Rampage R/T é a versão esportiva da picape de entrada da RAM

Modelo médio compacto, vendida em três versões, é um projeto exemplar do Grupo Stellantis

19 de janeiro de 2024 às 5h12

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Crédito: Amintas Vidal

A Renault Oroch foi a primeira picape média compacta do nosso mercado. Ao modificar o SUV Duster para receber uma caçamba, a marca optou pelo caminho comum e mais fácil: replicou o utilitário até as portas traseiras e, daí para trás, estruturou este compartimento de carga.

Não por acaso, a picape Fiat Toro, lançada posteriormente, dominou este segmento. Derivada da mesma plataforma do Jeep Renegade, seu projeto não copiou sequer um traço deste SUV.

Completamente original e extremamente bem desenhada, a Toro vendeu de 4 a 9 vezes mais unidades do que a Oroch, nos fechamentos dos oito anos em que elas disputaram a categoria.

Conhecendo o mercado como ninguém, a Stellantis não vacilou ao desenvolver a Rampage. Também média compacta, oriunda da Toro, a picape de entrada da RAM ficou completamente diferente da sua irmã de plataforma.

Exemplo do amplo aproveitamento de uma base, a Rampage é o maior modelo desenvolvido sobre a plataforma Small Wide, a mesma de todos os Jeep nacionais, da Fiat Toro e de outros carros europeus deste grupo automotivo.

O Veículos recebeu a picape RAM Rampage R/T para avaliação, versão de topo da gama. No site da montadora, seu preço sugerido é R$ 279,49 mil, apenas nas pinturas sólidas cinza ou vermelha. A cor branca perolizada e as outras cores metálicas custam R$ 2 mil a mais.

Atualmente vendida em três versões e cinco configurações, todas as Rampage têm os mesmos equipamentos de série.

Diferenças em acabamentos, acertos mecânicos e rodas distinguem essas variantes em estilos próprios: Rebel (off-road), Laramie (country)e R/T (esportiva).

Os principais itens comuns a todas as Rampage são: central multimídia de 12,3 polegadas com Android Auto e Apple CarPlay sem fio e sistema RAM Connect; quadro de instrumentos digital de 10,3 polegadas; carregador de celular por indução com resfriamento; ar-condicionado digital com duas zonas; banco do motorista com ajustes elétricos em 12 vias e freio de estacionamento eletrônico com Auto Hold.

Seus sistemas de segurança também são iguais: sete airbags; controle de cruzeiro adaptativo; monitoramento de pontos cegos; sistema de permanência na faixa de rodagem; alerta de colisão frontal com frenagem autônoma e detecção de pedestres e ciclistas; comutação automática dos faróis; faróis e lanternas em full LED são os mais diferenciados.

Vendido por R$ 6 mil, o opcional Pack Elite existe para todas as versões. Ele traz banco elétrico do passageiro, sistema de som premium Harman Kardon e luzes ambiente em LED.

Além dos detalhes visuais esportivos, a versão R/T tem acertos mecânicos específicos que lhe garantem performance superior em relação às variantes Rebel e Laramie.

Visual

Externamente, teto, grade frontal, retrovisores, para-choque traseiro e rodas em preto brilhante são as pinturas diferenciadas desta versão.

O emblema na grade, e os adesivos sobre o capô e nas laterais da caçamba, compõe o conjunto de assinaturas R/T.

Internamente, a R/T recebe revestimento em material sintético que imita o couro micro perfurado combinado com suede, uma espécie de camurça. Todo este material é costurado com linha na cor vermelha denominada Ruby Red.

Mecanicamente, essa versão conta com molas e amortecedores mais firmes, rebaixamento de 10 mm na suspensão, rodas de aro 19 polegadas com pneus 235/55 R19 e modo de condução R/T, programação que prioriza o desempenho do motor Hurricane 4.

Motor e câmbio

Este propulsor movido somente à gasolina está disponível para todas as versões, sendo o único para a R/T. Ele é importado e tem quatro cilindros em linha com 2 litros de capacidade.

Pertencente à família GME (sigla inglesa para motor médio global) da Stellantis, o Hurricane 4 é equipado com turbocompressor twin-scroll de baixa inércia, válvula de alívio eletrônica e a recirculação dos gases do seu sistema de escapamento é refrigerada.

Feito em alumínio, contando com injeção direta de combustível, duplo comando de válvulas tracionado por corrente e tecnologia de abertura variável das mesmas, na admissão e no escape, ele rende 272 cv de potência às 5.200 rpm e 40,8 kgfm de torque às 3.000 rpm.

