Economia Geral

Leilão do pré-sal arrecada R$ 530 milhões em bônus

Sete dos 13 blocos ofertados foram arrematados no maior leilão da história do pré-sal, mas nenhuma área teve disputa entre empresas.

4 min de leitura
Vista aérea do navio-plataforma P-71, instalado no campo de Itapu, no pré-sal da Bacia de Santos.
Foto: Tânia Rêgo

O leilão do pré-sal realizado nesta quarta-feira, 7 de outubro, terminou com sete dos 13 blocos de petróleo e gás arrematados.

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A disputa, organizada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), no Centro do Rio de Janeiro, rendeu ao governo R$ 530 milhões em bônus de assinatura, que é o valor pago pelas empresas para ter o direito de explorar cada área. Se todos os blocos tivessem sido vendidos, a arrecadação chegaria a R$ 1,24 bilhão.

Esse foi o leilão do pré-sal com o maior número de blocos arrematados até hoje. A rodada anterior, realizada em 2025, tinha vendido cinco áreas.

Com o resultado, a área de exploração no regime de partilha cresce 58% e chega a 39,2 mil quilômetros quadrados, o equivalente a cerca de 90% do território do estado do Rio de Janeiro.

Quem levou os blocos no leilão do pré-sal

Das 19 empresas habilitadas, apenas seis apresentaram propostas, sendo quatro estrangeiras. Em todos os sete blocos vendidos, só uma concorrente fez oferta, ou seja, não houve disputa de preço. Mesmo assim, todos foram arrematados com ágio, que é o valor acima do mínimo exigido no edital. O ágio variou de 8% a quase 495%, com média de 108,38%.

As brasileiras Petrobras e Prio, antiga PetroRio, ficaram com dois blocos cada. A norueguesa Equinor também levou dois, um deles em parceria com a portuguesa Galp. Veja como ficou a divisão:

  • Magnetita e Hematita (Bacia de Campos): Prio
  • Azurita (Bacia de Campos) e Cruzeiro do Sul (Bacia de Santos): Petrobras
  • Rubi (Bacia de Santos): Equinor
  • Rodocrosita (Bacia de Santos): consórcio da Equinor, com 70%, e da Galp, com 30%, que teve o maior ágio da rodada
  • Jade (Bacia de Santos): consórcio das chinesas CNOOC, com 70%, e Sinopec, com 30%

Os blocos Turmalina, Larimar, Aragonita, Opala, Granada e Cerussita não receberam propostas e voltam para a “prateleira” da próxima rodada de licitação.

Como funciona a partilha de produção

No pré-sal, o modelo usado é o de partilha. Vence a empresa que oferecer à União a maior fatia do chamado óleo excedente, que é a parte da produção que sobra depois de pagos os custos.

Na prática, o governo divide com a empresa o lucro do petróleo extraído. As ofertas são sigilosas, e nenhuma empresa sabe de antemão quanto as concorrentes vão oferecer em cada área.

Para explorar os blocos, localizados nas bacias de Santos e Campos, as petroleiras assumiram o compromisso de investir pelo menos R$ 778,4 milhões.

O pré-sal fica sob uma camada de sal que pode chegar a 7 mil metros de profundidade e é hoje a principal região produtora do país, responsável por 82,6% do petróleo e do gás brasileiros em setembro.

Leilão divide opiniões entre setor e ambientalistas

Instituições ligadas ao setor petroleiro, como o Ineep e o IBP, veem nos leilões uma forma de movimentar a indústria, gerar emprego e renda e reforçar a segurança energética do país.

Já organizações ambientais fazem críticas. O Instituto Arayara chegou a entrar com uma ação na Justiça Federal para tentar impedir o leilão, alegando que as áreas se sobrepõem a territórios indígenas e quilombolas, assentamentos, áreas de conservação e regiões de pesca artesanal. Desde antes do início da disputa, manifestantes protestam em frente à sede da ANP.

Próximos passos após o leilão do pré-sal

As empresas vencedoras ainda precisam cumprir etapas, como apresentar documentos e pagar o bônus de assinatura. Os contratos devem ser assinados em 26 de fevereiro de 2027. Com a novidade, o número de blocos sob o regime de partilha passa de 13 para 22.

Na tarde da mesma quarta-feira, a ANP realizou outro leilão, no modelo de concessão, fora do pré-sal, com 313 blocos em disputa. O governo também prevê oferecer, nos próximos meses, mais de 50 blocos na Bacia de Pelotas, no litoral Sul do país.

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