Um aeroporto à altura do Brasil Central

18 de agosto de 2021 às 0h10

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Crédito: Divulgação / DEER-MG

Um novo tempo se avizinha para a logística brasileira com o avanço para a reta final dos leilões em bloco dos aeroportos. O atual modelo se mostra mais aprimorado em relação àqueles adotados anteriormente, ao equilibrar investimentos entre grandes, médias e pequenas estruturas aeroportuárias e destravar a capacidade empreendedora nacional. Em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, comemoramos, finalmente, o Aeroporto Tenente Coronel Aviador César Bombonato, que parecia relegado à estagnação por décadas, ganhará a visibilidade pela qual tanto lutamos.

O Aeroporto de Uberlândia, junto ao terminal Santos Dumont (RJ), está inserido na 7ª e última rodada de concessões aeroportuárias – a joia da coroa para impulsionar o setor no Brasil. Com o recente aval para estudos técnicos, certamente emergirá o potencial uberlandense como epicentro da carga aérea e operação multimodal. Entretanto, é preciso fazer jus à história e relembrar o árduo caminho percorrido para atrelar o espaço ao principal projeto de concessão federal.

Nos meus dois primeiros mandatos como prefeito de Uberlândia (2005 a 2012), trabalhamos muito para garantir a contínua modernização do terminal. Executamos obras para melhoria de acesso, preservamos a integridade do entorno do sítio, concretizamos a doação de uma área de mais de 310 mil m² à Infraero. Infelizmente, em 2017, no meu retorno à Prefeitura, encontramos um cenário desolador. Não havia qualquer previsão concreta de ampliação do espaço que, àquela altura, já era o segundo maior em movimentação de Minas Gerais e o 3º de toda a região do Brasil Central.

Sem perda de tempo, retomamos o diálogo com autoridades públicas e o meio empresarial para construir estratégias e buscar apoio nas esferas estadual e federal. Não foram raros os envios de ofícios e encontros técnicos. Precisávamos demonstrar a relevância do nosso aeroporto.

Em 2018, pleiteamos à Secretaria Nacional de Aviação Civil a condução, por meio do Município, um processo de concessão pública – o que vimos, à época, ser a solução mais efetiva para alçarmos ao século 21 uma estrutura desfasada, datada da década de 1970. A ideia sempre foi a de capitalizar nossa privilegiada localização geográfica e consolidada posição de polo logístico brasileiro, com destaque para o entroncamento rodoferroviário aqui existente (BRs 452, 365 e 050 e ramais da Ferrovia Centro Atlântica).

Fomos surpreendidos, então, com a tentativa da Infraero de conceder à esfera privada apenas o segmento de cargas do terminal, ignorando a necessária otimização de todo o sítio.  Mais uma vez, no limite da nossa competência institucional, tivemos que agir: acionamos o Tribunal de Contas da União (TCU) para apontar as incoerências constatadas.

Logo após, felizmente, foi possível ao governo federal enxergar as teses que defendíamos. Não à toa a Infraero lançou processos licitatórios que, até 2019, resultaram na ampliação do embarque e desembarque e em melhorias na pista. No mesmo ano, participei do anúncio do investimento de R$ 30 milhões para duplicar a capacidade do terminal para 3 milhões de passageiros, cujas obras estão em andamento. Ali se consolidava, com o nosso auxílio, o pavimento para que o aeroporto fosse incluído na mais importante rodada de concessões, prevista para 2022.

Temos na cidade um sítio vocacionado ao uso intenso de passageiros e cargas, na aviação executiva, e com enorme oportunidade para se constituir em centro de despacho de cargas de alto valor agregado. Ainda há espaço para mais centros de manutenção de aeronaves de pequeno e médio porte, bem como a possibilidade de operação de um aeroporto-indústria com área aduaneira destacada.

Seguimos trabalhando e o que nos move é a sólida convicção de que Uberlândia está pronta para contribuir de fato com o fortalecimento do setor aeroportuário brasileiro, em uma competição sadia, sem abrir mão da visão macro do que é estratégico para o município, o estado e o país. O céu não será nosso limite, será nosso futuro!

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