Mudanças climáticas não preocupam setor de serviços financeiros, mostra PwC

Pesquisa com líderes brasileiros mostra que alteração do clima não é avaliada como risco aos negócios

31 de janeiro de 2024 às 5h01

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Para PwC, tendência é que o assunto ganhe importância com regulações incisivas no País | Crédito: REUTERS/Pilar Olivares

As mudanças climáticas são a menor das preocupações para os CEOs de serviços financeiros do País, segundo a 27ª Pesquisa Global com CEOs (27th Annual Global CEO Survey), realizada pela PwC. O levantamento entrevistou 4.702 CEOs em 105 países, incluindo o Brasil, entre outubro e novembro de 2023. Apenas 9% dos líderes brasileiros consideram a alteração no clima como a principal ameaça para seus negócios. Para 43% dos entrevistados, a maior ameaça é o risco cibernético, seguida da inflação (37%) e a instabilidade macroeconômica (37%).

“O fato veio de maneira surpreendente na pesquisa”, disse o sócio da PwC Brasil e líder do setor de serviços financeiros, Lindomar Schmoller. A despreocupação dos CEOs frente a uma megatendência global da pesquisa, segundo ele, está relacionada ao fato de que as mudanças climáticas não estão impactando diretamente o setor como em outras atividades, como a mineração, por exemplo.

“Outro aspecto é que a regulação no Brasil para a indústria financeira começou agora, mais recentemente. Então, toda a regulação do Banco Central para riscos climáticos para bancos é uma legislação que acabou de sair do forno”, completa Schmoller.

A preocupação dos CEOs brasileiros do segmento com as mudanças climáticas só não é menor que a desigualdade social, também apontada por 9% dos entrevistados do levantamento como principal ameaça para suas empresas.

O sócio da PwC Brasil afirma que a tendência é que as mudanças climáticas ganhem corpo a partir de agora, principalmente com regulações mais incisivas em cima do tema. “Talvez não tenha se percebido o senso de urgência justamente porque não tem uma regulação mais impositiva que tende a vir e virá nos próximos anos”, aponta.

Willer Marcondes, também sócio da empresa, ressalta que alguns mercados dos serviços financeiros já vivem uma nova realidade impactada pelas mudanças climáticas. “Nós já começamos a observar seguros de safra agrícola que já começaram a ser impactados. Cenários extremos têm impactado e isso já começou a moldar cenários, já começou a moldar de alguma forma os serviços, o apetite ao risco dos setores. Já se tem uma luz amarela acesa”, alerta.

Mesmo assim, mudanças climáticas estão nos negócios dos CEOs

Ainda que estejam distantes de serem a principal preocupação, as mudanças climáticas estão presentes na agenda dos CEOs do setor. Cerca de 54% responderam ter ações em curso ou concluídas para eficiência energética. Outros 52% têm avançado na inovação em produtos e serviços com baixo impacto climático e na implementação de iniciativas para proteger os bens físicos e/ou a mão de obra contra impactos físicos dos riscos climáticos.

Ainda segundo levantamento da PwC, 53% dos respondentes do segmento disseram ter ações em curso ou concluídas para inovar em produtos, serviços ou tecnologias com baixo impacto climático. Outros 41% investem em soluções climáticas baseadas na natureza.

Cerca de 44% dos CEOs começaram a incorporar ou já incorporaram os riscos climáticos ao planejamento financeiro dos seus negócios. E 40% começou a implementar ou já implementou totalmente iniciativas para aperfeiçoar ou requalificar a força de trabalho como preparação para mudanças no seu modelo de negócios relacionadas ao clima.

Setor está blindado do exterior, aponta PwC

Assim como as mudanças climáticas, a percepção do setor das alterações na política mundial como ameaça aos seus negócios é menor do que a dos CEOs no restante do mundo (11% contra 19%). Mesmo com o País sendo afetado por volatilidade e disrupções na política e economia, Lindomar Schmoller considera o setor financeiro nacional firme frente ao tabuleiro político internacional. “Enxergo o setor financeiro no Brasil muito resiliente a essas mudanças. Apesar de um histórico de mudanças drásticas, tem um aprendizado, uma resiliência do setor já embutida que consegue lidar com essas oscilações”, comenta.

Willer Marcondes considera ainda que a concentração do setor de serviços financeiros em grandes bancos brasileiros consegue criar uma espécie de “blindagem” do cenário externo. “A gente tem uma concentração em bancos nacionais, com um grau de independência bastante elevado do Estado. O mercado é dominado por bancos nacionais, o que faz o mercado ser blindado pelas disputas internacionais. Tem uma influência, mas ela é menor do que outros fatores”, conclui.

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