Grand Siena com GNV: bom para quem roda muito

22 de janeiro de 2021 às 0h24

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Crédito: Amintas Vidal

A Fiat lançou o Siena Tetrafuel em 2006, um pioneirismo entre tantos outros projetos inovadores que ela desenvolveu para o nosso mercado. 

Essa extinta versão do modelo saía da montadora pronta para circular com GNV (gás natural veicular), com etanol, com a nossa gasolina (acrescida de 20% de etanol, na época) e com gasolina pura, como é usual em outros países da América Latina, importadores desta variante do sedan compacto.

A versão existiu por dez anos, recebeu aprimoramentos técnicos, reestilizações e chegou ao Grand Siena, a segunda geração do modelo. Em 2016, sua produção foi encerrada devido à baixa procura por essa tecnologia.

Contudo, a Fiat passou a oferecer, em 2019, uma alternativa ao Tetrafuel: o Grand Siena 1.4 2020 com a predisposição para a instalação do kit GNV, um item opcional de fábrica.

DC Auto recebeu para avaliação o Grand Siena Attractive 1.4, ano 2020, com o kit GNV instalado. Vamos reportar as informações do modelo 2021 que se diferenciam do 2020 por uma menor disponibilidade de equipamentos opcionais.

No site da montadora, a versão é oferecida por R$ 58,99 mil na cor sólida preta. Para as pinturas branca e vermelha, também sólidas, paga-se mais R$ 990,00 e, nas metálicas, prata e cinza, o valor é de R$ 1,79 mil.

O único opcional disponível na linha 2021 é, exatamente, a predisposição para a instalação do kit GNV. Seu preço é R$ 710,00.

Crédito: Amintas Vidal
Crédito: Amintas Vidal

Itens de série – Contando apenas com os itens de série, a versão Attractive fica muito básica, se compararmos aos modelos mais recentes da Fiat e aos seus concorrentes diretos. Os principais equipamentos são: ar-condicionado, direção hidráulica, travas e vidros dianteiros e traseiros elétricos e retrovisores elétricos com rebatimento para visualização da guia direita. 

Os itens de segurança são os obrigatórios para atender a legislação vigente: airbags frontais, freios ABS, gancho para fixação cadeira infantil (Isofix) e bancos com cintos retráteis de três pontos e encosto de cabeça para todas as pessoas formam o conjunto de equipamentos mínimo necessário para homologar um modelo no Brasil a partir deste ano. 

Nem um sistema básico de áudio é oferecido, muito menos um multimídia. Preparação para instalação do som, computador de bordo, sensor de marcha à ré e ajuste de altura para o volante e para o banco do motorista completam os destaques desta lista enxuta e sem grandes inovações tecnológicas.

O motor deste Gran Siena é o mesmo 1.4 Fire Evo bicombustível usado na linha Fiat desde o lançamento da segunda geração do Uno, em 2010. Ele tem 4 cilindros em linha, 2 válvulas por cilindro com variação na abertura em um comando simples tracionado por correia dentada. 

A injeção é indireta, multiponto e sua taxa de compressão é 12.35/1. Ele desenvolve torque máximo de 12,5/12,4 kgmf às 3.500 rpm e a potência atinge 88/85 cv às 5.750 rpm, com etanol e gasolina, respectivamente. Usando GNV, ele desenvolve 75 cv e torque de 10,7 kgmf. 

O câmbio é manual de cinco velocidades e usa embreagem monodisco a seco com acionamento por meio de atuadores hidráulicos.

GNV – A predisposição para o GNV consiste em modificações técnicas que visam facilitar uma instalação perfeita do kit gás por empresas de conversão credenciadas pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). 

O preço médio do kit gás de 5ª geração, o tipo especificado pela montadora, é R$ 5 mil. Além deste custo, existem as taxas de certificação de qualidade Inmetro, serviço executado por outra empresa, independente da instaladora, e o valor cobrado pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran) para emitir o documento do carro com a regulamentação para usar o GNV. 

Por fim, todo o sistema precisa ser vistoriado semestralmente e os cilindros testados a cada cinco anos. Seguindo todas as normas de instalação deste Kit, e as manutenções periódicas obrigatórias do modelo, as garantias de fábrica se mantêm: um ano para o carro e três anos para motor e caixa.

Segundo a Fiat, as válvulas do motor e suas respectivas sedes são produzidas com um material especial que garante durabilidade semelhante ao propulsor bicombustível. O coletor de admissão tem suas paredes reforçadas e pré-furadas para receber os bicos injetores próprios para trabalharem com o combustível gasoso. Um manual de instruções acompanha a documentação do carro para orientar a correta instalação do kit GNV.

O tanque de combustível do Grand Siena comporta 48 litros e os dois cilindros de GNV armazenam um total de 15 m³. Com estes reservatórios instalados no porta-malas, seu volume cai dos 520 para 390 litros. 

Crédito: Amintas Vidal
Crédito: Amintas Vidal

Interior – O Gran Siena tem espaço de sobra para as pernas, cabeça e ombro de quatro adultos. O quinto fica incomodado com o túnel central e, principalmente, pelo console central que invade a parte de trás, obrigando-o assentar com as pernas abertas. 

Os materiais de acabamento interno são simples, mas bem feitos. Os plásticos rígidos apresentam pequenas variações de tonalidades de cinzas e texturas variadas. Detalhes cromados nas maçanetas e molduras melhoram a aparência. 

