CCBB BH abre exposição inédita de Hélio Oiticica

“Delirium Ambulatorium” fica em cartaz até 5 de fevereiro de 2024, com visitação gratuita de quarta a segunda-feira

6 de dezembro de 2023 às 0h06

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Crédito: Diego Bressani

Uma exposição inédita de Hélio Oiticica, artista brasileiro que marcou a história da arte mundial com seu trabalho potente e performático, será aberta hoje no Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH). “Delirium Ambulatorium” apresenta instalações, pinturas, esculturas e manifestações que influenciaram gerações de artistas plásticos, músicos e pensadores. A exposição fica em cartaz até 5 de fevereiro de 2024, com visitação gratuita de quarta a segunda-feira, das 10h às 22h.

Com curadoria do pesquisador Moacir dos Anjos, a mostra abrange o trabalho de Oiticica desde os anos 1950, o período radicado em Nova York, até suas últimas produções nos anos 1970.

“Delirium Ambulatorium”(1978), obra-conceito de Oiticica que dá nome à exposição, é um misto de proposição e performance, um “estado de invenção”, que coloca no centro de suas atenções a ideia de deambular na cidade como estopim crucial da invenção artística. A exposição apresenta o artista por meio de um dos últimos movimentos de sua trajetória. 

“Talvez esta seja a expressão mais radical da tentativa do artista de quebrar as distinções entre ateliê e rua, e, principalmente, entre artista e público, acionando o segundo como participante na atividade criadora e instaurando uma forma de expressão genuinamente disseminada e coletiva”, afirma o curador.

Instalada nas galerias do 3º andar e no pátio central do CCBB Belo Horizonte, a mostra extrapola as barreiras dos espaços expositivos convencionais e convida os visitantes a vivenciar as obras de Oiticica com todos os seus sentidos e, assim, honrar o artista que uma vez disse: “O museu é o mundo”. O acervo demonstra a complexidade do pensamento do artista e a sua afiada percepção da identidade brasileira.

Neoconcretismo

A mostra traz produções de Oiticica inseridas no contexto do neoconcretismo, como na série “Bilaterais” (placas de madeira recortadas em formas irregulares, pintadas de uma única cor e suspensas no espaço); os “Relevos Espaciais”(semelhante aos anteriores, mas com volume); os “Núcleos” (placas pintadas, quadradas ou retangulares, penduradas do teto de modo a criar espaços de cor); os “Penetráveis” (cabines feitas de planos de madeira pintada que podem ser adentradas); e os “Bólides” (objetos feitos de materiais variados que servem de depositário para outros tantos, destacando a fisicalidade da cor no mundo).

Os metaesquemas partem de formas geométricas (como as primeiras obras de Oiticica), constituídas agora por cores mais sólidas, organizadas de maneira cada vez menos homogênea na superfície. Quase como um desdobramento, os monocromáticos sobrepõem forma e suporte, possuem apenas uma cor que ocupa toda a superfície, evidenciando o formato retangular do papel como uma das formas geométricas da pintura. Esses são os últimos trabalhos dele a se relacionarem com a parede.

A mostra também traz os famosos parangolés, invenção do artista, fruto de suas andanças pela capital carioca e pelo Morro da Mangueira. São “capas protesto”, como eram chamadas por Oiticica, carregadas de adornos e frases-lema, como “da adversidade vivemos”, “incorporo a revolta” e “estamos famintos”.

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