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Operação Alto Custo: PF investiga esquema de fraude em medicamentos do SUS

Operação Alto Custo apura se advogados e empresas usaram ações na Justiça para elevar preços de remédios pagos pelo poder público.

4 min de leitura
Medicamentos variados, ilustrando a Operação Alto Custo no SUS.
Foto: Banco de Imagens/Canva

A Polícia Federal deflagrou a Operação Alto Custo para apurar um suposto esquema de fraude em medicamentos do SUS envolvendo a compra de remédios de alto custo pelo Sistema Único de Saúde.

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A ação mira um grupo que teria usado processos na Justiça para conseguir remédios caros com valores acima do preço real, fazendo com que o dinheiro público gasto na compra fosse maior do que deveria.

Foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão nas cidades de Nova Lima e São João del-Rei, em Minas Gerais. Durante a ação, os agentes recolheram celulares e documentos que agora passam por análise para ajudar a entender como o esquema teria funcionado.

O que aponta a investigação sobre a fraude em medicamentos do SUS

De acordo com a Polícia Federal, o grupo investigado teria usado ações judiciais para obter medicamentos de alto custo bancados pelo governo. A suspeita é de que advogados envolvidos no esquema apresentassem orçamentos com preços inflados, ou seja, acima do valor real dos remédios, durante esses processos.

Esses orçamentos, segundo os investigadores, teriam sido fornecidos por empresas que também são alvo da operação. A hipótese é de que advogados e empresários tenham agido juntos para aumentar os valores apresentados na Justiça.

Quanto mais alto o preço informado no processo, maior era o valor que o poder público acabava pagando para conseguir o medicamento.

Esse tipo de remédio costuma ser usado no tratamento de doenças graves, raras ou crônicas, que exigem acompanhamento médico especial e nem sempre estão disponíveis nas farmácias comuns.

Por isso, muitos pacientes recorrem à Justiça para obter o remédio quando ele não chega até eles pelos caminhos normais do sistema de saúde.

Como funcionava o suposto esquema

A lógica por trás do esquema seria simples de entender. Quando um paciente precisa de um remédio de alto custo que o SUS ainda não oferece de forma direta, é comum que a Justiça determine que o governo pague pelo tratamento. Para isso, é preciso apresentar um orçamento com o preço do medicamento.

É justamente nesse ponto que estaria a fraude. Ao inflar o valor desse orçamento, o grupo investigado conseguiria fazer com que o poder público pagasse muito mais do que o remédio realmente custa.

A diferença entre o preço real e o preço informado no processo seria o lucro obtido pelo esquema.

Esse tipo de prática já foi identificado em outras investigações no país envolvendo medicamentos de alto custo, o que mostra que o uso de processos judiciais para desviar dinheiro da saúde pública não é um caso isolado.

O que já foi apreendido pela Polícia Federal

Os documentos e aparelhos celulares recolhidos durante os mandados de busca e apreensão devem ajudar a Polícia Federal a reconstruir o funcionamento do esquema.

A expectativa é que o material apreendido traga informações sobre quem estava por trás das empresas envolvidas e como o dinheiro desviado era distribuído entre os participantes.

A investigação também busca descobrir se outras pessoas ou empresas, além das já identificadas, participaram das irregularidades. As apurações seguem em andamento e novas etapas da operação podem ser realizadas conforme a análise do material avançar.

Impacto da fraude em medicamentos do SUS para a saúde pública

Esquemas como esse afetam diretamente o orçamento da saúde pública, que já lida com recursos limitados para atender a população.

Cada real desviado por meio de preços inflados é um real a menos disponível para comprar remédios, custear tratamentos e manter serviços essenciais funcionando.

Além do prejuízo financeiro, esse tipo de fraude levanta dúvidas sobre a confiança em processos que deveriam ajudar pacientes a conseguir tratamentos necessários.

Quando advogados e empresas usam esses processos para lucrar de forma indevida, quem mais perde é a população que depende do SUS para ter acesso a medicamentos de alto custo.

A Operação Alto Custo segue em andamento, e a Polícia Federal deve apresentar novos detalhes à medida que a análise dos documentos e aparelhos apreendidos avançar.

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