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Cada grau a menos no ar-condicionado aumenta até 8% o consumo de energia

Especialistas recomendam manter o aparelho entre 23°C e 25°C para equilibrar conforto térmico e economia na conta de luz

4 min de leitura
Protetor de ar condicionado modelo PL. Fonte: Flickr
Protetor de ar condicionado modelo PL. Fonte: Flickr

Com o calor intenso que marca o verão brasileiro, o ar-condicionado deixou de ser artigo de luxo em muitas residências e se tornou parte da rotina. Mas o gesto quase automático de pegar o controle remoto e baixar a temperatura pode custar mais caro do que parece, e o efeito aparece certinho na conta de energia do mês seguinte.

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O impacto é direto: cada grau reduzido no termostato do aparelho eleva o consumo de eletricidade entre 7% e 8%. À primeira vista, a diferença parece pequena. Mas uma redução de três graus, de 24°C para 21°C, por exemplo, representa um acréscimo de cerca de 20% no consumo, apenas por aquele ajuste. O responsável por esse aumento é o compressor, componente central do equipamento, que precisa trabalhar com muito mais intensidade para manter o ambiente resfriado a temperaturas mais baixas.

A faixa considerada ideal para uso doméstico fica entre 23°C e 25°C. Nesse intervalo, o aparelho opera de forma eficiente e o ambiente se mantém confortável para a maior parte das pessoas. A recomendação mais comum é começar em 24°C e só ajustar se necessário, descendo um grau de cada vez. Na prática, a diferença de sensação térmica entre 21°C e 24°C costuma ser imperceptível para quem está no cômodo, mas não para quem paga a conta.

O mito do resfriamento acelerado

Um equívoco bastante comum é acreditar que configurar o aparelho para 17°C ou 18°C faz o ambiente esfriar mais depressa. Essa lógica não corresponde ao funcionamento real da tecnologia. O ar-condicionado resfria o ambiente na mesma velocidade independentemente da temperatura selecionada. Colocar um número muito baixo não acelera o processo, apenas mantém o compressor trabalhando no limite mesmo depois que o cômodo já atingiu um nível agradável de frescor, gerando gasto desnecessário de energia.

O correto é já selecionar, desde o início, a temperatura em que se deseja permanecer.

O peso financeiro da escolha

Para sair do percentual e chegar a um valor concreto, vale simular com um aparelho de 12.000 BTUs utilizado por oito horas diárias. Considerando a tarifa média de energia elétrica praticada em 2026, em torno de R$ 0,82 por quilowatt-hora, o custo mensal desse único equipamento já chega próximo a R$ 200 apenas na referência de 24°C. Cada grau reduzido acrescenta entre 7% e 8% sobre esse valor. Em meses com bandeira tarifária vermelha, o impacto é ainda mais expressivo, já que a tarifa aplicada é mais alta.

Como sentir mais frio sem baixar o termostato

A alternativa para quem quer conforto sem onerar a conta de luz está em preparar o ambiente para reter o frescor. Quando o cômodo está bem vedado e protegido do calor externo, a sensação térmica melhora mesmo com o aparelho em temperaturas mais altas.

Algumas medidas contribuem diretamente para isso: fechar cortinas e persianas durante as horas de sol mais intenso reduz o aquecimento interno; vedar frestas em portas e janelas impede que o ar frio escape; e usar um ventilador ao mesmo tempo que o ar-condicionado distribui melhor o ar gelado pelo ambiente, permitindo elevar a temperatura configurada sem perda de conforto. Manter fechadas as portas de cômodos que não estão sendo utilizados também concentra o resfriamento onde ele é necessário.

Só o uso combinado de ventilador com o ar-condicionado já permite trabalhar com a temperatura dois a três graus acima do habitual sem que o morador perceba diferença no conforto, o que representa uma economia relevante ao longo do mês.

Tecnologia faz diferença no consumo

Além do comportamento do usuário, o modelo do equipamento tem peso significativo no valor final da conta. Aparelhos com tecnologia Inverter consomem entre 30% e 50% menos energia do que os modelos convencionais mais antigos. A diferença está na forma como o compressor opera: enquanto os tradicionais ligam e desligam de forma brusca para manter a temperatura, os Inverter ajustam continuamente a potência de acordo com a necessidade do ambiente, evitando picos de consumo.

Para quem usa o ar-condicionado com frequência durante os meses quentes, a troca por um modelo Inverter com Selo Procel A, classificação máxima de eficiência energética do Brasil, costuma se pagar em poucos meses. A combinação de equipamento eficiente, temperatura adequada e ambiente bem preparado representa a estratégia mais eficaz para manter a casa fresca sem que a conta de energia se torne um problema no final do mês.

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