Seu câmbio é automático de 9 marchas, acoplado por conversor de torque. Essa transmissão é a mesma usada com o motor Multijet 2.0 turbodiesel, conjunto que equipa diversos modelos da Stellantis, inclusive as configurações de entrada das versões Rebel e Laramie da Rampage.

Quando equipadas com o motor Hurricane 4, todas as Rampage contam com escapamento duplo e tecla que habilita o modo sport de condução.

Na R/T, estes dutos de exaustão produzem um som “pipocado”, típico de esportivos mais potentes, e essa tecla do modo esportivo ganha o nome da versão.

Essa função altera o visual do quadro de instrumentos digital, deixam mais rápidas as respostas ao curso do acelerador e da direção com assistência elétrica e programa as trocas de marchas em giros mais altos. Mas, na R/T, estes parâmetros são ainda mais alterados.

Segundo a marca, a Rampage R/T acelera de 0 a 100 km/h em 6,9 segundos e tem velocidade máxima de 220 km/h.

Em comparação, a Rebel e a Laramie com este mesmo powertrain aceleram de 0 a 100 km/h em 7,1 segundos e têm velocidade máxima de 210 km/h.

Sempre dissemos que a Fiat Toro é, provavelmente, a picape mais bela do mundo. Espelhada nos SUVs, seus traços são agressivos, dinâmicos e harmônicos.

Ainda assim, sua carroceria ficou robusta, qualidade intrínseca na categoria. Tantos acertos motivaram o seu sucesso.

Ao trocar os emblemas da Fiat pelos da RAM, a Stellantis vendeu a Toro como RAM 1.000 em outros mercados mas, não no Brasil.

Por aqui, na Rampage, ela precisava imprimir a identidade RAM e preservar o status de picapes de luxo que os seus modelos ostentam.

Design

Visivelmente, a frente da RAM 1.500 e a traseira da RAM 2.500 inspiraram o design da nova picape.

Crédito: Amintas Vidal

A enorme grade frontal em forma de “V” que une os faróis, assim como o capô nervurado e longo são elementos de design da RAM 1.500 que foram replicados na Rampage.

A tradicional tampa basculante da caçamba, o grande logotipo RAM ao centro da mesma e as clássicas lanternas horizontais formam um conjunto semelhante ao da RAM 2.500. Na Rampage, as lentes destas lanternas ganharam o desenho da bandeira dos EUA.

Aparentemente, boa parte da estrutura interna do monobloco da Toro foi mantida na Rampage, mas todas as estampagens externas foram completamente reprojetadas.

Lateralmente, a porta traseira, o teto, a coluna “C” e a caçamba têm novo formato, mudanças que, certamente, exigiram alterações estruturais da coluna “B” até o término da caçamba.

Marca registrada da RAM, o capô da Rampage fica elevado, bem acima da base do para-brisa. Essa frente alta também elevou as laterais da caçamba, compondo um traço superior contínuo.

O design lateral da Rampage passou a ser orientado por essa marcante linha horizontal. Os vincos das portas, para-lamas e caçamba foram traçados paralelos a ela.

Para-lama e caçamba ganharam volume lateral e recorte mais quadrado nas caixas de rodas. As folhas das portas ficaram mais planas e seus vincos foram elevados para darem continuidade aos vincos que replicam este recorte das caixas de rodas.

Todo este conjunto abaixo desta linha horizontal ficou extremamente robusto e combinou com a parte superior da cabine que, na Rampage, é mais retangular, pois a coluna “C” é menos inclinada e deixa a janela da porta traseira mais comprida e retilínea.

Fechando os detalhes externos do projeto, os retrovisores são exclusivos para a Rampage e cada versão ganhou uma roda diferente em design, medida e, também, pneus específicos.

Além deste visual totalmente diferenciado em relação à Toro, as peças mais volumosas da Rampage garantiram medidas superiores à nova picape.

São elas: 5,03 metros de comprimento (83 mm a mais); 1,89 metro de largura (41 mm a mais); 1,77 metro de altura (36 mm a mais) e 2,99 metros de entre os eixos (4 mm a mais).

Bem equipada, tecnológica e com desempenho esportivo de impressionar

O interior do Jeep Commander teve que ser modificado para deixar o design e o acabamento da Rampage o mais parecido possível com o da picape grande RAM 1.500.

Caso contrário, o SUV da Jeep também contaria com o mesmo interior das picapes. Os grupos automotivos procuram, sempre, que as marcas pertencentes a ele possuam identidade própria e destacada.

Como o espaço interno não pode ser ampliado, Rampage e Toro tem a mesma área dentro da cabine.

A parte central do painel do Commander foi refeita, ganhando linhas mais horizontais e um platô mais destacado.

Multimídia, saídas centrais da ventilação e o ar-condicionado foram agrupados, conjunto que ficou destacado e diferente ao do SUV de luxo.

