“Fred & Laura” chega à Sala Juvenal Dias

Com trilha embalada pelo jazz, o espetáculo traz drama e comédia, além de uma reflexão sobre relacionamentos

31 de janeiro de 2024 às 5h09

img
Crédito: Alexandre Hugo

O premiado “Fred & Laura”, da Plataforma Ato Junto, entra em cartaz na 49ª Campanha de Popularização do Teatro e da Dança de Belo Horizonte. Embalado por canções de jazz das décadas de 1940 e 1950, o espetáculo mergulha na vida de dois jovens que saem da casa dos pais para perseguirem seus próprios sonhos. A direção é do ator e diretor paulistano Thomaz Cannizza. No elenco, Bernardo Rocha, Igor Fonseca, Malu Falabella, Marina Tadeu e Thomaz Cannizza. As apresentações acontecem hoje, amanhã e sexta-feira (2), às 19h, e no domingo (4), às 18h, na Sala Juvenal Dias do Palácio das Artes. Os ingressos custam R$25 nos postos do Sinparc, no site e aplicativo Vá ao Teatro, ou na bilheteria do teatro. 

“Sete anos já. Vamos chegar também ao marco de mais de 40 apresentações. Sabe-se lá quantos espectadores até hoje! Me deixa feliz perceber que o espetáculo envelheceu bem”, comenta Thomaz Cannizza. Segundo o ator, a comédia costuma sofrer com a passagem de tempo, ficar datada, antiquada ou até mesmo ofensiva. “Toda temporada é uma conquista. Estrear é fácil, o difícil é continuar”, afirma.

Desde a primeira apresentação, o trabalho sobrevive sem patrocínio. Para Thomaz, o segredo está na combinação de fatores. “Sempre fomos um projeto independente. O espetáculo segue vivo pelas pessoas envolvidas nele e pela presença de espectadores que conquistamos a cada temporada, nesses últimos anos, e que sempre voltam ao teatro porque querem estar ali com a gente. Também exploramos, em cena, um riso que observa a ‘vida-como-ela-é’ e mira em questões que são próprias do ser humano em qualquer época”, contextualiza.

Como um álbum de fotografia, a trama de “Fred & Laura” é uma compilação de instantes vividos pelos personagens, desde os tempos universitários, em que moravam sob o mesmo teto, até quando as manobras da vida os obrigam a seguir por caminhos diferentes. Responsável também pela dramaturgia, Thomaz conta que a inspiração para o texto nasceu de conversas de Facebook, entre 2011 e 2015. “É autobiográfico no sentido de que eu escolhi escrever sobre assuntos que estavam me afligindo na época. Comecei a pesquisa num processo de leitura de todo meu arquivo de conversas virtuais que mantive com uma amiga de longa data, por quatro anos. No fim das contas, a gente escreve sobre o que a gente sabe, né?”, conta.

Em “Fred & Laura”, a mescla de comédia e drama conduz o público a refletir sobre os laços afetivos que são abalados e ressignificados ao longo da vida de qualquer pessoa. A passagem do tempo nos encontros e desencontros dos protagonistas é o mote para a dramaturgia, que apresenta estrutura fragmentada com reflexões sobre a vida e a existência humana. “Adoro tramas que me acolhem e me guiam com certa verossimilhança, porque gosto da identificação que posso ter assistindo a uma peça de teatro. Não por acaso, temos um primeiro ato tão quadrado, quase sitcom, televisivo. Mas a teatralidade é um parque de diversões e é irresistível não querer bagunçar um pouco da estrutura, afinal, a vida é assim”, explica.

Jazz

A música em “Fred & Laura” leva o espectador a atmosferas distintas. O estilo escolhido para o percurso foi o jazz. “É o gênero musical da improvisação! Ele desafia a métrica tradicional, a matemática musical.

Tem um temperamento mais difícil de adestrar. E isso me pareceu ser o universo sonoro perfeito para abraçar um espetáculo que fala sobre a imprevisibilidade da vida”, diz. Em determinado momento da peça, os protagonistas cantam ao vivo com uso de microfones. Thomaz também toca clarinete. “É quando a música assume o comando porque as palavras apenas ditas não dão conta do que se quer expressar, como no teatro musical”, completa.

Ao conectar diferentes públicos e linguagens, o espetáculo “Fred & Laura” aparece como uma renovação na atual cena teatral de Belo Horizonte, polarizada entre espetáculos de caráter mais experimental, realizados por grupos de pesquisa continuada, e trabalhos mais comerciais, entre os quais se destacam principalmente as comédias.

Facebook LinkedIn Twitter YouTube Instagram Telegram

Siga-nos nas redes sociais

Comentários

    Receba novidades no seu e-mail

    Ao preencher e enviar o formulário, você concorda com a nossa Política de Privacidade e Termos de Uso.

    Facebook LinkedIn Twitter YouTube Instagram Telegram

    Siga-nos nas redes sociais

    Fique por dentro!
    Cadastre-se e receba os nossos principais conteúdos por e-mail