Carteira de motorista tem reajuste de 22,5%

Aumentos nas taxas do Detran e no preço dos combustíveis estão entre os principais motivos para o encarecimento da habilitação

3 de fevereiro de 2022 às 0h30

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Crédito: Alisson J. Silva/Arquivo DC

O início de um novo ano pode esfriar os planos daquelas pessoas que tinham como meta a carteira de habilitação. Em Minas Gerais, os alunos matriculados em Centros de Formação de Condutores (CFCs) devem pagar 22,5% a mais até conquistar o documento, conforme afirma o Sindicato dos Proprietários de Centro de Formação de Condutores de Minas Gerais (SIPROCFC-MG). 

Esse aumento, segundo o presidente do Sindicato, Alessandro Dias, consiste na atualização das taxas tabeladas do Departamento Estadual de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG) e reajustes que ocorreram nas autoescolas de todo o Estado, impulsionados, principalmente, pelos valores dos combustíveis. 

“Os Centros de Formação não praticam reajustes gerais, porque não há uma regulação específica sobre o setor. Apesar disso, as autoescolas estão praticando valores parecidos, porque elas também pagam valores reajustados, como é o caso da renovação do alvará. Ao longo de 2021, tivemos uma série de reajustes que impactaram no aumento dos custos. E é impossível você absorver sozinho o reajuste dos combustíveis, por exemplo”, afirma Alessandro. 

Inflação generalizada

Mas o preço dos combustíveis não foi o único vilão da história. Carros populares utilizados nas aulas de práticas de direção veicular também tiveram uma parcela significativa de contribuição para o encarecimento da carteira de habilitação.

Ainda de acordo com o presidente do SIPROCFC-MG, um carro que, ao final de 2020, custava R$ 42 mil, hoje é encontrado no mercado por R$ 60 mil. Essa experiência relacionada ao valor de um automóvel novo para equipar o centro de formação também foi percebida pelo diretor de ensino da autoescola Futura, Marlon Pereira Assis, que tem atuação em Belo Horizonte.

“A inflação para os centros de condutores foi um baque para os Centros de Formação de Condutores. Peças, pneus, o kit de viagens que é bastante desgastado em nosso segmento, trouxeram um impacto muito grande sobre os valores. E a alta do valor dos combustíveis foi um fator preponderante para os reajustes que ocorrem em nossa autoescola”, conta Marlon.

O diretor de ensino lembra, ainda, que na autoescola Futura, entre 75% e 80% dos veículos são movidos a etanol, um combustível que custava R$ 2,70 antes da pandemia da Covid-19 e que hoje é encontrado por R$ 5,27 na região de atuação do Centro de Formação de Condutores. 

De acordo com o presidente do SIPROCFC, Alessandro Dias, mesmo frente à alta do etanol e da gasolina no ano passado, o gás natural veicular não é uma alternativa atrativa para as autoescolas. Em todo o Estado, conforme dados do Sindicato, existem 1.820 Centros credenciados para o funcionamento, em 600 municípios. E, apesar da presença em quase todos os municípios com mais de 10 mil habitantes, apenas 20 cidades contam com abastecimento direto de gás natural, o que é considerado uma das desvantagens para a adoção da alternativa.  

Queda na demanda

Além dos fatores intrínsecos ao dia a dia dos Centros de Formação de Condutores, as chuvas no Estado também podem afetar os resultados no mês de janeiro de 2022. Alessandro Dias pondera que desde 2015 o setor registra reduções e esse pode ser um dos piores meses na série histórica. 

“Nós temos autoescolas em Itabirito, por exemplo, que até hoje não se recuperaram das chuvas. Os três Centros do município foram inundados e ainda estão tentando retornar à normalidade. Em Governador Valadares, que recebeu as chuvas da Bacia do Rio Doce, também registramos prejuízos nos Centros de Formação”, conta o presidente do Sindicato. 

Em contrapartida à paralisação inicial de 70 dias relatada pelo diretor de ensino da autoescola Futura, Marlon Pereira Assis, ele ressalta uma oportunidade em meio ao inesperado: “tirar a habilitação demanda tempo. E muitas pessoas que começaram a trabalhar remotamente tiveram a chance de conciliar o emprego com a carteira de motorista”, aponta. 

Valores médios

De forma geral, o presidente do SIPROCFC afirma que, no ano passado, uma pessoa gastava em média R$ 2.000,00 para tirar a carteira de motorista . Agora, o valor deve ser de R$ 2.450, valor que pode variar entre a categoria pretendida e o número de tentativas nos exames de direção.

Já para aqueles que pensam em investir na autoescola enquanto negócio, o presidente lembra que os custos iniciais giram em torno de R$ 300 mil, já que há frota mínima de veículos estabelecida para o centro de formação, além de salas de aula e banheiros adaptados e equipe própria também previstas legalmente.

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