O comando eletrônico e rotativo das marchas usado nas picapes RAM permitiu a construção de um console central elevado e flutuante para a Rampage, totalmente diferente ao do Jeep. A parte posterior dessa peça tem saídas de ventilação e tomadas USB para o banco traseiro.

No mais, todos os bancos foram redesenhados, os acabamentos são semelhantes aos das picapes grandes da RAM e o grafismo da tela de instrumentos é exclusivo para a Rampage.

Espaço

Quatro adultos acomodam pernas, ombro e cabeça com conforto na Rampage. Um terceiro tem menos área ao centro do banco traseiro, mas tem algum conforto em deslocamentos mais curtos. A ergonomia geral na cabine é acertada e todos os comandos estão à mão.

Sua caçamba comporta 980 litros e, com essa motorização, a Rampage pode transportar 750 kg de carga útil. Ela pesa 1.917 kg e o tanque de combustíveis comporta 55 litros.

Mesmo sendo esportiva, essa versão tem bons números para o off-road. São 257 mm de vão livre; 25° de ângulo de entrada; 24,5° de ângulo de saída e 23,1° de ângulo central.

A Rampage tem os melhores equipamentos que a Stellantis dispõe no Brasil. Todos vieram dos SUVs nacionais da Jeep e não ficam devendo em tecnologia para os importados da marca.

Crédito: Amintas Vidal

De forma geral, tudo funciona com precisão. Resumidamente, o ar-condicionado tem botões físicos para todas as funções e é eficiente na refrigeração, principalmente por contar com as saídas traseiras, recurso inexistente na Toro.

O sistema multimídia tem navegação nativa, internet a bordo, atendimento remoto e monitoramento por aplicativo de celular.

O conjunto de auxílios à condução semi-autônoma é dos mais completos e funciona perfeitamente. Apenas fica devendo a centralização nas faixas de rodagem, mas tem a correção automática. O painel digital é configurável, completo em informações e muito legível.

O elevado nível de acabamento e de tecnologias a bordo já era conhecido, tanto no Jeep Commander, como nas outras picapes RAM, por exemplo. Foi o motor que nos surpreendeu.

Rodando

Foi o motor que nos surpreendeu. Seu casamento com o câmbio de 9 marchas e com a tração 4×4 ficou perfeito.

Além de muito potente e garantir um desempenho esportivo, este conjunto com motor a gasolina deixa a Rampage solta, aproveitando o deslocamento por inércia, ideal para economizar combustível.

Mas, a diversão está nas acelerações. Com pouco atraso no enchimento da turbina, o giro sobe rápido e as marchas são trocadas na rotação de maior potência, às 5.200 rpm.

A Rampage impressiona, é muito rápida para o seu peso e o ronco do motor amplia essa esportividade.

Com a tecla R/T acionada, a resposta do motor ao curso do acelerador fica antecipada e a direção mais responsiva. O controle direcional é garantido por um acerto muito firme das suspensões independentes nas quatro rodas, McPherson na frente e multilink atrás.

Os freios correspondem ao desempenho, param a picape esportiva com eficiência. Eles são a disco ventilados nas quatro rodas, com 305 mm de diâmetro na frente e 320 mm atrás. Os pneus 235/55 R19 contribuem muito nessas acelerações, curvas e frenagens.

Essa esportividade da Rampage R/T vai muito além do visual. Ela contorna curvas e acelera como poucos carros nacionais fazem, mas o conforto de marcha é limitado, como em todo esportivo.

Seu rodar é áspero, as imperfeições do piso são sentidas na cabine e as suspensões trabalham em frequências mais altas, causando oscilações contínuas que cansam em viagens mais longas.

Consumo

Em nossa avaliação, viajamos para o litoral fluminense e para o interior de Minas Gerais.

No primeiro trecho de 560 km, descendo para a praia, a Rampage R/T registrou 12,7 km/l. Subindo para o interior, circulando por 470 km, o consumo foi de 11,5 km/l.

No último trecho de 180 km não pudemos verificar o consumo. Uma mangueira do sistema de freio foi danificada, obrigando a Rampage a retornar de prancha para Belo Horizonte (MG).

Todas as versões e configurações da Rampage atendem a um amplo espectro de consumidores.

Essa versão R/T certamente enche os olhos de quase todos eles, pois seus diferencias visuais são os que mais combinam com o design agressivo desta picape.

Porém, ela cobra caro no conforto de marcha, motivo que pode tornar as outras variantes mais adequadas a um número maior de compradores.

É o caso da versão Rebel a gasolina, que tem pneus mais altos, o tipo que garante maior conforto, além de oferecer desempenho próximo ao da R/T.

*Colaborador

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