Minas Gerais mantém liderança da Cfem e se distancia do Pará

Estado arrecadou R$ 722,2 milhões com os royalties da mineração no terceiro trimestre, enquanto os paraenses recolheram R$ 545,1 milhões

19 de outubro de 2023 às 0h27

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Os investimentos das mineradoras no Estado continuam previstos em US$ 11,4 bilhões no período de 2023 a 2027 | Crédito: Vale/Divulgação

Minas Gerais arrecadou R$ 722,2 milhões com a Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem) no terceiro trimestre deste ano. O valor corresponde a quedas de 13,7% em comparação ao montante arrecadado no mesmo intervalo de 2022 (R$ 836,8 milhões) e 19,2%, ante o segundo trimestre de 2023 (R$ 894,1 milhões), mas mantém o Estado na primeira posição de recolhimento no País, à frente do Pará.

Os dados fazem parte do balanço do setor mineral apresentado pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) e indicam que, apesar do resultado negativo, Minas manteve a liderança no ranking de royalties da mineração. Além disso, se distanciou do segundo colocado, o Pará, que recolheu, de julho a setembro, uma quantia equivalente a R$ 545,1 milhões.

Dessa forma, o percentual de participação mineira na arrecadação da Cfem no Brasil, que somou R$ 1,51 bilhão no período observado, foi de 48%, enquanto os paraenses responderam por 36% do total recolhido no País. 

Conforme o diretor de Sustentabilidade e Assuntos Regulatórios do Ibram, Júlio Nery, o aumento da distância entre as duas regiões mineradoras tem a ver com a relação entre a concentração de ferro no produto vendido e seu preço. “Normalmente, Minas Gerais vende o minério com um teor de ferro, de 58%, e o Pará, com 65% ou 62%. Então, o que pode ter acontecido é uma redução desse teor no Pará, provocando a venda num preço mais baixo”, explicou o dirigente.

Segundo ele, o preço é diretamente influenciado pelo teor do minério e, no caso desse trimestre, os fechamentos de contratos do estado do Norte, provavelmente, foram com valores mais baixos. Para os próximos meses, Nery avalia, porém, que esse distanciamento deve diminuir. Avaliação, aliás, que a entidade vem fazendo já há algum tempo.

“Acreditamos que esse valor não vai permanecer com essa diferença de quase R$ 200 milhões entre um e outro. Nos trimestres anteriores essa distância era significativamente menor”, frisou.

Desempenho do setor em Minas Gerais e no País para além da Cfem

Em virtude de problemas da Agência Nacional de Mineração (ANM), o Ibram não detalhou todos os resultados do setor mineral por estado. No Brasil, porém, o balanço mostrou vários indicadores negativos, como o faturamento, estimado em R$ 53 bilhões no terceiro trimestre de 2023, queda de 29% frente ao mesmo período de 2022. O recuo, de acordo com a entidade, se deve à redução na produção, principalmente, e as oscilações nos preços das commodities.

Perguntado se os resultados ficaram dentro das expectativas do setor, Nery disse que, certamente, não se esperava valores próximos aos do ano passado, em função de uma volatilidade maior dos preços do minério de ferro, impactada pela crise imobiliária chinesa. Já quando questionado se, de algum modo, esses indicadores podem impactar em uma revisão dos números previstos para 2023, ele afirmou que se espera uma manutenção, já que o governo chinês se posicionou e vem injetando volumes significativos para recuperar essa parte da economia do gigante asiático. 

Investimentos estão mantidos

Apesar dos números desfavoráveis, os valores de investimentos estimados para a mineração do País entre 2023 e 2027 também estão mantidos. Em fevereiro, a instituição havia anunciado uma estimativa de aporte na atividade minerária brasileira de U$ 50 bilhões no quinquênio.

Dessa cifra, US$ 11,4 bilhões (26,3%) serão investidos em Minas Gerais, o segundo maior destino das aplicações, sendo que a primeira posição é do estado do Pará, com US$ 13,9 bilhões (32,1%).

Preço deve ficar entre US$ 100 a US$ 115

No confronto entre julho e setembro de 2023 e o mesmo intervalo de 2022, o preço médio do minério de ferro subiu algo em torno de 11,4%. Conforme o Ibram, a alta veio mesmo com grandes oscilações na commodity. Ontem (18), o insumo estava cotado em cerca de US$ 120 a tonelada, mas o patamar não deve se manter e, segundo Nery, com os aportes do governo chinês para não deixar a economia cair, a faixa de valores até o fim do ano deve ser de US$ 100 a tonelada a US$ 115 a tonelada.

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