Codemge lança hoje edital para o Parque das Águas

Objetivo é privatizar gestão para viabilizar R$ 20 milhões em investimentos e economia de R$ 120 milhões aos cofres públicos

9 de agosto de 2022 às 0h26

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O Parque das Águas, hoje de propriedade da Codemge, está necessitando de investimentos | Crédito: Divulgação

A Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge) lança hoje o edital de concessão do Parque das Águas Dr. Lisandro Carneiro Guimarães, situado no centro de Caxambu, no Sul de Minas. De acordo com o diretor-presidente da entidade, Thiago Coelho Toscano, a concessão visa garantir melhorias na manutenção estrutural e investimentos atrativos. Dentre as metas, o edital prevê R$ 20 milhões em investimentos e consequentemente uma economia em torno de R$ 120 milhões ao longo da concessão.

“O Parque das Águas é hoje um ativo turístico de propriedade da Codemge, e que está necessitando de investimentos. O ponto é que, atualmente, o parque gera prejuízo anual de cerca de R$ 4 milhões”, informa Toscano.

Em entrevista ao DIÁRIO DO COMÉRCIO, o diretor-presidente da Codemge detalhou que o parque, reconhecido pelo seu valor histórico e cultural para o Brasil, sofre deterioração. “Hoje, se alguém for ao parque, logo, perceberá que as fontes e outros equipamentos precisam de um restauro. E, trata-se de um parque maravilhoso. Um parque que é único no mundo. Não tem outro lugar que possua 12 fontes de águas com características diferentes”.

O edital de concessão prevê ainda a prestação de gestão, operacional e manutenção preventiva e contínua, assim como a execução de obras e serviços de engenharia. O Conjunto Arquitetônico compreende ainda a exploração de um balneário hidroterápico e de equipamentos que incluem piscina, saunas, duchas e banheiras. “Queremos que o parque seja um local que proporcione saúde e bem-estar à população e aos turistas. O propósito é como se fosse um grande spa com diversas atividades, dentre elas, as práticas de ioga e tai chi chuan para fortalecer o turismo”.

O diretor de gestão de ativos e mercado da Codemge, Sérgio Lopes Cabral, explica que o edital mira uma gestão totalmente privada, mas a companhia estatal continuará sendo a responsável pelo Direito Minerário. “Prevemos uma ordem de investimentos de R$ 11 milhões, que deve seguir com as obras iniciais em até 2 anos. Já as fontes requerem um tempo maior para a conclusão das reformas de todas as 12 existentes”. O prazo de vigência do contrato será de 30 anos.

Até o momento, todas as necessidades de intervenções dentro do parque necessitam do lançamento de licitação pública, o que pode provocar lentidão dos processos. “No passado, tentamos licitar esse parque para a prefeitura, mas acontece que ela tem esse mesmo problema que a gente, ou até pior. Então, o parque voltou para a Codemge, em um estado muito grande de deterioração. Então, a nossa ideia foi fazer essa concessão, pois quanto se tem uma administração privada, ele vai ficar mais preocupado em querer ter, criar cada vez mais atrativos turísticos”, analisa Toscano.

Ao todo o parque possui 210.000 m², com todas as fontes abastecidas de águas minerais terapêuticas. O espaço ainda possui ampla área verde, estabelecimentos de alimentação, coreto, esculturas e elementos paisagísticos. Há ainda um complexo esportivo com quadras de tênis de saibro, quadras de vôlei tradicional e de areia, pista de cooper, área de piquenique, piscinas de água mineral adulta e infantil, vestiários, ringue de patinação e playground. Com a concessão, as expectativas é que o destino tenha um salto de 120 mil visitantes ao ano para uma média de 300 mil.

“A gente espera que quando este (gestor) privado vier, ele faça não só a gestão, afinal ele vai ser obrigado o tempo inteiro a manter o bom estado de conservação do parque. Mas, que ele trabalhe Caxambu como um destino turístico. Teremos sim as necessidades de obras de adequação das fontes, das lanchonetes, e demais pontos que demandam essa reforma. Porém, o objetivo é criar um contexto turístico de visibilidade para que o turista fique mais tempo na cidade”, reforça Toscano.

Com a concessão, o parque terá entrada gratuita diariamente entre 7h e 9h para que a população possa buscar água, costume antigo de quem vive em Caxambu. Nos demais horários, a entrada será paga para quem for visitar o local. “O parque continuará sendo público, porém com gestão privada, ou seja, reduzindo ao máximo os gastos públicos”, conclui Cabral.

Saiba mais sobre o Parque das Águas de Caxambu

Denominada a maior estância hidromineral do mundo, o parque é tombado municipalmente e também pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha). As fontes existentes no local possuem fama de milagrosas e já atraíram, em 1868, a visita ilustre da Princesa Isabel.

A filha do então imperador do Brasil, Dom Pedro II, teria ido ao Parque das Águas de Caxambu em busca de cura para tratar a sua infertilidade. Graças ao episódio, várias fontes foram batizadas com nomes de membros da família imperial.

Encomendado pela Codemge, um estudo realizado em 2019 no local identificou que toda a água mineral que abastece as fontes do parque é proveniente de um acúmulo de 30 mil anos de chuvas. 

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