soluções aos questionamentos que sempre permearam esse modelo de trabalho.

É interessante notar que todos os obstáculos e dificuldades levantadas para a implantação do home office envolvem, em algum grau, os aspectos sensíveis e caros ao compliance, principalmente no que se refere à conduta dos funcionários, à prevenção a desvios fraudulentos e à proteção dos dados e informações confidenciais das empresas.

O compliance se apresenta, portanto, como uma importante ferramenta estratégica hábil a prevenir e mitigar os riscos relacionados ao modelo home office, garantindo, assim, o sucesso do resultado operacional, financeiro e reputacional das empresas.

Essa importância fica patente quando se observa a implantação do modelo de trabalho remoto por uma empresa com um programa de compliance maduro, que possui uma cultura de integridade sólida.

Isso porque apenas uma organização com uma cultura de compliance muito bem solidificada e disseminada é capaz de transcender às limitações das barreiras físicas de suas instalações e influenciar o comportamento ético dos funcionários em suas casas.

Por outro lado, para mapear os novos riscos do modelo de trabalho a distância e, então, desenhar os respectivos fluxos de controle, é imprescindível que a empresa tenha uma matriz de gerenciamento de riscos e de monitoramento de processos estruturado e eficiente.

Não bastasse, o compliance se presta, ainda, como uma poderosa ferramenta de gestão organizacional, — através de treinamentos, comunicações, investigações e edição de novas políticas -, que, adaptados à nova realidade, é capaz de reforçar ao colaborador que as regras de integridade e conduta da empresa continuam valendo, mesmo quando o escritório é dentro de casa.

Assim, o compliance, que já vinha provando, há algum tempo, seu valor estratégico nas organizações brasileiras, coloca as empresas que investiram na sua implantação em outro patamar de amadurecimento, robustez e segurança, no que tange ao home office, na medida que garante a integridade, a eficiência e a conformidade desse formato de trabalho.

Aliás, esse modelo de negócio de home office, que, ao que tudo indica, está se tornando uma tendência irreversível e vem se mostrando uma ótima alternativa para otimização de custos, somente terá êxito se vier intrinsicamente acompanhado dos componentes do compliance.

Por tudo isso, a conclusão que se chega é que nunca foi tão urgente à sobrevivência das empresas a implantação de um programa de compliance.

*Executiva jurídica e Compliance Officer na AeC Contact Center