Há área com tecido acolchoado nas quatro portas, algo raro na categoria. Os bancos apoiam bem as costas, têm assentos um pouco curtos e espuma muito macia. Poderia ser mais rígida.

Desempenho – As diferenças no uso do GNV para os combustíveis líquidos começam ao ligar o carro. A primeira partida é feita usando etanol ou gasolina, em dias de temperatura normal, ou com a gasolina do tanquinho, em dias frios. 

O sistema só passa a funcionar com GNV depois do motor aquecido. Neste momento, ouve-se mais ruído nos bicos injetores, semelhante a um sopro, pois o combustível é gasoso. O motor também vibra um pouco mais, mesmo não ocorrendo queda em sua rotação.

No deslocamento em vias planas, com pequeno curso no acelerador e rotações abaixo das 3.000 rpm, o comportamento do carro usando GNV é muito semelhante ao mesmo usando combustíveis líquidos. 

Ao acelerar levemente, o motor responde mais lentamente e com pequenas falhas, nada que desabone o sistema. Esticar as marchas diminui os engasgos e compensa o menor torque e potência no uso do gás. 

Quando aceleramos forte para ganhar velocidade ou vencer um aclive, a central eletrônica identifica essa necessidade de maior desempenho, corta a injeção do gás e faz o motor trabalhar com combustível líquido enquanto exigirmos performance.

O sistema tem um botão pelo qual é possível comutar entre os combustíveis líquidos e o gasoso, de forma direta e simples. Este recurso permite poupar o GNV em estradas com poucos postos de abastecimento de gás ou, até mesmo, trocar pelo combustível líquido antes de uma ultrapassagem ou de um trecho em subida de serra, por exemplo. LEDs neste mesmo botão indicam a quantidade de GNV existente nos cilindros. 

Usando apenas etanol, o motor mostra o seu melhor. Mesmo sem altos números de potência e torque, sua elasticidade propicia um bom desempenho. É possível esticar as marchas até às 6.500 rpm e andar com muita agilidade para um motor 1.4, aspirado e deslocando um carro pesado para a um compacto. 

Já para andar economicamente, somente rodando abaixo dos 100 km/h, pois seu câmbio e diferencial tem relações curtas que dificultam manter a rotação abaixo das 3.000 rpm, condição primária para um menor consumo.

Crédito: Amintas Vidal
Crédito: Amintas Vidal

Conforto é destaque e consumo com etanol surpreende

A direção hidráulica é pesada em manobras de estacionamento, quando comparada às elétricas. Em deslocamento, seu peso é adequado ao tamanho do volante e, este, apresenta um desenho com ótimo encaixe das mãos. 

A embreagem tem peso normal, mas a assistência hidráulica poderia ser maior para torná-la mais leve. O câmbio tem encaixes precisos, porém, o curso da alavanca é longo.

O acerto das suspensões é um dos destaques do Grand Siena, algo recorrente nos modelos da Fiat. Elas entregam mais conforto que estabilidade. Seu conjunto trabalha superando as irregularidades dos pisos em silêncio e filtrando a maior parte das vibrações. 

O uso de pneus mais altos, 185/60 R15, ajuda neste serviço. Mesmo com todo esse conforto de marcha, o modelo ainda é muito seguro em curvas, mantendo o controle direcional, a despeito da inclinação da carroceria.

O isolamento acústico é bom. Circulando aos 110 km/h, na 5ª marcha, o motor já está trabalhando às 3.400 rpm. Mesmo assim, seu ruído é contido. O barulho dos pneus sobre o asfalto, e do vento contra a carroceria, também não invadem a cabine em excesso, ficando em um nível abaixo do ruído do motor.

O computador de bordo é muito completo, duplicado, mas só apresenta um dado por vez em uma única linha da tela central. Assim como no antigo Siena Tetrafuel, ele não registra o consumo real do GNV, combustível que apresenta rendimento muito melhor que o etanol e a gasolina. 

Contudo, não tivemos como aferir o consumo com gás, mas, segundo a Fiat, a versão Tetrafuel rodava 14,3 km/m³ na cidade e 22,4 km/m³ na estrada.

Consumo – Nos testes padronizados de consumo que fizemos com o Gran Siena circulamos apenas com etanol. Ele foi mais econômico que esperávamos, pois sua curta relação de marchas exige aceleração constante para manter as velocidades de cruzeiro. 

No circuito rodoviário de 38,7 km realizamos duas voltas, uma mantendo 90 km/h e, a outra, 110 km/h, sempre conduzindo economicamente. Somente o motorista, vidros fechados, faróis acesos, ar-condicionado regulado na refrigeração intermediária e a ventilação na segunda posição completam a padronização. Na volta mais lenta registramos 13,7 km/l. Na mais rápida, o consumo foi de 12,4 km/l.

Em nosso circuito urbano de 6,3 km realizamos quatro voltas, totalizando 25,2 km. Simulamos 20 paradas em semáforos com tempos entre 5 e 50 segundos. Vencemos 152 metros entre o ponto mais alto e o mais baixo do acidentado percurso. Mesmo nessas condições severas, o Grand Siena finalizou o teste com 7,5 km/l.O Grand Siena é um veterano confiável, porém, é básico e não oferece inovações. O modelo é ideal para quem prioriza espaço interno e baixo custo de aquisição. No caso do kit GNV, ele só é viável para motoristas que rodam muito, mais de 3.000 km por mês. É o mínimo necessário para pagar o investimento extra em um prazo razoável. (AV)

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