Faturamento da indústria mineira cresce 3,4% em 2023, aponta Fiemg

O nível de emprego, a massa salarial e o rendimento médio do setor produtivo mineiro também aumentaram no ano passado

7 de fevereiro de 2024 às 15h52
Atualizada em 11 de fevereiro de 2024 às 12h08

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Crédito: Adobe Stock

O desempenho do setor industrial mineiro, em 2023, foi majoritariamente positivo, com destaque para a alta de 3,4% no faturamento frente a 2022. Conforme estudo da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), o nível de emprego (4,8%), a massa salarial real (9,6%) e o rendimento médio (4,6%) também subiram. Por outro lado, a utilização da capacidade instalada caiu 2,1 pontos percentuais (p.p.), para 80,9%, e as horas trabalhadas na produção ficaram estáveis. 

A economista da Fiemg, Ellen Araújo, explica que a resiliência do mercado de trabalho foi um dos principais motivos para os bons resultados. Ela recorda que Minas Gerais criou, no ano passado, mais de 140 mil vagas de empregos formais – somente a indústria gerou 15,1 mil. 

Outro fator trata-se da desaceleração inflacionária, conforme a especialista. Ainda que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) tenha fechado 2023 em 5,05%, percentual acima da meta imposta pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 3,25%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, a inflação brasileira foi de 4,62%, ficando abaixo do teto pela primeira vez desde 2020

Ellen Araújo diz que as medidas de transferência de renda e de renegociação de dívidas também foram importantes para aumentar o consumo de bens industriais. Neste caso vale recordar, por exemplo, que o governo federal apresentou, em março, o novo Bolsa Família, com benefícios extras para famílias com gestantes, crianças de até seis anos e adolescentes de sete a 17 anos, e lançou, em outubro, o Desenrola Brasil, programa que possibilita renegociar débitos. 

Ela ainda atribui a performance positiva da indústria mineira no ano passado à redução dos desafios relacionados à disponibilidade de matérias-primas – enfrentados, especialmente, no início da guerra entre Rússia e Ucrânia, em 2022. E também aos benefícios fiscais concedidos pelo Executivo brasileiro para fomentar o setor produtivo, sobretudo, a cadeia automotiva. 

“Esses ‘achados’ corroboram com os dados da produção industrial divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para Minas Gerais, de janeiro a novembro de 2023, houve um crescimento de 3,2% da indústria. Esse avanço foi puxado tanto pelo segmento extrativo, que cresceu 6,4%, quanto pelo de transformação, que subiu 1.9%”, diz a especialista.

Resultados de dezembro

Especificamente em dezembro, em comparação ao mês imediatamente anterior, a Pesquisa Indicadores Industriais de Minas Gerais (Index) mostrou uma retração de 1,5% no faturamento da indústria do Estado. O recuo foi puxado pelo segmento de transformação que, após dois meses seguidos de aumentos, registrou uma redução de 2,7%, ao passo que o extrativo cresceu 15,6%. Adicionalmente, houve queda de 1,5 p.p., para 79,8%, na utilização da capacidade instalada. 

Os outros quatro indicadores apresentaram crescimento, de acordo com o levantamento da Fiemg. Os resultados foram os seguintes: altas de 0,8% nas horas trabalhadas na produção, 0,8% no nível de emprego – o segundo maior avanço do ano –, 1,8% na massa salarial real – com reflexos também do pagamento da segunda parcela do 13º salário –, e 1,4% no rendimento médio real. 

Expectativas da indústria para 2024

Apesar do resultado positivo em 2023, a Fiemg não avalia o ano de 2024 com otimismo para a indústria mineira. A entidade espera um desempenho moderado do setor industrial do Estado. 

Ellen Araújo afirma que a concessão de estímulos governamentais ao longo do ano, por meio da Nova Indústria Brasil, pode impulsionar a atividade da indústria. Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho aquecido e a melhora das condições financeiras das famílias devem estimular o consumo. 

Em contrapartida, a economista pondera que, embora a perspectiva seja de novos cortes na taxa básica de juros, a Selic, a política monetária tende a seguir restritiva, limitando os investimentos e a aquisição de bens industriais, sobretudo, os que dependem de financiamento. Além disso, a desaceleração de economias como a chinesa, importante parceira do Estado, pode impactar negativamente o setor.

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